Brasileirão pausa com favoritismo de título para Palmeiras e Flamengo

Em um Brasileirão partido pela Copa, o primeiro bloco separa os candidatos reais ao título e expõe a fragilidade das equipes que brigam contra o rebaixamento

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O Brasileirão parou, enfim. E parou de um jeito que deixa uma expectativa gigantesca pelo que pela frente, como quase tudo nesta edição. Foram 18 rodadas até a interrupção, mas nem todos os participantes alcançaram a esse número de partidas. Flamengo, Bahia, Botafogo, Vitória, Mirassol e Chapecoense ainda carregam jogos pendentes, detalhe que impede qualquer sentença definitiva, mas não muda a fotografia principal do campeonato: a disputa pelo título tem, hoje, duas camisas nítidas, as de Palmeiras e Flamengo.

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Clubes com receitas bilionárias, Palmeiras e Flamengo se descolaram do debate comum. Com o título simbólico de ‘campeão do primeiro turno’, o Palmeiras pausa na liderança, com 41 pontos em 18 jogos. O Flamengo vem atrás, com 34 pontos em 17 rodadas. Fluminense e Athletico-PR, respectivamente, somam 31 e 30 pontos, ambos com 18 apresentações, fecham o G-4.

Brasileirão Com a euforia de torcedores ao fundo, o goleiro Marcelo Lomba celebra a vitória do Palmeiras sobre a Chapecoense
Com a euforia de torcedores, o goleiro Marcelo Lomba celebra a vitória do Palmeiras sobre a Chapecoense / Palmeiras

Brasileirão dos líderes

Por isso, pela análise do The Football, dificilmente o campeão brasileiro de 2026 sairá de fora da dupla Palmeiras-Flamengo. Não porque o campeonato esteja decidido. Não está. Mas porque, em pontos corridos, vantagem não é apenas número. É um sintoma. E o que o primeiro bloco mostrou é que Palmeiras e Flamengo têm elenco, repertório, casca competitiva e poder de correção durante a rota. Os demais ainda procuram uma sequência que os dois já encontraram.

O Palmeiras, sobretudo, construiu mais do que uma liderança. Construiu autoridade. A vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense, com gol de Paulinho, levou o time aos 41 pontos e ampliou uma série de 13 jogos sem derrota no Brasileirão. Na rodada anterior, o 3 a 0 sobre o Flamengo, no Maracanã, já havia sido o jogo simbólico desta primeira metade incompleta do campeonato. Não valeu taça, mas valeu mensagem.

O Flamengo, por sua vez, ainda pode diminuir a gordura do jogo a menos, da qualidade do elenco e da capacidade de reação. A distância de sete pontos pode virar quatro. Em um campeonato com 20 rodadas ainda por disputar para muitos clubes, isso não é abismo. Mas também não é detalhe. O Flamengo não está fora da briga. Ao contrário, é o perseguidor mais natural. Só que a pausa chega com o Palmeiras olhando para trás com vantagem real, e o Flamengo obrigado a transformar potencial em perseguição concreta.

Zona da confusão

A parte de baixo conta outra história. Ali, a pausa não é descanso. É emergência. A lanterna Chapecoense chega ao intervalo como o caso mais delicado: nove pontos em 17 jogos, apenas uma vitória, seis empates e dez derrotas. É uma campanha que não pede ajuste fino. Pede reconstrução. Quando um time chega a esse ponto do campeonato com aproveitamento tão baixo, a pausa deixa de ser conveniência e vira última chance de mudar tudo: ideia, elenco, ambiente e urgência.

Fecham a zona do rebaixamento: Mirassol é o 19º, 17 jogos com 16 pontos, quatro vitórias, quatro empates e nove derrotas; Remo é o 18º, 18 jogos, com 18 pontos, quatro vitórias, seis empates e oito derrotas e o Vasco, 17º, com 18 jogos, com 20 pontos, cinco vitórias, cinco empates e oito derrotas.

Brasileirão Chapecoense do zagueiro João Paulo, que disputa jogada com Luighi, só venceu uma partida em 17 rodadas
Chapecoense do zagueiro João Paulo, que disputa jogada com Luighi, só venceu uma partida em 17 rodadas / Chapecoense

Disputa acirrada

O Z-4 ainda está em formação, mas a zona de medo já é bem maior do que quatro clubes. A queda, neste momento, não ameaça apenas os frágeis. Ela pressiona os instáveis. Basta ver que, do Vasco até o Bahia, o sexto colocado, a diferença é de seis pontos. Se diminuir a régua, dois pontos separam o Botafogo, o 12º, da zona da degola.

Esse é um dos retratos mais interessantes do campeonato. Em cima, a disputa parece concentrada. Embaixo, espalhada. O topo tem dois protagonistas. O rodapé tem um elenco inteiro de coadjuvantes assustados.

E talvez esteja aí a maior lição deste Brasileirão atípico. O torneio começou cedo demais para os padrões do futebol brasileiro. A primeira rodada aconteceu no dia 28 de janeiro, em uma temporada redesenhada por causa da Copa do Mundo. Agora, depois da 18ª rodada, o campeonato ficará paralisado por mais de 50 dias. A 19º rodada está marcada para o dia 22 de julho e o encerramento previsto para 2 de dezembro.

 

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Na prática, é como se o Brasileirão tivesse sido partido ao meio antes mesmo de completar seu primeiro turno. O que aconteceu até aqui foi o campeonato da resistência e, para alguns times, além dos Estaduais, teve Libertadores, Sul-Americana, Copa do Brasil, lesão, desgaste, pressão e improviso. O que virá depois será outro torneio: com janela, reforços, treinadores tendo tempo raro para trabalhar e clubes podendo corrigir erros que, em calendário normal, seriam empurrados no grito.

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