A Copa do Mundo de 2026 vai começar em dois atos. O primeiro será na Cidade do México, com tudo aquilo que cerca uma abertura de Mundial: cerimônia, hino, estádio histórico, arquibancada em festa e a seleção anfitriã entrando em campo diante da África do Sul. O apito inicial é às 16h (horário de Brasília), no Estádio Azteca. O segundo virá algumas horas depois, em Guadalajara, sem o mesmo peso simbólico, mas talvez com mais importância competitiva imediata: Coreia do Sul x República Tcheca, às 23h (horário de Brasília), no Estádio Akron.
Pela primeira vez desde 2010, uma Copa do Mundo terá dois jogos no primeiro dia de competição. Na África do Sul, há 16 anos, o torneio começou com África do Sul x México, no Soccer City, em Joanesburgo, e seguiu, no mesmo dia, com Uruguai x França, na Cidade do Cabo. Depois disso, as Copas de 2014, 2018 e 2022 voltaram ao modelo mais tradicional, com apenas uma partida de abertura.

Copa do Mundo inflada
Em 2026, a rodada dupla inaugural retorna dentro de outro contexto: o maior Mundial da história. A competição passou a ter 48 seleções, 104 jogos, três países-sede e 16 cidades espalhadas por México, Estados Unidos e Canadá. A Fifa não tratou publicamente a rodada dupla do primeiro dia como uma decisão específica, nem apresentou uma justificativa isolada para esse detalhe da tabela. Mas a entidade explicou, em seus comunicados oficiais, que a construção do calendário foi orientada por critérios logísticos, esportivos, comerciais e de audiência global.
É uma diferença importante. Não dá para dizer que a Fifa colocou dois jogos na abertura apenas por uma razão. A decisão mais provável é que a rodada dupla faz parte da engenharia de um torneio expandido, desenhado para reduzir deslocamentos de seleções e torcedores, preservar dias de descanso, melhorar as condições de disputa e organizar uma Copa que precisará acomodar 104 jogos em 39 dias.
Cara de decisão no primeiro dia
Dentro dessa arquitetura, México x África do Sul fica com a função cerimonial. Coreia do Sul x República Tcheca assume outro papel: o de transformar o primeiro dia em competição real. A Copa começa com festa, mas rapidamente vira cálculo. E, no Grupo A, esse cálculo pode ser cruel desde o início. O México entra como anfitrião e, naturalmente, carrega o favoritismo emocional da chave. A África do Sul tenta recuperar espaço em uma Copa que traz lembranças fortes de 2010, quando sediou o torneio e justamente enfrentou os mexicanos na abertura. Coreia do Sul e República Tcheca, por sua vez, aparecem como seleções de patamar semelhante, com estilos diferentes e uma sensação clara de confronto direto.
Por isso, o segundo jogo do Mundial já nasce com cheiro de decisão. Não no sentido dramático de mata-mata, mas na lógica fria da fase de grupos. Em uma Copa com 48 seleções, os dois primeiros de cada chave avançam, além dos oito melhores terceiros colocados. Ainda assim, largar bem continua sendo essencial. Uma vitória na estreia pode empurrar uma seleção para perto da classificação. Uma derrota pode obrigar a equipe a jogar o resto da primeira fase sob pressão.
Atenção ao segundo jogo
A Coreia do Sul chega ao Mundial sustentada por uma geração reconhecível. O atacante Son Heung-min, que defendeu o Tottenham em dez temporadas antes de se mudar para o Los Angeles FC no ano passado, é o rosto, o capitão e o principal símbolo técnico da equipe. Aos 33 anos, já em uma fase mais madura da carreira, segue sendo o jogador capaz de alterar o ritmo de uma partida em poucos metros. A Coreia não precisa necessariamente dominar a posse para ser perigosa. Precisa de espaço, transição e uma bola limpa para acelerar.
Na Copa de 2022, a Coreia do Sul ficou na segunda colocação, com quatro pontos, em uma chave que teve Portugal, líder com seis, Uruguai e Gana, três, na lanterna. Somou os mesmos pontos dos uruguaios, mas se classificou nos gols marcados (4 a 2). Nas oitavas de final, os coreanos resistiram ao Brasil e foram eliminados: 4 a 1. Mesmo assim, eles comemoraram a participação, pois sobreviveram a um dos grupos mais difíceis do torneio.

A República Tcheca chega por outro caminho. Depois de 20 anos fora de Copas, volta ao torneio com uma seleção menos badalada, porém incômoda. É um time que tende a gostar do atrito, da bola aérea, da segunda bola e dos duelos físicos. A seleção tcheca não precisa parecer bonita para ser competitiva. Precisa ser sólida, resistente e eficiente.
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O atacante Patrik Schick, 30 anos, que defende o Bayer Leverkusen, é o nome mais evidente. Centroavante de repertório, chute limpo e presença de área, ele concentra boa parte da ameaça ofensiva tcheca. Não é apenas um finalizador. Sabe sair da área, atacar espaços entre zagueiros e laterais e decidir mesmo quando participa pouco da construção. Em jogo de estreia, esse tipo de atacante costuma ser um problema.





