Antes mesmo da segunda rodada da Copa do Mundo, Carlo Ancelotti já se vê diante de uma necessidade clara: encontrar soluções para um Brasil que deixou mais dúvidas do que certezas no empate por 1 a 1 com Marrocos. O resultado, por si só, não seria motivo para alarme. Grandes campanhas mundiais já começaram com tropeços. O problema está na forma como a seleção atuou. Durante boa parte da partida no MetLife, a equipe brasileira pareceu desconectada, sem coordenação, pouco agressiva sem a bola e incapaz de controlar os espaços quando Marrocos acelerava as transições.

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Mais do que erros individuais e todos os problemas que o torcedor viu, chamou atenção a falta de uma identidade coletiva. O Brasil teve dificuldades para construir desde trás, perdeu o controle do meio-campo em vários momentos do jogo e produziu pouco ofensivamente. Parecia um time que se conheceu no vestiário.

Carlo Ancelotti, técnico do Brasil, tem pouco tempo para melhorar uma equipe funcional na Copa do Mundo / CBF

Para uma equipe que inicia um ciclo sob o comando de um treinador reconhecido justamente pela capacidade de organizar sistemas competitivos, o desempenho ficou aquém da expectativa. O treinador errou nas escolhas, no sistema e nas alterações. Ele admitiu não ter gostado do time. Mas o brasileiro também não gostou dele.

Abaixo do rendimento contra Marrocos

Os problemas passam também por jogadores que normalmente oferecem garantias. Casemiro e Bruno Guimarães não conseguiram controlar o ritmo da partida nem proteger a defesa. Casemiro parecia um caminhão fazendo curvas em Mônaco. Raphinha esteve distante do nível que o transformou em uma das principais peças ofensivas do Barcelona. Igor Thiago recebeu uma oportunidade importante para se firmar porque fez 22 gols na Premier League, mas teve pouca influência no jogo.

No setor defensivo, as fragilidades ficaram expostas. Gabriel Magalhães viveu uma noite insegura, enquanto a utilização de “zagueiros” nas laterais voltou a levantar um debate que acompanha a seleção há anos: a escassez de jogadores da posição capazes de oferecer profundidade e amplitude ao ataque. Mas esse problema, Ancelotti dificilmente vai resolver nesta Copa.

Decisivo na Premier League, Igor Thiago ainda não deu certo na seleção de Carlo Ancelotti na Copa / Instagram

O treinador sabe que não se constrói uma campanha vencedora em apenas 90 minutos. O italiano lembrou que títulos mundiais raramente são definidos na estreia. Sua experiência em grandes competições recomenda cautela antes de qualquer julgamento definitivo. Ainda assim, a próxima partida contra o Haiti surge como uma oportunidade valiosa para ajustes. Diante de um adversário tecnicamente inferior, o treinador poderá testar alternativas e observar nomes que pedem passagem. Entre eles, Endrick aparece como candidato natural a ganhar minutos. Ryan também surge como opção interessante para dar mais velocidade e agressividade pelos lados do campo.

Quem pede passagem?

A questão central é encontrar mecanismos que potencializem os talentos disponíveis do Brasil. Sem laterais de perfil ofensivo, a seleção precisa criar amplitude por outros caminhos. Vini Jr., Martinelli, Luiz Henrique e Ryan oferecem características para ocupar os corredores e abrir espaços entre as linhas adversárias. Cabe a Ancelotti construir uma estrutura capaz de aproveitar o que ele tem de melhor nos Estados Unidos. O empate contra Marrocos não apaga o currículo de um treinador que conquistou tudo no futebol europeu. Mas serve como alerta.

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A seleção brasileira ainda está longe de parecer uma candidata ao título. Restam sete jogos para a decisão do dia 19 de julho, no MetLife Stadium. E, em uma Copa do Mundo, o tempo para encontrar respostas costuma ser mais curto do que parece.

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