A estratégia não é nova e vale como histórica muleta para treinadores aqui e acolá. A ideia do Corinthians era preservar praticamente toda a equipe titular para chegar inteiro ao duelo de domingo, pela Copa do Brasil, contra o Internacional, neste domingo, no Beira-Rio. Na prática, porém, o plano de Fernando Diniz produziu exatamente o efeito contrário. O Corinthians, completamente desfigurado no primeiro tempo, só empatou em 0 a 0 com o Athletico Paranaense, na noite desta quinta-feira, na Neo Química Arena, desperdiçou mais dois pontos dentro de casa e ainda viu a conta ficar muito mais cara do que imaginava.
Saiu de campo com duas graves preocupações médicas e uma baixa certa para a próxima rodada do Campeonato Brasileiro.
Labyad deixou o gramado no fim do primeiro tempo, de maca, com suspeita de uma grave lesão no joelho esquerdo. Na etapa final, Yuri Alberto, um dos titulares preservados no início da partida e acionado para tentar mudar o panorama do jogo, também precisou ser retirado de maca, chorando, por causa de uma lesão muscular na parte posterior da coxa direita. Como se não bastasse, Garro recebeu o terceiro cartão amarelo e desfalcará o time contra o Bragantino.

Planejamento dá errado
Pouca coisa deu certo na noite em que Diniz, talvez pela primeira vez desde que chegou ao Parque São Jorge, abriu mão de uma de suas principais convicções. Até aqui, o treinador resistia à tentação do rodízio, repetindo, sempre que possível, a mesma base e demonstrando confiar na manutenção de uma equipe titular. Desta vez, capitulou. A decisão escancarou duas realidades: a fragilidade do elenco corintiano, que continua sem peças de reposição à altura, e a prioridade absoluta dada pelo clube à Copa do Brasil.
A mensagem para a torcida ficou evidente. O Brasileirão, ao menos neste momento, tornou-se secundário. Não por acaso, o Corinthians segue estacionado na zona intermediária da tabela, agora com modestos 29 pontos em 21 partidas, longe da disputa pelas primeiras colocações. A opção pelo time alternativo também chama a atenção pelo contexto. O elenco teve quase vinte dias de férias e outros trinta de pré-temporada durante a paralisação provocada pela Copa do Mundo. Em tese, o desgaste físico não deveria ser um fator tão determinante neste momento da temporada.
Corinthians remendado
Mesmo bastante descaracterizado, com improvisações e jogadores atuando fora de suas funções — Matheuzinho, por exemplo, foi deslocado para a lateral esquerda, enquanto Lingard atuou como centroavante —, o Corinthians ainda assim conseguiu ser superior ao Athletico. Teve mais posse de bola, controlou territorialmente a partida e criou as melhores oportunidades. Muito porque o adversário adotou uma postura extremamente cautelosa, claramente satisfeito em deixar Itaquera com um ponto na bagagem.
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Tecnicamente, entretanto, foi uma partida pobre. A arbitragem excessivamente confusa interrompeu o jogo em inúmeras oportunidades. Empurrões, provocações, simulações, discussões e sucessivas paralisações consumiram preciosos minutos de bola rolando e impediram que o confronto ganhasse ritmo. Na primeira etapa, a principal oportunidade corintiana nasceu de um cruzamento preciso de Allan para Matheuzinho, que cabeceou firme e obrigou Santos a realizar grande defesa. Foi praticamente o único momento de real perigo.
Lampejo anima torcida
No intervalo, Diniz promoveu as entradas de Kaio César e Yuri Alberto nos lugares de Dieguinho e do lesionado Labyad. A equipe voltou mais agressiva, aumentou a intensidade ofensiva e passou a ocupar o campo de ataque com muito mais frequência. Aos 20 minutos, Yuri recuperou uma bola na intermediária, avançou e finalizou da entrada da área para outra boa defesa de Santos. Dois minutos depois, recebeu lançamento nas costas do zagueiro Terán, bateu sem pegar em cheio na bola e novamente parou no goleiro atleticano.
O Athletico respondeu apenas aos 27 minutos. Após escanteio cobrado pela direita, Gilberto desviou no primeiro poste e Viveros, em posição que gerou dúvidas, cabeceou no travessão de Hugo Souza.
Mas o lance que marcou definitivamente a noite aconteceu aos 30 minutos. Yuri Alberto sentiu a parte posterior da coxa direita, caiu no gramado e deixou o campo de maca, visivelmente emocionado. O atacante, que não possui um substituto do mesmo nível no elenco, chorou ao deixar o gramado, aumentando a preocupação do Corinthians às vésperas da decisão pela Copa do Brasil.

Drama no elenco
Na saída de campo, Raniele lamentou a situação do companheiro e resumiu a frustração da equipe. “O Yuri é um atleta muito importante para nós. Tomara que não seja nada grave. Foi um jogo duro. Conseguimos competir bem, mas faltou capricho para fazer o gol. Sobre a arbitragem, falar disso já virou chover no molhado. Hoje ela segurou demais o jogo para os dois lados.”
No fim das contas, a noite que deveria servir para preservar forças acabou consumindo aquilo que o Corinthians tinha de mais valioso. Perdeu pontos, perdeu jogadores e ainda reforçou a impressão de que, neste momento da temporada, o Brasileirão ocupa um papel claramente secundário no planejamento do clube.





