O Flamengo chega à pausa do Campeonato Brasileiro em função da data-Fifa com algo que, em uma disputa tão apertada contra o Palmeiras, começa a ganhar peso: gordura. A vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino, neste domingo, no Maracanã, valeu muito mais do que três pontos. Foi a quinta consecutiva do Rubro-Negro na competição e ampliou para três a vantagem sobre o principal concorrente pelo título. São 60 pontos contra 57 do Verdão.
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Os números ajudam a contar melhor essa história da disparada do líder. O Flamengo tem outra gordura importante, que pode fazer a diferença no primeiro critério de desempate, as 18 vitórias. O Palmeiras tem 16 triunfos. Portanto, mesmo que a distância ainda seja pequena, o líder construiu também outra margem importante.

Flamengo vira rolo-compressor
Mais significativo é observar como essa diferença foi construída. Há menos de um mês, o cenário era o contrário. Depois de o Flamengo perder por 2 a 1 para o Cruzeiro, em Belo Horizonte, no dia 22 de agosto, e o Palmeiras golear o Vasco por 4 a 1 no dia seguinte, o time paulista chegou aos 51 pontos, contra 45 dos cariocas, que tinham uma partida a menos. Eram seis pontos de frente para a equipe de Abel Ferreira.
Desde então, o Flamengo não desperdiçou mais nenhum ponto no Brasileiro. Primeiro, fez 3 a 0 no Botafogo. Depois, colocou em dia a partida contra o Mirassol e venceu por 2 a 0. Na sequência, bateu o Remo por 1 a 0 em Belém, superou o Corinthians por 2 a 1 no Maracanã e repetiu o placar contra o Bragantino. Foram cinco partidas, cinco vitórias e 15 pontos de 15 possíveis.
O Palmeiras não entrou em crise. Também não perdeu nenhum de seus últimos cinco jogos. A diferença está justamente aí: enquanto o Flamengo passou a vencer sempre, o time de Abel deixou escapar pontos em partidas equilibradas. Nesse período, o Palmeiras goleou o Vasco por 4 a 1 e derrotou o São Paulo por 2 a 0, mas empatou por 1 a 1 com o Mirassol e ficou no 0 a 0 diante de Botafogo e Grêmio. Foram duas vitórias, três empates e nove pontos conquistados em 15 possíveis.
Vitórias sem sustos
Contra o Red Bull Bragantino, o Rubro-Negro apenas confirmou o ótimo momento nesta reta final do Brasileirão. Varela abriu o placar aos 13 minutos do segundo tempo, Pedro ampliou aos 26 minutos e o adversário diminuiu já na reta final, no gol contra de Bruno Henrique. O importante, porém, estava além do placar. O Flamengo sabia que o Palmeiras havia empatado por 0 a 0 com o Grêmio, em Porto Alegre, no começo da tarde. Tinha diante de si a possibilidade concreta de aumentar a vantagem. E não desperdiçou.
É essa capacidade de aproveitar os tropeços do concorrente que começa a separar os dois. Porque uma disputa por pontos corridos não é construída apenas nos confrontos diretos ou nas grandes atuações. Ela também passa por vencer jogos em que não há espetáculo, atravessar semanas carregadas por outras competições e não permitir que empates aceitáveis se acumulem.

A corrida permanece aberta. Restam dez rodadas, são apenas três pontos de diferença e os dois clubes ainda estarão submetidos ao desgaste de uma temporada que oferece decisões também fora do Brasileiro, no caso do clube carioca, somente a Libertadores. Além do torneio sul-americano, os palmeirenses têm pela frente a Copa do Brasil. Não existe margem para relaxamento, mas existe margem na classificação.
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As duas vitórias a mais também não são um detalhe. Como esse é o primeiro critério de desempate do Campeonato Brasileiro, o Rubro-Negro carrega uma vantagem adicional caso os dois terminem igualados em pontos. Na prática, o Palmeiras precisaria recuperar a diferença sem chegar empatado ao fim da competição.
É uma mudança considerável para quem, há poucas semanas, olhava o rival seis pontos acima. O Brasileiro continua apresentando uma disputa particular entre Flamengo e Palmeiras. A diferença é que o roteiro mudou de mãos. O Palmeiras chegou a construir sua gordura, viu o adversário consumi-la e agora precisa correr atrás.





