O Corinthians fez a sena: perdeu pela sexta vez consecutiva no Campeonato Brasileiro e, ironicamente, bateu à porta do Z4. A derrota por 3 a 1 para o Fluminense, na tarde deste domingo, na Neo Química Arena, escancarou uma realidade que o torcedor corintiano já não pode mais tratar como ameaça hipotética: o rebaixamento passou a ser uma possibilidade concreta. O time está mergulhado no pântano daqueles clubes grandes que, de uma hora para outra, descobrem que o tamanho da camisa e o apoio da torcida não são mais suficientes para afastar o perigo.

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O efeito devastador da eliminação da Libertadores, da maneira como aconteceu, ainda estava impregnado no ar de Itaquera quando o Corinthians entrou em campo. A obrigação era vencer o Flu e, pelo menos, oferecer uma trégua à crise. As cobranças da torcida, especialmente sobre Memphis, ainda ecoavam na atmosfera de um domingo frio, chuvoso e de céu carregado — cenário que parecia combinar com as trevas corintianas.

Corinthians Breno Bidon com a bola e Matheus Bidu
Breno Bidon domina a bola e é acompanhado de perto por Matheus Bidu com a chegada de Samuel Xavier / Corinthians

Corinthians se afunda

Apesar das promessas de um novo tempo, o que se viu foi mais do mesmo. Um time inseguro, sem confiança, abaixo da expectativa que o torcedor deposita num elenco que custa R$ 30 milhões por mês em salários. O Corinthians é um time acuado, medroso, incapaz de dar a resposta que a torcida espera e que o momento exige. Enquanto os rivais da parte de baixo da tabela alternam maus e bons momentos e alguns esboçam reação, o Corinthians tem sido linear na mediocridade, refém dos próprios fantasmas, medos e desacertos em campo.

São quatro vitórias nos últimos 16 jogos e seis derrotas consecutivas no Brasileiro. O time já estabeleceu, inclusive, o recorde de derrotas dentro de seu estádio (nove) em uma temporada. E agora terá de encontrar forças para vencer pelo menos metade dos dez jogos que ainda restam no returno se quiser afastar o perigo. Não é uma conta impossível. Mas, pelo futebol apresentado, é uma conta difícil de acreditar.

O primeiro tempo contra o Flu foi mais uma demonstração da sua fragilidade. O Corinthians tinha a bola, mas uma posse ilusória, daquelas que não incomodam ninguém. Os adversários já perceberam que podem deixá-lo jogar. Enquanto isso, exploram os espaços nas laterais e o buraco entre a defesa e os volantes. O Corinthians virou um convite ao ataque rival. Quando Hulk abriu o placar, antes dos 30, o Flu já poderia ter marcado outras duas vezes. A vantagem transformou a insegurança corintiana em pânico. A bola passou a queimar nos pés dos jogadores, os erros se multiplicaram e a equipe perdeu até a pouca intensidade que costuma apresentar em casa.

Desespero sem fim

Fernando Diniz tentou mudar o cenário após o intervalo. Tirou Iago, colocou Gui Negão e reorganizou o time, com Raniele na zaga, Garro mais recuado e Memphis mais livre. Foi uma mudança que devolveu alguma vida ao Corinthians. O time chegou ao empate com Gustavo Henrique, depois de jogada de Memphis, e por alguns minutos a torcida acreditou. Mas a esperança durou pouco. Aos 30, Martinelli roubou a bola na defesa, Ganso encontrou Hulk no contra-ataque e o artilheiro, um dos carrascos históricos do Corinthians, bateu de fora da área. A bola desviou em Gustavo Henrique e matou Hugo Souza. Foi o oitavo gol do carrasco Hulk em dez confrontos com o Corinthians. Aos 45, Martinelli encontrou espaço para conduzir o ataque e lançou Serna nas costas de Matheuzinho para matar o jogo.

Aos corintianos restou encontrar desculpas para mais um fracasso. Há opções dentro e fora de campo para usar de muleta. O problema corintiano, no entanto, é maior do que uma má fase passageira. Está na falta de organização, insegurança, incapacidade de reagir quando sofre um gol e, principalmente, ausência de um padrão de jogo que dê ao time alguma segurança para enfrentar a adversidade.

É difícil continuar atribuindo tudo à ausência de Yuri Alberto, como se ele fosse a reencarnação de Pelé, Maradona, Di Stéfano, Vavá e Garrincha. Yuri faz falta, evidentemente. Mas querer fazer a torcida acreditar que o Corinthians não ganha por causa da ausência dele é tentar tapar o sol com a peneira, inventar uma desculpa que não se sustenta. Garro e Memphis também precisam assumir responsabilidades. Hugo Souza, que chegou a ser convocado para a seleção, vive uma fase em que quase tudo o que vai no gol entra. Bidon, outro convocado, desaparece do jogo por longos períodos.

Corinthians Kaio César
Kaio César encontra poucos espaços no setor ofensivo e é travado nos dois chutes à meta do goleiro Fábio / Corinthians

Diniz mantido

E o problema chega ao treinador. Depois de um início animador, Diniz não conseguiu fazer o Corinthians jogar. Este time tem cada vez menos a assinatura do trabalho que o técnico costuma defender. Falta organização, falta convicção e falta resposta às mudanças de roteiro das partidas. No meio da semana, o CEO Marcelo Paz garantiu que Diniz permanecerá até o fim do contrato e repetiu neste domingo. Depois do que se viu contra o Flu, essa certeza já parece tão sólida como uma gelatina. Não porque exista uma decisão anunciada, mas porque a pressão sobre o clube aumenta a cada rodada e quase sempre a corda arrebenta na ponta presa ao treinador.

A parada da Data Fifa por 15 dias surge como uma espécie de tábua de salvação. Uma trégua. Será o intervalo necessário para Diniz trabalhar e tentar encontrar um caminho para tirar o Corinthians do atoleiro. Isso, claro, se a onda de melancolia e insatisfação que tomou conta do clube não levar o treinador antes. O fato é que já não há mais espaço para flertar com o perigo. O Corinthians está a três pontos da linha de corte e carrega seis derrotas consecutivas no campeonato.

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O fantasma da Série B, que durante algum tempo parecia apenas uma ameaça distante, agora bateu à porta do Parque São Jorge. E não veio para fazer uma visita de cortesia. Faltam dez jogos. Ainda há tempo para reagir. Mas o Corinthians precisa abrir os olhos imediatamente. Porque, a continuar nessa toada, o drama que hoje assusta a torcida pode repetir a dolorosa jornada de 2007.

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