A lembrança de 2007 nunca é confortável para o torcedor do Corinthians. Depois de 28 rodadas do Campeonato Brasileiro daquele ano, o time tinha 33 pontos e caminhava para o primeiro rebaixamento de sua história. Dezenove anos depois, o cenário volta a produzir uma comparação inevitável: o Corinthians de 2026 chegou ao mesmo estágio da competição com apenas 32 pontos. A diferença é que agora existem dez partidas, uma data-Fifa inteira para trabalhar e tempo suficiente para impedir que números semelhantes levem ao mesmo destino.

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É importante destacar que não significa que as duas campanhas sejam iguais. Pelo contrário. Em 2007, após 28 jogos, o Corinthians ocupava a 18ª colocação, com oito vitórias, nove empates e 11 derrotas. Naquele ano, o Campeonato Brasileiro na versão dos pontos corridos já era disputado por 20 clubes, essa redução foi adotada em 2006. Hoje, o Timão está em 14º lugar, com oito triunfos, oito empates e 12 derrotas. A pontuação é inferior, porém, a posição é melhor. A tabela atual também está bastante congestionada: com 32 pontos, a equipe de Fernando Diniz está somente três acima do Grêmio, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento.

Ausente desde o dia 30 de julho, Yuri Alberto pode retornar no duelo com o Internacional, no dia 7 de outubro  / Corinthians

Corinthians entre os desesperados

É aí que a comparação deixa de ser apenas curiosidade histórica. O Corinthians não precisa lutar contra 2007. Precisa evitar que 2026 comece a se parecer cada vez mais com ele. Na temporada do rebaixamento, o time chegou às dez rodadas finais já instalado no Z4 e venceu somente mais duas vezes até o encerramento da competição.

Agora, o clube entra no trecho decisivo ainda fora da zona, mas carregando uma sequência que retirou toda a margem de segurança. São seis derrotas consecutivas no Brasileiro, pior série do Corinthians na era dos pontos corridos, o que iguala uma marca de 2006. A última vitória ocorreu em 9 de agosto, contra o Red Bull Bragantino. Desde então, perdeu para Cruzeiro, Coritiba, Santos, Chapecoense, Flamengo e Fluminense. A queda impressiona também pela velocidade. Na 22ª rodada, o Corinthians aparecia em sétimo lugar com os mesmos 32 pontos que possui hoje. O que parecia uma campanha capaz de mirar a parte de cima, com briga por vaga à próxima Copa Libertadores, em pouco mais de um mês, uma vira uma desesperada corrida pela sobrevivência.

Por isso, a data-Fifa surge em um momento mais do que importante. Eliminado nas quartas de final da Libertadores pelo Estudiantes, em plena Neo Química Arena, e sem participação nas demais competições, o Corinthians não terá outro objetivo para dividir atenção, energia ou elenco. Para arrumar a casa, Fernando Diniz ganhou mais de duas semanas entre a derrota por 3 a 1, no último domingo, para o Fluminense, no último domingo, e a retomada do Brasileiro, no dia 7 de outubro, contra o Internacional, no Beira-Rio. A sequência terá, quatro dias depois, o clássico diante do Palmeiras.

Será um período sem a justificativa do calendário apertado. Servirá para recuperar jogadores, como é o caso do artilheiro Yuri Alberto, corrigir defeitos e devolver a confiança a um time que está abalado diante da pressão pela proximidade da zona do rebaixamento. Diniz permanece respaldado pela diretoria e recebeu apoio direto das lideranças do elenco. Gustavo Henrique, Rodrigo Garro e Memphis Depay participaram das conversas que antecederam a decisão pela continuidade do treinador.

Fernando Diniz vai ter mais de duas semanas para recuperar a confiança do elenco para a reta final do ano / Corinthians

Números não mentem

A matemática ainda oferece espaço para reação. No caso, ultrapassar a barreira dos 45 pontos é a meta de salvação, mas como ensina o mundo da bola, o Corinthians vai ter que se dedicar jogo a jogo. Para chegar a essa pontuação, o Corinthians precisaria acrescentar 14 dos 30 pontos ainda disponíveis. O problema está também na distribuição dessa reta final. Serão seis partidas como visitante e apenas quatro em casa. O percurso inclui Internacional, Palmeiras, Vasco, São Paulo, Atlético-MG e Remo longe de Itaquera; Vitória, Botafogo, Mirassol e Grêmio serão os adversários na Neo Química Arena.

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A pausa interrompe o calendário, mas não diminui a urgência. Quando a bola voltar a rolar, o Corinthians terá ‘dez finais’ e ganhar ao menos metade para fazer com que 2007 continue sendo apenas uma lembrança — e não volte a ser referência.

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