A derrota por 2 a 0 para o Athletico-PR, em 9 de agosto, deixou a Vila Belmiro tomada por vaias e recolocou o Santos na zona de rebaixamento. Pouco mais de 40 dias depois, o cenário é outro. O time de Cuca conquistou 16 dos 18 pontos disputados desde aquela noite, saltou para a oitava colocação, com 38 pontos, abriu dez de distância para o Z4 e passou a olhar para uma região da tabela que parecia distante: a das vagas para a Libertadores de 2027.
A arrancada tem números que ajudam a dimensionar a mudança. Após a derrota para o Athletico-PR, o Santos goleou o Vasco por 3 a 0, empatou com o Mirassol e venceu, em sequência, Corinthians, Internacional, Cruzeiro e Remo. São cinco vitórias e um empate nas últimas seis rodadas. Os quatro triunfos consecutivos representam a melhor série do clube no Brasileirão em 2026 e algo que não acontecia desde 2019.

Arrancada santista
A recuperação aparece no recorte do segundo turno da competição. Com 17 pontos conquistados em oito jogos, o Santos tem a terceira melhor campanha, atrás do Flamengo, líder com 20 pontos, e do Cruzeiro, com 18. O time, porém, disputou um jogo a menos do que os concorrentes. Há outro detalhe importante nessa sequência. Neymar esteve em campo contra o Corinthians e foi decisivo na jogada do gol de Christian Oliva. Depois, lesionou a coxa direita no empate com o Palmeiras, pela Copa do Brasil, em 2 de setembro. Desde então, o Santos bateu Internacional, Cruzeiro e Remo pelo Brasileiro sem ele. Portanto, são quatro vitórias seguidas na competição, mas as três mais recentes vieram sem sua principal estrela.
Isso não é uma conclusão de que o Santos joga melhor sem Neymar. O clássico em Itaquera mostrou o peso que ele pode ter. O dado relevante é outro: a equipe deixou de depender do craque para produzir resultados. Gabigol voltou a decidir, Rony ganhou importância e Cuca passou a encontrar alternativas em um elenco que foi reforçado na reta final da janela.
Peixe é forasteiro indigesto
A série de seis jogos sem perder iguala a maior invencibilidade santista da temporada. A diferença está na qualidade dela. Entre abril e maio, o Santos também passou seis partidas invicto, mas acumulou cinco empates e apenas uma vitória. Agora são cinco triunfos e uma igualdade. Fora de casa, o salto é mais expressivo: Vasco, Corinthians, Internacional e Remo foram derrotados em sequência. O clube não conseguia quatro vitórias consecutivas como visitante no Brasileiro desde 1984.
Parte dessa transformação coincide com a chegada do pacote de reforços que elevou as expectativas na Vila. Arthur, Rodinei, Lima, Everton Cebolinha e Philippe Coutinho desembarcaram para encorpar um grupo que já tinha Neymar, Gabigol e outros jogadores de peso. Os ‘galácticos’, como passaram a ser chamados, chegaram com a possibilidade de impulsionar a campanha na Sul-Americana, mas a eliminação para o Atlético-MG, nas quartas de final, transferiu toda a utilidade desse elenco para o Brasileiro.
Nem todos estão incorporados. Cebolinha estreou na vitória sobre o Cruzeiro, Arthur já ganhou espaço e foi titular diante do Remo, enquanto Coutinho, sem atuar desde fevereiro, vem passando por um trabalho especial e deve ficar à disposição após a data-Fifa. Cuca já havia resumido o efeito desejado das contratações. “Quanto maior e melhor é o seu elenco, maior a chance de vitórias”, analisou. Os resultados começaram a sustentar o discurso. Após o triunfo por 2 a 1 em Belém, Cuca valorizou o recorte recente. “O que eles estão fazendo é digno de aplausos, mas não vamos criar ilusão de buscar a Libertadores, a gente vai jogar jogo a jogo.”
Missão Libertadores
A tabela, porém, permite que a torcida faça contas. O Santos está em oitavo, com 38 pontos, sete atrás do G5, e ainda tem um jogo atrasado, o clássico com o São Paulo, marcado para o dia 2 de outubro, às 20h (horário de Brasília), no Morumbis. A partir desta temporada, o Brasileiro oferece cinco vagas de origem para a Libertadores: os quatro primeiros vão diretamente à fase de grupos e o quinto disputa a fase preliminar. Campeão e vice da Copa do Brasil ficam com outras duas vagas, uma direta e outra na pré-Libertadores.

Essa configuração ainda pode crescer. Se um brasileiro conquistar a Libertadores e terminar entre os primeiros do Brasileiro, uma nova posição é aberta pela tabela. Sobreposições envolvendo campeão e vice da Copa do Brasil também repassam vagas para a Série A. Dependendo dos campeões continentais e da colocação de Palmeiras e Atlético-MG, ainda vivos nos mata-matas, o desenho pode avançar para G7, G8 e, numa combinação máxima, até G9. Portanto, é aí que o atual oitavo lugar do Santos passa a ter outro significado.
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Cuca, naturalmente, prefere não antecipar o sonho. A data-Fifa oferece 12 dias até o clássico atrasado contra o São Paulo. Será tempo para recuperar desgaste, trabalhar os recém-chegados e preparar um time que, depois de passar boa parte do ano olhando para baixo, encontrou uma razão concreta para mudar de direção.





