O Palmeiras não conquistou o Campeonato Brasileiro na 21ª rodada. Mas saiu dela ocupando um lugar que, em uma competição por pontos corridos, costuma ser quase tão importante quanto a liderança: o de time que pode errar sem perder o controle, enquanto os concorrentes começam a jogar proibidos de tropeçar. A combinação foi perfeita para a equipe de Abel Ferreira. O Palmeiras respondeu à derrota em casa para o Atlético-MG com uma goleada por 4 a 0 sobre o Vitória, no Barradão.

Ao mesmo tempo, Flamengo, Athletico-PR, Fluminense e Bahia deixaram pontos pelo caminho. O resultado é uma tabela que começa a impor não apenas uma distância matemática, mas também uma pressão crescente sobre quem tenta alcançar o primeiro colocado.

Tudo sobre o Palmeiras

Com 47 pontos em 21 partidas, o Palmeiras abriu oito para o Flamengo, que soma 39 pontos e é o único integrante do grupo da frente com um jogo a menos. O Athletico, depois do empate sem gols com o Corinthians na Neo Química Arena, chegou a 37 pontos em 21 jogos. Fluminense e Bahia, que também ficaram no 0 a 0, aparecem com 34 e 32 pontos, respectivamente. A diferença mais importante está justamente aí. O Flamengo ainda pode reduzir a desvantagem caso vença sua partida pendente, contra o Mirassol, sem data confirmada pela CBF.

Palmeiras Ramón Sosa
Ramón Sosa esbanja alegria após marcar em cobrança de falta o quarto gol na goleada sobre o Vitória / Palmeiras

Palmeiras agradece

O Athletico, não. O empate em São Paulo deixou o time paranaense dez pontos atrás do líder, com o mesmo número de compromissos disputados. Já não existe, nesse caso, a possibilidade de olhar para a tabela e descontar mentalmente um jogo a menos. A distância é inteira, concreta e construída dentro do mesmo calendário. Isso não elimina o Athletico da disputa. Restam 17 rodadas, confrontos diretos e um segundo turno que ainda será atravessado pelos mata-matas das outras competições.

Haverá desgaste, lesões, suspensões e semanas em que os principais candidatos precisarão escolher onde concentrar energia. Mas o empate diante do Corinthians mostra como a corrida começa a ficar cruel para os perseguidores: uma noite sem derrota, fora de casa, pode representar dois pontos perdidos quando o líder vence.

O mesmo raciocínio vale para o Flamengo. Os empates consecutivos com São Paulo e Internacional não são resultados desastrosos quando observados isoladamente. Dentro da perseguição ao Palmeiras, porém, assumem outro peso. A partida pendente oferece uma oportunidade, não uma garantia. Mesmo que a equipe carioca a vença, continuará atrás. Além de recuperar o jogo, precisará sustentar uma campanha superior à do líder durante várias rodadas.

Vantagem saborosa

É esse o patrimônio mais valioso que o Palmeiras começa a acumular. Não se trata apenas da chamada “gordura”, expressão que muitas vezes sugere conforto excessivo. A vantagem funciona como instrumento de competição. Permite ao time absorver uma derrota como a sofrida para o Atlético-MG e responder na rodada seguinte sem ver a liderança ameaçada. Também transfere aos adversários a obrigação de vencer partidas que, em outras circunstâncias, poderiam ser tratadas como empates aceitáveis.

Isso não significa que a goleada sobre o Vitória deva servir como prova definitiva de superioridade. A partida no Barradão foi condicionada pelas expulsões de Cacá e Luan Cândido ainda no primeiro tempo, e o placar precisa ser compreendido dentro desse contexto. Houve, além disso, forte contestação dos baianos pela permanência de Maurício em campo antes dos cartões vermelhos.

O favoritismo palmeirense não nasceu naquela noite. Foi construído ao longo de 21 jogos, com 14 vitórias, apenas duas derrotas. São 38 gols marcados e 16 sofridos, saldo positivo de 22 gols. Em resumo, o Palmeiras também é dono do melhor ataque e da defesa menos vazada.

Palmeiras Leozinho e Carillo
Leozinho é perseguido pelo corintiano Carrillo; Furacão se mantém em terceiro lugar, mas se afasta do líder / Athletico-PR

Abel tem um plano

A rodada, portanto, não entregou a taça ao Palmeiras. Entregou algo mais útil neste momento: margem de erro. Abel Ferreira ainda terá de administrar o calendário, manter o elenco competitivo e evitar que a vantagem seja confundida com licença para diminuir o ritmo. Lideranças confortáveis desaparecem rapidamente quando a regularidade é interrompida. Mas a cobrança maior já mudou de lado. Flamengo, Athletico, Fluminense e Bahia não dependem somente de melhorar suas próprias campanhas. Precisam produzir uma sequência forte e, ao mesmo tempo, esperar que o Palmeiras deixe de pontuar no ritmo apresentado até aqui.

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O campeonato continua aberto porque ainda há muito futebol pela frente. A 21ª rodada, contudo, estabeleceu uma nova realidade: o Palmeiras não joga apenas para aumentar sua pontuação. Joga também com a ansiedade dos adversários. E, nos pontos corridos, fazer o concorrente sentir que todo empate é uma derrota costuma ser uma vantagem difícil de medir — e ainda mais difícil de recuperar.

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