MORRISTOWN — Poucos jogadores da seleção brasileira possuem hoje a autoridade de Danilo para analisar o momento da equipe na Copa após o empate contra Marrocos. Aos 34 anos, o lateral do Flamengo se tornou uma das principais lideranças do grupo comandado por Carlo Ancelotti e assumiu nesta quarta-feira um papel que vai além das quatro linhas: o de porta-voz de um elenco que ainda tenta se encontrar na competição.

Tudo sobre a Copa de 2026

Em entrevista coletiva, Danilo admitiu que a atuação diante do Marrocos, na estreia do Mundial, gerou desconforto dentro da concentração. O empate foi recebido como um alerta para uma equipe que chegou aos Estados Unidos cercada por expectativas e que acabou produzindo um futebol muito abaixo do esperado. “A Copa do Mundo nos deu uma nova chance”, resumiu o experiente lateral, que ainda não sabe se vai jogar contra o Haiti. Mas ele deve entrar no lugar de Ibañez.

Danilo admite que o Brasil sentiu o empate com Marrocos e que não tem a maturidade da França / CBF

A frase revela o sentimento interno após uma partida em que o Brasil foi dominado durante boa parte do primeiro tempo e sofreu para controlar as ações do adversário. Segundo Danilo, os jogadores discutiram longamente o desempenho nos dias seguintes ao confronto. “Assustou aquele primeiro tempo do Brasil contra Marrocos. Existia muita expectativa interna em fazer um jogo grande, de domínio, de pressão a todo tempo. Quando acontece o contrário disso, com o adversário tendo várias ocasiões, não é fácil de gerir”, explicou.

O que ele disse?

A avaliação do lateral expõe uma realidade que poucos na seleção brasileira haviam admitido publicamente até agora. O Brasil saiu da estreia com mais dúvidas do que respostas e precisou transformar a frustração em aprendizado. Danilo foi além. Reconheceu que a equipe ainda está distante do nível de maturidade apresentada por algumas das principais candidatas ao título. “Depois do jogo da França, falei a todos que não tínhamos a mesma maturidade deles, assim como também não temos a da Argentina. O que não quer dizer que não podemos chegar longe na Copa.”

A comparação não surgiu por acaso. Enquanto franceses e argentinos demonstraram segurança e controle emocional em suas estreias, a seleção brasileira apresentou oscilações que evidenciaram um processo de construção ainda em andamento sob o comando de Ancelotti.

Carlo Ancelotti tem a chance de mudar o Brasil para a partida contra o Haiti e na sequência da Copa / CBF

Primeiro jogador convocado pelo treinador italiano, Danilo conhece bem o pensamento do técnico e evitou qualquer crítica direta às decisões da comissão técnica. Ainda assim, deixou claro que alguns atletas se beneficiam de definições antecipadas sobre a escalação. Segundo ele, cerca de 80% da equipe titular já está definida, mas algumas posições seguem abertas por questões táticas ou por escolhas específicas do treinador.

80% do time definido

“O que aconteceu no último jogo teve uma importância exagerada. Temos um time 80% definido. Para três ou quatro posições ainda não se sabe. Se o treinador falar que vou jogar hoje, amanhã ou uma hora antes da partida, minha preparação será a mesma. Mas alguns precisam saber antes.”

A declaração oferece uma rara visão dos bastidores da seleção e mostra como a adaptação ao método de Ancelotti ainda está em andamento. Apesar das críticas e da autocrítica, Danilo mantém confiança na capacidade de reação do Brasil. O lateral rejeitou qualquer clima de euforia em torno do próximo compromisso contra o Haiti e afirmou que o foco deve estar menos no placar e mais na identidade de jogo.

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin

Para ele, o desafio da seleção não é construir uma goleada, mas reencontrar a capacidade de controlar partidas, impor seu ritmo e transmitir segurança. A mensagem é clara: o Brasil ainda está longe do ideal, mas a Copa do Mundo oferece pouco tempo para ajustes. E, neste momento, ninguém parece entender melhor essa urgência do que Danilo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui