MORRISTOWN — Poucos jogadores da seleção brasileira possuem hoje a autoridade de Danilo para analisar o momento da equipe na Copa após o empate contra Marrocos. Aos 34 anos, o lateral do Flamengo se tornou uma das principais lideranças do grupo comandado por Carlo Ancelotti e assumiu nesta quarta-feira um papel que vai além das quatro linhas: o de porta-voz de um elenco que ainda tenta se encontrar na competição.
Em entrevista coletiva, Danilo admitiu que a atuação diante do Marrocos, na estreia do Mundial, gerou desconforto dentro da concentração. O empate foi recebido como um alerta para uma equipe que chegou aos Estados Unidos cercada por expectativas e que acabou produzindo um futebol muito abaixo do esperado. “A Copa do Mundo nos deu uma nova chance”, resumiu o experiente lateral, que ainda não sabe se vai jogar contra o Haiti. Mas ele deve entrar no lugar de Ibañez.

A frase revela o sentimento interno após uma partida em que o Brasil foi dominado durante boa parte do primeiro tempo e sofreu para controlar as ações do adversário. Segundo Danilo, os jogadores discutiram longamente o desempenho nos dias seguintes ao confronto. “Assustou aquele primeiro tempo do Brasil contra Marrocos. Existia muita expectativa interna em fazer um jogo grande, de domínio, de pressão a todo tempo. Quando acontece o contrário disso, com o adversário tendo várias ocasiões, não é fácil de gerir”, explicou.
O que ele disse?
A avaliação do lateral expõe uma realidade que poucos na seleção brasileira haviam admitido publicamente até agora. O Brasil saiu da estreia com mais dúvidas do que respostas e precisou transformar a frustração em aprendizado. Danilo foi além. Reconheceu que a equipe ainda está distante do nível de maturidade apresentada por algumas das principais candidatas ao título. “Depois do jogo da França, falei a todos que não tínhamos a mesma maturidade deles, assim como também não temos a da Argentina. O que não quer dizer que não podemos chegar longe na Copa.”
A comparação não surgiu por acaso. Enquanto franceses e argentinos demonstraram segurança e controle emocional em suas estreias, a seleção brasileira apresentou oscilações que evidenciaram um processo de construção ainda em andamento sob o comando de Ancelotti.

Primeiro jogador convocado pelo treinador italiano, Danilo conhece bem o pensamento do técnico e evitou qualquer crítica direta às decisões da comissão técnica. Ainda assim, deixou claro que alguns atletas se beneficiam de definições antecipadas sobre a escalação. Segundo ele, cerca de 80% da equipe titular já está definida, mas algumas posições seguem abertas por questões táticas ou por escolhas específicas do treinador.
80% do time definido
“O que aconteceu no último jogo teve uma importância exagerada. Temos um time 80% definido. Para três ou quatro posições ainda não se sabe. Se o treinador falar que vou jogar hoje, amanhã ou uma hora antes da partida, minha preparação será a mesma. Mas alguns precisam saber antes.”
A declaração oferece uma rara visão dos bastidores da seleção e mostra como a adaptação ao método de Ancelotti ainda está em andamento. Apesar das críticas e da autocrítica, Danilo mantém confiança na capacidade de reação do Brasil. O lateral rejeitou qualquer clima de euforia em torno do próximo compromisso contra o Haiti e afirmou que o foco deve estar menos no placar e mais na identidade de jogo.
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Para ele, o desafio da seleção não é construir uma goleada, mas reencontrar a capacidade de controlar partidas, impor seu ritmo e transmitir segurança. A mensagem é clara: o Brasil ainda está longe do ideal, mas a Copa do Mundo oferece pouco tempo para ajustes. E, neste momento, ninguém parece entender melhor essa urgência do que Danilo.




