A briga entre Palmeiras e Flamengo saiu de vez do campo e entrou no território das notas oficiais, provocações públicas e disputa de bastidores. É o pior caminho para o futebol brasileiro. O resto é discurso e narrativas. Neste domingo, a presidente Leila Pereira reagiu com força à manifestação do clube carioca, que havia acusado o Palmeiras de ser “reiteradamente beneficiado” pela arbitragem nos últimos anos. A dirigente classificou a nota de “ridícula”, falou em “cara de pau” de BAP e viu desespero no rival pela classificação na tabela do Brasileirão — o Palmeiras tem oito pontos a mais do que o Fla.

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A resposta veio antes da partida do Palmeiras contra o Fortaleza, pela Copa do Brasil. Leila não economizou na bronca. Foi um suco puro de Leila. Ela disse não entender por que o Flamengo resolveu se envolver em uma discussão que, segundo ela, dizia respeito ao Palmeiras, ao STJD e à denúncia contra Mauricio por uma cotovelada em Cacá, do Vitória, na última rodada do Brasileirão. “Não entendi muito bem por que o Flamengo se intrometeu nesse assunto. Questionávamos decisões referentes aos nossos jogadores. Não entendi mesmo. Será que a carapuça serviu?”, provocou Leila, em entrevista à TV Palmeiras.

Leila Pereira detona o Flamengo e chama a nota do clube carioca de ‘ridícula’ sobre a arbitragem / Palmeiras

A presidente do clube elevou o tom ao rebater a acusação de que o Palmeiras seria beneficiado pela arbitragem. Para ela, a nota do Flamengo perdeu sentido ao fazer esse tipo de ataque. Ela citou a final da Libertadores de 2025, vencida pelo time carioca por 1 a 0, como exemplo de jogo em que o Palmeiras se sentiu prejudicado. Naquela decisão, os palmeirenses reclamaram muito de uma entrada forte de Pulgar em Fuchs. O Palmeiras pediu cartão vermelho, mas o árbitro Dario Herrera não expulsou o jogador flamenguista. O lance virou símbolo de queixa alviverde contra a arbitragem daquela final.

O que disse Leila

“Cara de pau absurda. Esqueceram o que aconteceu na final da Libertadores. É uma cara de pau dizer que o Palmeiras é beneficiado depois daquela final da Libertadores”, contra-atacou Leila.

O Flamengo havia usado dados estatísticos para sustentar sua crítica, citando que o Palmeiras seria o clube com maior número de decisões alteradas pelo VAR. Leila também respondeu a esse ponto sem rodeios. Para ela, a intervenção do VAR não significa benefício. Significa correção de erro da arbitragem de campo. Em todo lugar do mundo é assim. O Botafogo fez a mesma coisa anos atrás, acusando o Palmeiras. Depois, o então dirigente John Textor voltou atrás, mas foi punido pelo STJD. Hoje ele não está mais no comando do clube do Rio.

Presidente ironiza Flamengo

“Achei muito interessante quando eles (os flamenguistas da gestão do clube) dizem que o Palmeiras é o clube com mais intervenções do VAR. Ainda bem, porque se houve intervenção do VAR é porque houve erro da arbitragem de campo. O VAR veio para corrigir esses erros”, afirmou a presidente do Palmeiras, livre para falar o que pensa na TV do clube. A dirigente ainda ironizou a posição rubro-negra e questionou se o Flamengo gostaria de voltar ao tempo em que a arbitragem não contava com tecnologia. “Eles querem o quê? Que a arbitragem volte sem a tecnologia, como no passado?”

Palmeiras Luiz Eduardo Baptista, o BAP, presidente do Flamengo: clube respondeu ao Palmeiras com uma nota baseada em estatísticas do VAR e acusações indiretas de favorecimento.
Luiz Eduardo Baptista, o BAP, presidente do Flamengo: clube fez uma nota acusando o Palmeiras / Reprodução

A fala mais dura, no entanto, ficou para o fim de suas entrevistas. Leila classificou a nota do Flamengo como “sem pé nem cabeça” e associou a reação do rival a um momento de desespero. “Eu acho que é mais desespero. Eles deveriam cuidar mais do clube deles e esquecer um pouco do Palmeiras.” O Fla está em crise, com resultados ruins e rendimento abaixo do esperado.

Troca de farpas antiga

A troca de farpas mostra o tamanho da rivalidade institucional entre Palmeiras e Flamengo. O que já era grande, aumentou. Os dois clubes disputam títulos, protagonismo no futebol brasileiro e sul-americano, influência e narrativa no futebol nacional. Dentro de campo, o Palmeiras lidera o Brasileirão e vive momento forte no segundo semestre. Fora dele, Leila tenta blindar o elenco e transformar ataques externos em combustível político. Ela segura bem a condição de para-raio.

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O episódio também aumenta a temperatura antes das próximas rodadas do Nacional. Palmeiras e Flamengo brigam no alto da tabela, têm elencos fortes, ambições parecidas e diretorias que não costumam recuar quando se sentem atacadas. A discussão sobre arbitragem, STJD e VAR virou mais um capítulo de uma rivalidade que já deixou de ser apenas esportiva. O Flamengo não vai deixar barato. Deve contra-atacar. Leila sabe disso. Ao chamar a nota do Flamengo de “ridícula”, não respondeu apenas a um comunicado. Mandou um recado público. O Palmeiras não pretende aceitar a pecha de beneficiado, muito menos em silêncio. E, se depender da presidente, qualquer tentativa de colocar o clube nesse lugar será respondida no mesmo tom.

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