A presidente Leila Pereira quer aumentar o seu legado no Palmeiras. Ele colocou na cabeça a ideia de ganhar tudo nesta temporada. O plano é ousado. O time de Abel já faturou o Paulistão, lidera o Brasileirão com oito pontos a mais do que o segundo colocado, o Flamengo, aposta alto na Libertadores e tem neste domingo o primeiro compromisso das oitavas da Copa do Brasil. O Palmeiras nunca ganhou a tríplice coroa e o Paulistão no mesmo ano.

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Mas o clube entrou no segundo semestre com essa ambição. O Estadual é o menor dos quatro torneios, mas já alivia para o técnico Abel Ferreira e para o elenco parte das cobranças, como ocorreu no ano passado. No Brasileirão, o Palmeiras voltou da parada da Copa do Mundo afiado e deixou o Flamengo para trás na corrida pelo protagonismo nacional. Ganhar tudo não é mais um discurso vazio da presidente. É planejamento, elenco e convicção. Leila acredita ser possível. Para isso, ela tenta fazer contas para segurar os seus melhores jogadores nesta janela de transferência. Alguns “cavalos vão passar selados”, mas ela não vai subir neles, como em temporadas passadas.

Agosto Abel Ferreira
No comando de um dos elencos mais valiosos da América do Sul, Abel Ferreira vai exigir muito dos seus atletas / Palmeiras

Abel Ferreira sabe que o calendário brasileiro não permite descanso nem sonhos irreais. Mas ele também acredita. Quem quer ganhar três competições ao mesmo tempo precisa de time, banco, casca grossa e diretoria disposta a bancar o projeto. Leila está. O Palmeiras tem tudo isso. Tem bons jogadores, tem variações, tem jovens valorizados, tem atletas experientes e tem uma comissão técnica acostumada a decidir. E também também a sua torcida, chamada para sonhar junto.

Meta de venda é de R$ 400 milhões

Abel disse que conta com Leila nesse plano. Afirmou que a presidente deve vender jogadores “periféricos”, aqueles que não farão falta na caminhada desde ano. Há um número a ser alcançado de vendas de atletas em 2026. Ele é alto: R$ 400 milhões. O Palmeiras chega fácil em R$ 150 milhões. Depois, terá de refazer contas. Ou vender jogadores e só entregar em janeiro de 2027.

A diferença para outros clubes está justamente nesse planejamento e objetivos claros. Enquanto rivais vivem crises, trocas de treinador, elencos desequilibrados ou pressão interna, o Palmeiras parece saber onde quer chegar. O time pode oscilar, como todos os outros, mas não perde a direção. Abel tem planos para cada competição. E Leila pretende fazer a sua parte fora de campo. Ele deve abrir mão de atletas da base mais cedo do que de costume, podendo perder dinheiro. Mas está pronta para correr o risco.

Leila Pereira, presidente do Palmeiras, vai tentar segurar os jogadores mais cobiçado do time de Abel / Palmeiras

Essa decisão é fundamental. O Palmeiras precisa vender, como qualquer clube brasileiro, mas não quer se desfazer de quem sustenta o time. Leila já deixou claro que não se conquista título desmontando elenco. A dirigente chegou a dizer que o clube “deve ser criativo” para fazer dinheiro e pagar as suas contas. Se for preciso também, ela pode enfiar a mão no bolso. Não vai. Mas pode.

Palmeiras lidera o Brasileirão

Abel pensa igual. O treinador quer opções em todas as posições para atravessar o segundo semestre sem perder força quando a temporada começa a ser decidida. Neste domingo, o primeiro passo vai ser dado: contra o Fortaleza, pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

O Brasileirão é o torneio da regularidade. E o Palmeiras sabe jogar esse campeonato como poucos. O time lidera, tem elenco para rodar peças e uma mentalidade competitiva que costuma fazer a diferença. Vai ser difícil o Flamengo tirar oito pontos de diferença, mesmo com o confronto direto e uma partida a menos. Deixar o Flamengo para trás, em um momento em que o rival se enrola dentro e fora de campo, reforça a sensação de que o caminho está aberto para o time paulista.

Artilheiro do Palmeiras nesta temporada, o atacante Flaco López é um dos diferenciais do time alviverde neste ano / Palmeiras

Na Copa do Brasil, o Palmeiras entra com outra necessidade: ser frio. Mata-mata não perdoa erro bobo, cartão desnecessário, falha de concentração ou escolha equivocada. Abel conhece esse terreno. Gosta dele. Sabe que a Copa do Brasil exige pragmatismo, força mental e elenco inteiro. E quer tudo se resolve em 180 minutos. É torneio para quem sabe sofrer e decidir.

Libertadores puxa a fila

A Libertadores, porém, continua sendo a competição que mais conversa com a alma recente do palmeirense. O clube se acostumou a ser protagonista no continente. A obsessão pela Libertadores nunca saiu do clube nem de Abel e Leila. Ela nunca esteve também no fim da fila. Se ganhar do Fortaleza com margem de gols, Abel terá tempo para poupar jogadores para o duelo com o Cerro. O ponto central é que o Palmeiras não precisa escolher uma competição para abandonar. Ao contrário. O clube se preparou para disputar todas elas. Flaco López e Allan são os jogadores mais assediados no mercado.

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Se Leila segurá-los, o Palmeiras tem boas chances de ganhar tudo, de fato. Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores formam uma rota pesada, quase impossível para a maioria. Mas o Palmeiras olha para as três como possibilidade e não mais como exagero.

Segurar os principais jogadores será tão importante quanto contratar. A janela pode seduzir, principalmente atletas valorizados, mas o clube sabe que algumas vendas podem custar mais caro do que render dinheiro. Título também paga conta. Título valoriza elenco, fortalece projeto e paga boas cotas. A Copa do Brasil, por exemplo, dá ao campeão mais de R$ 100 milhões. Só no jogo da conquista, o vencedor leva R$ 78 milhões. O Palmeiras quer ser campeão de tudo neste ano.

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