A Espanha precisava de uma resposta. Não necessariamente de uma atuação artística nem de uma exibição para entrar em um museu. Precisava vencer, marcar, respirar e lembrar ao mundo — e a si mesma — que segue sendo uma das seleções mais talentosas desta Copa. Em Atlanta, contra a Arábia Saudita, ela ganhou por 4 a 0. E fez com a assinatura de dois personagens centrais: Lamine Yamal, o menino que entrou para a história, e Mikel Oyarzabal.

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O 4 a 0 sobre os sauditas foi, antes de tudo, uma correção de rota. Depois do empate sem gols contra Cabo Verde na primeira rodada, a Espanha carregava uma daquelas pressões típicas de Copa: não era desespero, mas havia incômodo. A bola tinha girado, a posse voltou, mas faltava aquilo que separa controle de domínio real: agressividade no último terço e frieza para transformar superioridade em placar. Contra a Arábia Saudita, esse problema desapareceu cedo, com 24 minutos e um 3 a 0.

Lamine Yamal em dez minutos de sua primeira partida como titular, faz o primeiro gol em Copas
Escalado como titular, Lamine Yamal precisou de apenas dez minutos para anotar o seu primeiro gol em Copa / Fifa

Logo aos 10 minutos, Lamine Yamal encontrou o seu momento. Em sua primeira partida como titular em Copas, o atacante do Barcelona apareceu para completar a jogada construída por Oyarzabal e abriu o caminho da vitória. Foi o primeiro gol dele na história dos Mundiais, marcado aos 18 anos e 343 dias. A marca o colocou entre os dez mais jovens a marcar em Copas, na oitava posição de um ranking que tem Pelé no topo, seguido por nomes como Manuel Rosas, Gavi, Ibrahim Mbaye, Michael Owen, Nicolae Kovács e Dmitri Sychev. De quebra, Yamal ficou à frente de Lionel Messi, que fez o seu primeiro gol em Mundiais aos 18 anos e 357 dias, em 2006.

Lamine Yamal dá boas-vindas

O dado histórico ajuda a dimensionar o tamanho do jogador, mas não explica sozinho a importância do lance. A Espanha precisava que Lamine Yamal fosse mais do que promessa. Precisava que ele fosse presença. E ele foi. Aberto, participativo, chamando a marcação e acelerando o jogo, deu à equipe aquilo que faltou na estreia: desequilíbrio. A bola no pé do jovem espanhol obrigou a defesa saudita a escolher entre fechar o corredor, proteger a área ou subir a linha. Nenhuma das alternativas funcionou por muito tempo.

Garçom e goleador

Se Yamal abriu a porta, Oyarzabal entrou por ela como dono da casa. Depois de dar a assistência para o primeiro gol, o espanhol resolveu transformar o protagonismo em números. Aos 21 minutos, apareceu no lugar certo para ampliar. Três minutos depois, aos 24, marcou de novo, desta vez com assistência de Dani Olmo, e praticamente encerrou a partida antes mesmo de ela completar meia hora.

Foi o tipo de início que muda o humor de uma campanha. A Espanha deixou de correr atrás de respostas e passou a administrar certezas. Com 3 a 0 no placar, a Arábia Saudita ficou diante de uma missão quase impossível: sair para o jogo contra uma equipe que adora encontrar espaços. A seleção saudita, que havia mostrado resistência na estreia, não conseguiu repetir o nível competitivo. Teve dificuldade para reter a bola, sofreu com a pressão espanhola e passou boa parte do primeiro tempo tentando apenas impedir que a diferença ficasse ainda maior.

Lamine Yamal
Melhor em campo, Oyarzabal deu o passe para o gol de Lamine Yamal e depois anotou o segundo e o terceiro da Fúria / Fifa

No intervalo, a comissão técnica espanhola também deu o seu recado. Sem necessidade de forçar, Lamine Yamal e Oyarzabal ficaram no vestiário. Foi uma decisão natural em um jogo já resolvido e também estratégica para uma Copa longa, especialmente no caso de Yamal, tratado como peça preciosa por tudo o que representa tecnicamente e simbolicamente.

Treino de luxo no segundo tempo

Mesmo sem os dois protagonistas do primeiro tempo, a Espanha voltou do intervalo e precisou de apenas quatro minutos para ampliar. Após jogada pela esquerda, a bola desviou em Hassan Al-Tambakti e morreu na rede saudita. O gol contra fechou o 4 a 0 e transformou o restante da partida em exercício de controle. A Espanha tirou velocidade, rodou a bola e evitou desgaste desnecessário.

O placar, porém, não deve ser lido apenas como goleada. Ele funciona como recado. A Espanha segue dependendo de inspiração individual em alguns momentos, mas voltou a mostrar que, quando encontra profundidade e presença na área, seu futebol deixa de ser apenas posse e vira ameaça constante. Lamine Yamal deu o brilho histórico. Oyarzabal entregou a eficiência. O coletivo, enfim, acompanhou. Depois de uma estreia frustrante, a primeira vitória espanhola veio com cara de alívio, afirmação e aviso. A Espanha não precisou de 90 minutos para derrotar a Arábia Saudita. Precisou de 24 para lembrar por que chegou ao Mundial cercada de expectativa.

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