Independentemente do que vier a acontecer com a seleção brasileira, já é possível constatar que a Copa do Mundo de 2026 marca a consolidação de Vinícius Júnior. Nos gramados dos Estados Unidos, o atacante se mostra o jogador que a torcida cobrava havia algum tempo. Com boas jogadas e gols, é um dos protagonistas de um torneio em que as principais estrelas do futebol mundial têm dado o show que delas se espera.
Aos 25 anos — fará 26 em 12 de julho —, Vini Jr. dá sinais de que atingiu a maturidade. Já não se abala tanto com as cobranças, demonstra estar consciente da responsabilidade que tem, e que lhe foi imposta basicamente por causa de seu talento, e dentro de campo se comporta como um líder técnico.

As três boas atuações, os quatro gols, a assistência para Matheus Cunha contra o Haiti são consequência dessa maturidade. Também são reflexo da maneira como Carlo Ancelotti encara e respeita suas características. Com o técnico italiano, Vinícius não é apenas aquele jogador talentoso espremido na faixa esquerda do campo, e com obrigação quase hercúlea de ajudar na marcação do setor quando o time é atacado, como nos tempos de Tite.
O lado esquerdo ainda é sua prioridade, lógico, mas ele ganhou liberdade de movimentação, o que pôde ser visto em vários momentos das três partidas da seleção neste Mundial.
Reconhecimento
A consequência é que vem sendo bastante citado pelos torcedores como alguém fundamental para levar o Brasil às vitórias. A desconfiança e a implicância praticamente se extinguiram. Claro que o humor da torcida se move de acordo com o que acontece em campo e, principalmente, com os resultados. Mas percebe-se que já há maior compreensão sobre o futebol de Vini Jr.
Sim, compreensão. E tolerância. Ele continua sendo aquele atacante que às vezes exagera nos dribles, ou na tentativa deles, e acaba perdendo a bola. A irritação com esses lances malsucedidos, porém, diminuiu. Também está longe de ser um exímio finalizador, o que faz com que perca gols cara a cara com o goleiro. No entanto, foi assim que ele se tornou decisivo no Real Madrid de Ancelotti, com gols em duas finais de Champions League conquistadas pelos espanhóis. É assim que vem sendo decisivo para a seleção também.
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Vini avisou que estava bem preparado fisicamente para disputar a Copa. Tecnicamente, também demonstrava na reta final da temporada europeia que estava pronto para o desafio. Tem confirmado isso. Não é qualquer um que faz gols em três jogos seguidos numa Copa do Mundo. Na seleção brasileira, ele se juntou ao seleto grupo que tem Ronaldo, Rivaldo, Romário e Jairzinho. Incluindo a Copa de 2022, quando foi bastante criticado, o atacante revelado pelo Flamengo teve participação direta com gols (cinco) e assistências (três) em oito dos últimos 15 gols feitos pela seleção. Repito: não é para qualquer um.
Vinícius Júnior desponta no momento em que Neymar, ainda tido como o principal jogador do futebol brasileiro na atualidade, deixa dúvidas sobre sua real condição de ser protagonista. Sorte da seleção. No presente e no futuro, pois em condições normais Vini ainda terá, depois dessa, pelo menos mais duas Copas pela frente.
Melhor em campo
Claro que, com dois gols, um outro anulado graças à intromissão rigorosa do VAR e uma bela atuação, foi justo que Vinícius Júnior tenha sido eleito o melhor do jogo contra a Escócia. Porém, a atuação de Bruno Guimarães foi impecável. Ajudou na marcação e, sobretudo, aproveitou novamente muito bem a liberdade para chegar à frente que o esquema com três jogadores no meio de campo lhe dá. As assistências para o segundo gol de Vini Jr. e para o de Matheus Cunha exemplificam bem isso.
É preciso evoluir
É evidente que a seleção brasileira vem evoluindo a cada jogo na Copa do Mundo. Porém, ainda é pouco. A partir da segunda fase, de mata-mata, mas do que “coração forte”, como receita Carlo Ancelotti, será preciso mais intensidade. A equipe ainda é lenta para os padrões atuais do futebol, e em comparação com o que a maioria das seleções consideradas candidatas ao título está apresentando.





