A chuva tentou atrasar a festa, mas isso se tornou um combustível para a torcida mexicana. O duelo entre México e Equador, pelos 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026, que estava marcado para começar às 22h (horário de Brasília), no Estadio Azteca, na Cidade do México, foi empurrado em uma hora por causa do mau tempo e do risco de raios na região. Enquanto os jogadores esperavam, a arquibancada fervia. A água caía do céu, mas o barulho vinha de baixo. E quando a bola finalmente rolou, o México parecia ter transformado cada minuto de atraso em adrenalina, que empurrou a equipe para a vitória, por 2 a 0, e a classificação para as oitavas de final.

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Foi uma dessas noites em que o estádio deixa de ser cenário e vira personagem. O Azteca não apenas recebeu o jogo. A torcida entrou no clima e foi o 12º jogador. Os jogadores entenderam o recado desde o primeiro lance: não havia espaço para administração, estudo excessivo ou cautela travestida de estratégia. Era mata-mata, era casa cheia, era a chance de romper fantasmas antigos. Então, a seleção de Javier Aguirre fez o que o roteiro pedia: uma operação abafa sem pedir licença.

México Julián Quiñones
Destaque do México, Julián Quiñones faz o seu terceiro gol em quatro jogos e abre o caminho para a vaga / Miseleccionmx

México resolve logo

O Equador mal conseguiu respirar. Com linhas altas, intensidade na segunda bola e uma agressividade que não era desorganização, o México tomou conta do início da partida. A pressão não vinha só dos atacantes. Vinha dos laterais, dos volantes, da arquibancada, da memória recente de um país cansado de parar cedo demais. Aos 22 minutos, Julián Quiñones abriu o placar e incendiou de vez a noite mexicana. O gol confirmou o grande momento do atacante, que chegou ao terceiro em quatro partidas nesta Copa.

O segundo gol foi a síntese do que o México fez de melhor: sufocar, induzir o erro e atacar com fome. Aos 31 minutos, Joel Ordóñez falhou na saída, Raul Jiménez tabelou com Quiñones na entrada da área e bateu forte, de direita, no alto. Um chute de quem sabe exatamente o peso de uma noite grande. O Azteca explodiu porque entendeu, antes mesmo do intervalo, que aquela partida já tinha mudado de natureza. Não era mais só México x Equador. Era o México contra a própria trava histórica. Era o México dizendo que, desta vez, o quinto jogo não seria uma miragem.

Jogo controlado

O Equador tentou reagir, especialmente no segundo tempo. Passou a ter mais bola, empurrou o México para trás em alguns momentos e buscou saídas pelos lados, principalmente com Hincapié aparecendo no campo ofensivo. Mas havia uma diferença enorme entre posse e ameaça. O time de Sebastián Beccacece rodava, cruzava, insistia, mas quase sempre encontrava um muro bem plantado diante do goleiro Raúl Rangel. Quando encontrou algum espaço, faltou acabamento.

Essa talvez seja a notícia mais forte da noite: o México não venceu apenas porque começou em ritmo de avalanche. Venceu também porque soube sobreviver ao momento em que o jogo pediu paciência. A quarta partida sem sofrer gols nesta Copa não é acidente. É construção. É uma seleção que aprendeu a competir sem se desmontar emocionalmente.

México Raul Jiménez explode de alegria ao marcar o seu gol
Xodá da torcida, Raul Jiménez explode de alegria após o seu gol, que define a vitória sobre o Equador / Miseleccionmx

Segurança defensiva

Ainda há um recorde à frente. A melhor sequência de uma seleção sem sofrer gols desde a estreia em uma única Copa pertence à Itália de 1990, que passou cinco jogos iniciais sem ser vazada: Áustria, Estados Unidos, Tchecoslováquia, Uruguai e Irlanda. A série só caiu na semifinal, contra a Argentina, com gol de Claudio Caniggia. Ou seja: com quatro jogos invicto defensivamente, o México está a uma partida de igualar uma das marcas mais emblemáticas da história das Copas.

E isso muda completamente o tamanho do próximo desafio. O México agora espera, nas oitavas de final, o vencedor de Inglaterra x RD do Congo, que jogam nesta quarta-feira, às 13h (horário de Brasília), em Atlanta, nos Estados Unidos. Pode vir uma potência tradicional, pode vir uma seleção africana perigosa e física. Mas, seja quem vier, encontrará um time que ganhou confiança, um estádio que virou combustível e uma defesa que transformou o ‘não sofrer’ em identidade.

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Euforia durou pouco

Para o Equador, sobrou a frustração de uma campanha que parecia capaz de render mais. Depois da vitória contra a Alemanha, a equipe chegou ao mata-mata com a aura de quem poderia endurecer para qualquer um. Mas, no Azteca, pagou caro por um início frouxo, por erros na saída e pela dificuldade de transformar volume em perigo real.

E ainda houve o capítulo final de Piero Hincapié. Já nos acréscimos, o zagueiro se envolveu em uma discussão com Giménez e acabou expulso após cobrir a boca em situação de confronto, lance enquadrado na regra que passou a ser chamada informalmente de ‘Lei Vini Jr.’.

 

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