Nova York — A lesão de Lucas Paquetá abriu uma vaga no time titular do Brasil e entregou a Carlo Ancelotti uma decisão que pode mudar a estrutura da seleção nas oitavas de final e também para o restante da competição caso o time avance na Copa. O treinador tem pelo menos três caminhos para enfrentar a Noruega, domingo, em Nova Jersey: usar Endrick como referência, apostar na velocidade de Martinelli e também no seu poder de recomposição pela esquerda ou reforçar o meio-campo com Danilo Santos.
A escolha não será apenas nominal. Paquetá não fazia uma Copa brilhante, mas tinha função importante no equilíbrio da seleção. Ajudava a proteger o lado esquerdo, dava liberdade a Vini Jr. e fazia a ligação entre meio e ataque. Sem ele, Ancelotti precisa decidir se quer um Brasil mais agressivo, mais físico ou mais controlado. Não seria demais supor que um treinador italiano optasse por uma formação mais forte no meio de campo, não defensiva, mas mais protegida. Nesse caso, a melhor alternativa é Danilo Santos.

Mas a alternativa mais ousada é Endrick. O garoto do Real Madrid de 19 anos ainda é colega de banco de Neymar. Ambos são reservas. Mas essa condição pode mudar. Uma das ideias estudadas é colocá-lo entre os zagueiros noruegueses, como referência de área, quase espelhando o que Haaland representa do outro lado. Seria uma resposta física e direta a um adversário forte no contato. Nesse desenho, Matheus Cunha recuaria alguns metros e passaria a fazer a movimentação entre o meio-campo e o ataque. Não seria novidade. Cunha já cumpriu essa função antes. Ele está pronto para ocupar o espaço deixado por Paquetá contra a Noruega.
Endrick mudaria jeito de o Brasil jogar
A entrada de Endrick mudaria o jeito de o Brasil atacar. Com ele na área, a defesa norueguesa teria uma preocupação fixa. A seleção ganharia força física, presença entre os zagueiros e mais poder para atacar cruzamentos e bolas quebradas. Contra uma equipe como a Noruega, acostumada ao jogo físico, isso pode fazer diferença. O calor também castiga mais os nórdicos do que os brasileiros, mesmo com o jogo no fim da tarde. A semana nos Estados Unidos é a mais quente desde que a Copa começou em 11 de junho.
Martinelli também está no páreo e tem a confiança do treinador. Como Endrick, ele é atacante. Foi muito bem pelo lado esquerdo contra o Japão e marcou o gol da virada. Gol salvador, diga-se. Mas começar uma partida é diferente. Se for titular, suas obrigações serão outras, como voltar para marcar. Terá de recompor mais rapidamente, dar sustentação ao lado de Vini Jr. e ajudar a manter o equilíbrio que Paquetá oferecia. O meia do Flamengo não fazia uma Copa brilhante. Ele sofreu uma lesão na coxa esquerda.

Mas é por Danilo Santos que o torcedor pede. O meia aparece como a opção mais conservadora e direta. Com Danilo, Ancelotti reforçaria o meio-campo, protegeria melhor a defesa e mexeria menos no ataque, mantendo Vini Jr., Matheus Cunha e Rayan. Ele seria o “quarto” homem no esquema 4-2-4 quando o Brasil ataca e voltaria no 4-4-2 sem a bola. Danilo Santos faz isso o tempo todo no Botafogo. Ele está pronto
Neymar corre por fora
Neymar corre por fora e terá de aguardar. Mas não está totalmente descartado. Ancelotti disse que o camisa 10 está bem, mas não parece disposto a escalá-lo desde o início, justamente quando a Noruega estará inteira fisicamente e o calor de Nova Jersey ainda pesará menos. Neymar não é visto como uma opção de intensidade para começar um jogo de mata-mata. Neste momento, parece mais provável como alternativa para a parte final dos jogos. Ele entraria na prorrogação contra o Japão, mas o gol de Martinello impediu o tempo extra.
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No banco, Endrick tem aproveitado a convivência com Neymar. O atacante contou que costuma se sentar ao lado do camisa 10 para absorver a experiência dele e dos jogadores mais velhos do elenco. “Tenho uma relação muito boa com o Ney. A gente pode ficar brincando depois dos treinos e jogando cartas. Numa folga, pude estar com ele. É muito importante conversar com essas pessoas que são os capitães da Seleção. Não só o Ney, mas Marquinhos, Casão, Alisson… Estar com esses jogadores por perto e pegar experiência com eles é uma coisa maravilhosa”, disse Endrick.
Talvez essa a última mudança no time
O garoto espera ser escalado, mas entende a lógica de Ancelotti. O treinador não vai montar o time para agradar este ou aquele jogador. “Ele não fará o melhor para mim ou para o Igor Thiago e Matheus Cunha”, afirmou Endrick. A frase mostra maturidade. Endrick está pronto para ser usado. Sua força física, sua presença de área e sua trajetória recente no Lyon e no Real Madrid são conhecidas. A Noruega sabe que ele não é apenas um menino promissor. É um atacante capaz de incomodar zagueiros, prender marcação e transformar uma bola viva em gol. Contra os “vikings”, esse tipo de força pode ser útil.
Desde o início da Copa, Ancelotti procura a melhor formação para o Brasil. Encontrou um caminho contra a Escócia, com Rayan no lugar de Raphinha, machucado, e Danilo na lateral no lugar de Ibañez. Também abriu mão de um camisa 9 fixo depois de testar Igor Thiago e não gostar da resposta. Agora, com a contusão de Paquetá, ganha nova chance de ajustar a equipe. A ausência de Paquetá é um problema, mas também pode virar oportunidade. Todas as mudanças importantes feitas por Ancelotti melhoraram a seleção.
Brasil pode encarar a Inglaterra
A entrada de Endrick, com Matheus Cunha mais recuado, seria a mexida mais ousada. Martinelli daria velocidade. Danilo Santos ofereceria segurança. A decisão dirá muito sobre o que Ancelotti quer do Brasil contra a Noruega e também para a sequência da Copa se passar.





