Nova Jersey – Demorou pouco mais de uma hora até que o primeiro jogador brasileiro se dispusesse a encarar os microfones e câmeras na zona mista no MetLife. A maioria passou direto. Mais do que a eliminação após a derrota para a seleção da Noruega, outro vexame foi a partida em que o Brasil teve apenas 34% de posse de bola. Ou seja, seus jogadores foram incapazes de ditar o ritmo do jogo. Foi um autêntico banho de bola.
Essa passividade foi determinante para o maior fiasco do Brasil em Copas do Mundo desde a eliminação para a Argentina, de Diego Maradona e Cláudio Caniggia, também na fase das oitavas de final, em 1990, na Copa da Itália. E, claro, os jogadores do Brasil sentiram o golpe e a humilhação nos Estados Unidos.

Neymar, o maior símbolo de toda uma geração brasileira que fracassou em quatro Mundiais, passou longe dos jornalistas. Ele andou por trás dos biombos. Assim, a missão de explicar a eliminação sobrou para o quarteto Bruno Guimarães, Matheus Cunha, Danilo e Marquinhos. Todos estavam tensos e tristes. Alguns deles podem não jogar mais pela seleção.
Encararam os microfones
Protagonista da primeira decepção da partida, o pênalti desperdiçado aos 13 minutos do primeiro tempo, o meia Bruno Guimarães tentou justificar o seu erro. “Antes deste jogo, eu tinha estudado muito o goleiro deles e percebi que ali era o melhor canto para bater. Infelizmente, ele pegou. Agora tenho de pedir desculpas ao torcedor, que sempre acreditou e que nos apoiou até o fim.”
No mesmo tom, o atacante Matheus Cunha definiu a derrota como “o momento mais difícil da sua vida profissional”. “Tivemos as nossas chances e não convertemos, enquanto eles tiveram chances e marcaram seus gols.” Segundo ele, isso fez a diferença. “É difícil tentar entender tudo isso, que, infelizmente, faz parte do futebol.”
Fim de ciclo
Um efeito colateral da vexatória eliminação do Brasil precocemente deve ser o fim do ciclo de uma geração. Além de Neymar, certamente Danilo, Marquinhos, Casemiro e o goleiro Alysson não deverão disputar a próxima Copa do Mundo, em 2030. “É difícil fazer uma avaliação sensata e lúcida, mas agora vou estar sempre na primeira fila como mais um torcedor do Brasil”, disse o lateral-direito Danilo, do Flamengo. “É uma decisão natural pela idade, pela demanda do futebol, já que em breve vou completar 35 anos.”
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O zagueiro Marquinhos foi outro símbolo da equipe, o capitão do time, que também cogitou encerrar sua carreira na seleção brasileira a curto prazo. Ainda na saída do campo, no Estádio MetLife, ele disse para as TVs que “estava passando o bastão” para a próxima geração e também pediu paciência da torcida para os mais jovens. Após mais uma eliminação do Brasil para uma seleção europeia em Copas do Mundo, desde 2006, Ancelotti terá de, literalmente, reinventar a equipe brasileira nos próximos quatro anos.





