Nova Jersey — Neymar se aposentou da seleção no mesmo estádio em que começou a sua história com a camisa do Brasil. O MetLife Stadium, em New Jersey, foi palco da estreia do atacante em 2010, contra os Estados Unidos. Dezesseis anos depois, também foi o lugar da despedida. E de um adeus melancólico. Aos 34 anos, após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final, o camisa 10 chorou, falou como quem fecha um ciclo e indicou que não jogará mais pela seleção. Ele está livre do fardo que sempre carregou, assim como o Brasil dele. “Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui.”
Foi uma despedida triste, curta e trágica, como quase sempre foram os capítulos finais de Neymar em Copas. Sua geração fracassou nos Mundiais. Ele chegou aos EUA machucado, virou opção de banco, passou parte da competição como promessa de solução e terminou como símbolo de uma geração que nunca conseguiu entregar o hexa. Sua minutagem nesta Copa não chegou sequer a meio tempo inteiro. Contra a Noruega, marcou de pênalti nos acréscimos. Mas o gol já não mudava quase nada. Haaland havia feito os dois gols noruegueses. O Brasil estava eliminado. Neymar ainda bateu boca com o goleiro rival e outros jogadores do time europeu.

Mas Neymar foi às lágrimas. Acabava ali o sonho da Copa que nunca veio para ele. A verdade é que a Copa sempre foi ele. E nunca o time ou a alegria do povo brasileiro. Foi consolado pelo filho e pela mulher. A cena fechou uma trajetória de promessas, recordes, lampejos, frustrações e erros. Neymar foi o maior erro desta seleção.
Não se ouve pedidos para ele ficar
Foram quatro Copas e quatro frustrações. Em 2014, Neymar carregou a seleção até a lesão nas costas contra a Colômbia. Não jogou bem, mas estava no auge. O Brasil desabou sem ele no 7 a 1. Em 2018, chegou fisicamente limitado depois de cirurgia e virou personagem de memes. Quatro anos mais tarde, fez um golaço contra a Croácia, mas viu o Brasil cair nos pênaltis. Em 2026, voltou para tentar o último ato e saiu antes das quartas de final quase sem jogar.
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Ele encerrou a sua história com 80 gols e 58 assistências em 130 jogos. A maior parte dos gols foi em amistosos. Mas faltou a taça. Seu único título pela equipe principal foi a Copa das Confederações de 2013. Pouco. Também ganhou o ouro olímpico em 2016, no Maracanã, em uma conquista histórica, mas pela seleção sub-23. A eliminação para a Noruega também deixa uma marca incômoda. Neymar se torna o segundo jogador brasileiro a disputar quatro Copas do Mundo sem vencer nenhuma. Thiago Silva havia sido o primeiro. É um dado duro para quem, desde muito jovem, foi tratado como herdeiro natural dos grandes camisas 10 do Brasil.

O problema é que Neymar nunca teve uma relação simples com a Copa. Sempre chegou como esperança, mas quase nunca chegou inteiro. Quando esteve melhor, em 2014, foi tirado do torneio por uma joelhada nas costas. Quando parecia pronto para decidir, em 2022, o Brasil não soube segurar o resultado. Mas quando voltou para uma última tentativa, em 2026, já não era mais o centro absoluto do time. Ele passou a temporada treinando no Santos para jogar a Copa, mas quando chegou na Copa, passou 40 dias treinando para atuar pelo Santos.
Era Neymar é pior do que a era Dunga
A seleção também deixa os Estados Unidos com a sua pior campanha desde 1990. O Brasil completará em 2030 um jejum de 28 anos sem Copas, o maior período desde o primeiro título, em 1958. É uma fila grande demais para um país que se acostumou a medir sua grandeza pelo futebol. Os jogadores da seleção passaram a normalizar as derrotas e os fracassos em Mundiais. A era Neymar é pior do que a era Dunga.
Os números de Neymar na seleção são bons. Mas sua era é caracterizada por fracassos nos Mundiais. Fez gols, deu assistências, encantou, irritou, dividiu opiniões e carregou um peso que poucos suportariam. Só não ganhou a Copa. No fim, sua frase explicou tudo. “Comecei aqui, fechei aqui.” Neymar fechou sua história pela seleção no mesmo lugar em que abriu. Mas fechou sem a taça. Fechou de mãos abanando na história das Copas.





