Que Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, é um sujeito ousado, todo mundo sabe. Mas, desta vez, ele se superou. Durante uma entrevista coletiva realizada na Casa Branca, na manhã desta segunda-feira, 6 junho, Trump confirmou que pediu a advogados que buscassem medidas para anular a decisão do árbitro brasileiro Raphael Claus, que expulsou o atacante Folarin Balogun. O jogador levou um cartão vermelho após uma falta em Tarik Muharemovic, da Bósnia e Herzegovina, na vitória por 2 a 0 da seleção norte-americana na partida dos mata-matas, em Los Angeles. E deveria cumprir um jogo de suspensão automática, contra a Bélgica, nas quartas de final.

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No entanto, como em um passe de mágica, horas mais tarde, o suíço Gianni Infantino anunciou que, sim, a Fifa tinha decidido conceder um efeito suspensivo a Balogun. Desta forma, ele estaria apto para entrar em campo pelos Estados Unidos em Seattle.

EUA de Donald Trump solicitou à Fifa, presidida por Infantino, efeito suspensivo de jogador / Reprodução

Com esta decisão esdrúxula, simplesmente foi rasgado o artigo 10.5 do regulamento da competição. De acordo com a regra, “se um jogador ou membro da comissão técnica for expulso em decorrência de um cartão vermelho direto ou por um segundo cartão amarelo, ele estará automaticamente suspenso da partida seguinte de sua equipe”.

Burlando a regra

Para reverter a decisão, que considerou injusta, Trump agiu em várias frentes. Teve um telefonema para Gianni Infantino, todo mundo sabe. Mas, ele fez mais. Solicitou que especialistas em leis analisassem alternativas para o caso.

Foi assim que, com a ajuda de Howard Lutnick, secretário de comércio, e Scott Goodwin, doador da Federação de Futebol dos EUA e gestor de fundos de investimento, conseguiu que advogados de primeira traçassem uma estratégia. Segundo o jornalista Clay Travis, no canal X, esses documentos foram enviados à Federação de Futebol dos Estados Unidos.

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Como era de esperar, tão logo souberam da canetada esquisita de Infantino, concedendo a anistia fora de protocolo a Balogun, os belgas chiaram. Primeiro, divulgaram um comunicado no qual se disseram “estarrecidos”.

Depois, ingressaram com um recurso de apelação. Em uma petição endereçada à Fifa, eles requisitaram uma cópia da decisão, uma explicação do processo adotado e expuseram seu ponto de vista, pedindo que os regulamentos aplicáveis a casos similares ao do atacante norte-americano fossem aplicados. Na mesma direção, a Uefa, entidade que rege o futebol europeu, descreveu a decisão como “incompreensível” e que este caso “cruzou uma linha vermelha”. Pelo jeito toda essa polêmica ainda vai longe.

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