A Suíça precisou esperar 72 anos, seis participações consecutivas em Copas do Mundo e uma disputa de pênaltis carregada de nervos para voltar a enxergar o torneio a partir das quartas de final. Não foi bonito. Não foi brilhante. Não foi uma dessas apresentações feitas para entrar na memória pelos gols, pelos dribles ou pela abundância ofensiva. Mas foi uma noite histórica, daquelas em que o relógio parece andar mais devagar justamente porque carrega décadas nas costas. No BC Place, em Vancouver, no Canadá, a última partida das oitavas de final terminou sem gols depois de 120 minutos. Nos pênaltis, a eficiência dos europeus sacramentou o triunfo, por 4 a 3.

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Em uma partida sem brilhos das duas seleções, deixou a desejar neste mata-mata. Entretanto, um placar seco, duro, quase suíço em sua frieza. Só que o futebol, quando não encontra respostas na bola rolando, costuma empurrar tudo para o território mais cruel do jogo. Nos pênaltis, a seleção europeia foi mais precisa e atravessou uma fronteira que parecia fechada desde a Copa de 1954. A última vez que os suíços haviam chegado às quartas foi justamente em casa, no Mundial lembrado pela ‘Batalha de Lausanne’. Naquele dia, a Suíça fez parte de um dos jogos mais insanos da história das Copas, a derrota por 7 a 5 para a Áustria, até hoje o duelo com mais gols do torneio masculino. Desde então, o país acostumou-se a competir, incomodar, endurecer partidas, avançar de fase, mas quase sempre parar quando a Copa começava a afunilar de verdade.

Suíça Após pênalti certeiro, Vargas espera os companheiros
Autor do gol da classificação para as quartas, Vargas espera os companheiros para a comemoração da vitória / Reprodução

Por isso, o 0 a 0 contra a Colômbia não pode ser lido apenas como um jogo amarrado. Foi também um exercício de resistência histórica. A Suíça jogou contra os colombianos, contra a ansiedade e contra a sensação de que, em Mundial, havia sempre um teto invisível sobre sua cabeça. Desta vez, não havia. Ou, se havia, ele foi quebrado na marca da penalidade.

Colômbia com gosto amargo

A Colômbia sai da Copa com a dor peculiar de quem não perdeu um jogo dentro de campo. Depois de ficar fora do Mundial de 2022, reconstruiu sua imagem com uma campanha sólida, madura e competitiva. Liderou seu grupo, passou por Gana no primeiro mata-mata e chegou ao duelo contra a Suíça invicta, com apenas um gol sofrido em toda a competição. Sai do torneio ainda invicta no tempo normal e na prorrogação, vazada uma única vez em cinco partidas. É um consolo pequeno, mas diz muito sobre a qualidade do trabalho.

Foi justamente essa força defensiva colombiana que deu o tom da partida. A equipe sul-americana não se desorganizou, não se expôs de maneira irresponsável e manteve o jogo vivo até o fim. Também teve seus momentos de ameaça, especialmente quando encontrou espaço nas costas da defesa suíça e quando levou perigo nas bolas paradas. Mas faltou transformar boa presença em golpe definitivo. A Colômbia teve volume emocional, teve torcida, teve personalidade. Só não teve o detalhe que separa as equipes que sobrevivem das que ficam pelo caminho.

Suíça suíços comemoram a classificação
Mais precisos nas cobranças de penalidades, suíços conseguem a classificação e festejam passagem às quartas / Fifa

Suíça paciente

A Suíça, por sua vez, entendeu cedo que a partida exigiria paciência. Não havia espaço para desespero, muito menos para ingenuidade. O time de Murat Yakin não teve uma atuação exuberante, mas mostrou uma virtude muitas vezes subestimada em Copas: soube permanecer inteiro. Em jogos assim, sobreviver já é uma forma de atacar o destino.

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O próximo desafio aumenta brutalmente o tamanho da história. No sábado, 11 de julho, a Suíça enfrentará a Argentina de Lionel Messi no Kansas City Stadium, pelas quartas de final. Depois de quebrar um jejum de mais de sete décadas, encontrará o campeão do mundo e o maior personagem desta Copa. É o tipo de confronto que muda completamente a régua.

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