Nova York – Com 28 anos, o atacante Lautaro Martínez, mais uma vez, foi decisivo para a seleção da Argentina sair de uma situação incômoda. Quando a dramática partida contra o Egito parecia a caminho da prorrogação, empatada que estava em 2 a 2, Martínez salvou o dia. Foi dele a assistência perfeita para a cabeçada de Enzo Fernández, em velocidade, consumar uma improvável virada no placar. Não é exagero chamar esta surpreendente virada de “O Milagre de Atlanta”.

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Até os 36 minutos do segundo tempo, no imponente Estádio Mercedes-Benz, a Argentina parecia à beira de levar um inesperado nocaute na Copa do Mundo de 2026. Naquela altura do jogo, os atuais campeões mundiais estavam tomando um baile. Eles precisavam descontar dois gols para tentar arrastar a partida contra o Egito, pelas oitavas de final, para a prorrogação. E as perspectivas não eram encorajadoras para os argentinos. Além de Mohamed Salah e seus companheiros estarem jogando muito, os sul-americanos estavam enfrentando uma jornada ruim, desperdiçando as raras oportunidades que surgiam, como ocorreu aos 21 minutos do primeiro tempo, quando Messi cobrou mal um pênalti — e o goleiro Shobeir defendeu.

Lautaro Martínez e Messi
Lautaro Martínez e Lionel Messi dividem os holofotes como decisivos para a classificação da Argentina / Afaseleccion

Lautaro Martínez decisivo

Mas, quando poucas pessoas imaginavam, a casa egípcia caiu. Em apenas quatro minutos e 18 segundos, saíram dos pés do camisa 10 da Argentina uma assistência e o gol que recolocaram os campeões mundiais de volta ao jogo. Então, já nos acréscimos, foi a vez de Lautaro Martínez brilhar. Fazendo jus ao seu apelido ‘Touro’, após recuperar a posse de bola no campo de ataque, Martínez disparou em velocidade pelo lado direito do ataque e fez um cruzamento na medida para Enzo Fernández cabecear para o fundo das redes, sem chances para o goleiro Mostafa Shobeir.

“É uma sensação incrível: nossa equipe demonstrou muita coragem para vencer”, disse Martínez, após a partida. “Superamos muitas adversidades e demos a volta em uma situação muito complicada.”

Principal atacante da Internazionale de Milão no Mundial do Catar, em 2022, Lautaro foi campeão após começar a final no banco, entrar na prorrogação e ver a Argentina conquistar o título nos pênaltis. Azarado, ele chegou a estufar a rede por duas vezes na estreia da Argentina no Mundial, contra a Arábia Saudita. Mas, por conta de irregularidades nos lances, esses gols foram todos anulados. Dias depois da estreia, uma contusão no tornozelo direito acabou fazendo com que perdesse, de uma vez por todas, a posição no ataque para Julián Álvarez, que na época atuava pelo Manchester City e hoje no Atlético de Madri.

“Para conseguir jogar no Mundial do Catar, Lautaro teve que tomar infiltrações para aliviar as dores”, disse à La Red, emissora de rádio argentina, o empresário de Lautaro Martínez, o argentino Alejandro Camacho.

Faro de goleador

Menos badalado entre os atacantes que Scaloni tem à sua disposição, Martínez é um dos oito maiores goleadores da história de sua seleção, com 38 gols em 82 partidas. Ídolo e titular absoluto na Internazionale de Milão, onde joga desde 2018, Lautaro quase trocou o futebol pelo basquete. Ele nasceu e cresceu na friorenta Bahía Blanca, na Patagônia, um celeiro de craques da forte seleção argentina. Manu Ginóbili, o destaque da conquista da medalha de ouro argentina nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, nasceu na mesma cidade que ele, assim como Pepe Sánchez e Alejandro Montecchia, que fizeram parte da equipe campeã.

Segundo o irmão Jano Martínez, jogador profissional de basquete, Lautaro chegou a praticar o esporte nas quadras de sua cidade. “Acabou decidindo pelo futebol quando nosso pai o questionou e pediu para que escolhesse uma das duas modalidades”, disse.

Lautaro Martínez
Lautaro Martínez arma o contragolpe na jogada que termina em assistência para o gol de Enzo Fernández / Afaseleccion

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Provavelmente, graças à sua estatura — apenas 1,75 m de altura, cinco centímetros a menos do que Jano — e ao físico mais atarracado. O fato é que, desde seus tempos de garoto, ele soube tirar proveito da força e da velocidade para levar a melhor nos duelos contra os zagueiros. Foi com essas qualidades que ele acaba de escrever seu nome na história da Argentina, com seus gols e assistências. “Continuarei trabalhando para demonstrar ao nosso treinador que estou pronto para ajudar sempre que precisar”, disse ele. Quem disse que os coadjuvantes não ajudam a ganhar jogos em Mundiais?

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