De nada adianta favoritismo que não é confirmado em campo. A Espanha mostrou isso à França e está com justiça na final da Copa do Mundo. Os franceses foram os que mais encantaram durante o torneio. Têm, de fato, a melhor seleção do momento ao se considerar a quantidade de craques que conseguiu reunir. Também têm uma equipe bem montada, entrosada, com sistema e opções de jogo definidos. Porém, nada disso foi suficiente contra um adversário igualmente entrosado, com um jogo coletivo de alto nível.

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Ao longo da Copa, a Espanha pode não ter empolgado. Teve, no entanto, um desempenho eficiente a partir do segundo jogo (a estreia foi aquele 0 a 0 com Cabo Verde) e jamais correu risco. Nem na partida contra Portugal, que venceu praticamente no último lance. Nem contra a Bélgica, quando tomou seu único gol até aqui na competição e igualmente só definiu nos minutos finais.

Atuando de maneira pragmática, a Espanha chegou na final da Copa atuando com um jogo coletivo e organizado / Fifa

Enquanto isso a França flanava, desfilava, encantava toda vez que entrava em campo. Mesmo contra o Paraguai, que confundiu raça com antijogo no encontro entre ambos nas oitavas de final, os franceses deram demonstração de força e competência.

Então, nada mais natural que fossem considerados favoritos contra a Espanha, apesar de a Fúria ter levado a melhor nos duelos recentes na Eurocopa e na Liga das Nações e de seus jogadores principais, como Lamine Yamal, terem avisado: se havia uma seleção capaz de bater os Bleus, esta era a Espanha.

Final surpreendente

Aí a bola rolou em Dallas… E o que se viu foi um domínio absoluto da seleção espanhola. Com uma defesa sólida, que encaixotou Mbappé, Dembélé, Olise e cia., marcação eficiente em todos os setores, mesclando o início do combate próximo área adversária ou um pouco mais na região do meio de campo conforme a situação do jogo e o toque de bola envolvente que é sua característica (não é mais o tiki taka, mas a semente germinou), não deu chance à França.

Domínio

Desde os primeiros minutos os espanhóis se mostravam mais à vontade em campo. Não se pode dizer que os franceses foram surpreendidos. Mas estavam irritados com a falta de espaço, por não encontrarem alternativas. E sentiram o baque do pênalti de pelada cometido por Digne – que, aliás, tomou de Yamal um baile que não esquecerá tão cedo.

A tônica da semifinal, a rigor, não mudou em nenhum momento. A Espanha impôs o jogo que lhe interessava e neutralizou as principais peças da França, que não conseguia sucesso em nada que tentava. A Fúria foi impecável. Para isso contribuíram as exuberantes atuações de Cucurella (a meu ver o melhor em campo), Cubarsi, Dani Olmo e Fábian Ruiz – Yamal, apesar de ter feito gato e sapato de Digne esteve abaixo desses seus companheiros.

Porém, o maior mérito do time de Luis de La Fuente é o jogo coletivo. O que, além de eliminar da briga pela taça a melhor seleção da atualidade, habilita fortemente a Espanha a conquistar o seu segundo título mundial na decisão de domingo.

Jogo de arrepiar em Atlanta

Inglaterra e Argentina deverão fazer uma semifinal memorável em Atlanta. A qualidade das duas seleções, a rivalidade criada dentro de campo em Copas anteriores e fora dele com a Guerra das Malvinas certamente serão levadas ao gramado – e às arquibancadas. Pelo desempenho até aqui no Mundial, os ingleses estão ligeiramente superiores aos argentinos, que passaram sufoco nas últimas partidas e seguiram em frente com muita resiliência, garra e também alguma ajudinha da arbitragem. Ambas as seleções, porém, demonstram bastante cansaço. É bem possível que o vencedor do duelo seja a equipe que 
tiver mais coração.

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A Fifa realmente está se superando nessa Copa do Mundo. A última besteira foi colocar um salvadorenho e um norte-americano para apitarem as semifinais. São árbitros sem experiência, que não estão acostumados a grandes jogos e, por isso, ficam mais suscetíveis a equívocos. No fim, são eles os criticados, quando a grande responsável por atuações confusas é a própria Fifa.

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