Quando Argentina e Espanha começarem a decisão da Copa do Mundo, neste domingo, às 16h (horário de Brasília), o placar estará zerado, mas haverá um vencedor antecipado no duelo comercial que corre paralelamente ao futebol. Independentemente de Lionel Messi ou Lamine Yamal levantar a taça, o uniforme da seleção campeã carregará as três listras da Adidas. Em uma competição cercada por cifras milionárias e por uma disputa agressiva por espaço publicitário, a empresa alemã conseguiu ocupar os dois lados do palco mais valioso do futebol. As finalistas são patrocinadas pela marca, que vestiu 14 das 48 seleções participantes — duas a mais do que a Nike — e garantiu uma exposição que nenhuma campanha de marketing poderia assegurar sozinha.
A Adidas investiu para aumentar suas probabilidades, mas também contou com aquilo que nenhuma companhia consegue controlar: o resultado dentro de campo. Das 14 equipes patrocinadas, justamente duas sobreviveram até a decisão. Curiosamente, a Nike, por sua vez, colocou Inglaterra e França nas semifinais, que jogam neste sábado, às 18h (horário de Brasília), mas viu suas principais representantes serem empurradas para o encontro pelo terceiro lugar, que fica muito distante da atenção dos torcedores.

Adidas vai além das seleções
É uma inversão comercial carregada de ironia. O jogo que ninguém gostaria de disputar será inteiramente dominado pelo símbolo da Nike. A partida que todos desejavam alcançar terá apenas camisas da concorrente. A presença da Adidas, porém, não se limita aos uniformes das finalistas. A empresa é parceira oficial da Fifa e produz a bola utilizada no torneio. Para os quatro últimos jogos, lançou a Trionda Final, versão dourada, preta e branca criada especialmente para as semifinais, a disputa pelo bronze e a decisão. Assim, cada passe, chute, defesa e gol também carregará a identidade da companhia.
A marca ainda aparece em outras partes da engrenagem visual da competição. A Fifa identificou como Adidas a camisa especial usada pelo árbitro da final, o romeno István Kovács, e por seus assistentes no milésimo jogo da história das Copas. Os uniformes dos quase 50 mil voluntários também foram desenvolvidos pela empresa. No caso específico dos gandulas, embora existam publicações especializadas que atribuam o fornecimento à marca, não foi localizada uma confirmação oficial semelhante nos documentos consultados sobre a edição de 2026.
Messi e Yamal estrelas da marca
Dentro do campo, a construção publicitária ganha dois protagonistas perfeitos. Messi e Lamine Yamal não são apenas os principais personagens esportivos da decisão. Ambos também possuem contratos com a Adidas e já apareceram juntos em campanhas da companhia. Messi é há anos um dos maiores símbolos globais da marca, com produtos e chuteiras que levam seu nome. Lamine assinou um acordo de longo prazo em fevereiro de 2024 e foi apresentado justamente como o primeiro jogador a promover uma linha exclusiva criada para o argentino. O duelo de gerações que movimenta a decisão — o veterano de 39 anos diante do jovem de 19 — também serve como uma passagem simbólica de bastão dentro do próprio portfólio publicitário da empresa.
A última vez em que a Adidas vestiu as duas seleções finalistas havia sido em 2014, no Brasil. Naquela ocasião, a Alemanha derrotou a Argentina por 1 a 0, na prorrogação, no Maracanã. Além das camisas, a empresa forneceu a Brazuca Final Rio, os uniformes da arbitragem e os equipamentos dos gandulas. Ao final do torneio, celebrou publicamente uma espécie de varredura comercial dentro e fora de campo.

Retorno valioso
Doze anos depois, a combinação se repete. Desta vez, porém, a exposição acontece em uma Copa ampliada, disputada em três países e inserida no maior mercado esportivo do planeta. A Adidas informou ter recebido cerca de 250 milhões de euros (R$ 1,46 bilhão na cotação desta sexta-feira) em encomendas de produtos relacionados ao Mundial apenas no primeiro trimestre de 2026, com expectativa de alcançar número semelhante nos três meses seguintes.
Isso não significa que uma final possa resolver sozinha a disputa global com a Nike. A concorrente americana continua poderosa, investiu em grandes campanhas e afirma ter vendido duas vezes e meia mais uniformes de seleções do que no mesmo período da Copa do Catar. Uma decisão sem o seu símbolo, contudo, representa a perda de uma vitrine difícil de substituir.
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A Adidas comprou mais bilhetes para a loteria ao patrocinar mais equipes, ocupar espaços institucionais da competição e contratar algumas das maiores estrelas do futebol. O campo fez o restante do trabalho. Argentina e Espanha ainda precisam definir quem será campeã. Na guerra das marcas, porém, a imagem mais valiosa da Copa já está garantida: quando a taça for levantada, haverá três listras diante das câmeras do mundo inteiro.





