Nova York — O sábado amanheceu com chuva em Nova York e com uma previsão nada boa para a final da Copa do Mundo neste domingo, entre Espanha e Argentina, no jogo 104 da competição. A decisão ganhou uma ameaça fora do campo, longe de Messi, Lamine Yamal, Rodri e do troféu. A fumaça dos incêndios florestais no Canadá chegou a New Jersey, piorou a qualidade do ar na região do MetLife Stadium e colocou a Fifa em estado de atenção antes da decisão de domingo.
O jogo está marcado para as 16h de Brasília, 15h no horário local, em East Rutherford. Mas o embaixador dos Estados Unidos no Canadá, Pete Hoekstra, afirmou que Donald Trump não hesitará em pedir o adiamento da partida se a poluição representar risco para jogadores ou torcedores. “Se a poluição estiver tão intensa a ponto de representar perigo para os jogadores ou para os torcedores, a primeira pessoa a dizer para não realizar o jogo será o presidente dos Estados Unidos”, disse Hoekstra à Global News.

A fala coloca Trump mais uma vez no centro da Copa do Mundo. O presidente dos Estados Unidos é esperado na final e deve entregar o troféu ao campeão ao lado de Gianni Infantino, da Fifa, que vai acatar qualquer decisão do país anfitrião. Trump aparece agora como possível voz política em caso de risco ambiental no maior jogo do futebol do planeta. O atraso pode ser horas ou de dia, o que mexeria com toda a logística da disputa e das pessoas envolvidas.
Decisão não será da Fifa desta vez
Hoekstra revelou que conversas com a Fifa estão em andamento sobre a qualidade do ar antes de Argentina x Espanha. O MetLife Stadium é aberto, o que torna o problema mais sensível. Não há teto, não há proteção contra fumaça e não há como esconder o impacto visual e respiratório de uma atmosfera carregada. Os Estados Unidos levam isso muito à sério. Dois dias atrás, o céu de Nova York ficou amarelado e escuro por causa da névoa vinda das queimadas canadenses. Parecia outra cidade. As pessoas foram orientadas a não correr em parques, permanecer em ambientes fechados e beber muita água.
Na sexta-feira, a qualidade do ar em partes de New Jersey chegou a níveis considerados insalubres pelas marcações americanas. A fumaça dos incêndios canadenses encobriu áreas dos Estados Unidos e afetou milhões de pessoas, de acordo com o noticiário local. Em Nova York e nos arredores do estádio, o céu ficou turvo, o sol perdeu força e a sensação de ar pesado chamou atenção de torcedores, jornalistas e das delegações esportivas. A chuva pode ajudar a melhorar essa condição.

O esporte americano já sentiu o problema. A MLS adiou o jogo entre Chicago Fire e Vancouver Whitecaps por causa da qualidade do ar. A MLB também teve partidas de beisebol afetadas. Ou seja: não se trata apenas de desconforto. Quando o ar fica perigoso, o calendário esportivo muda nos Estados Unidos. A Espanha treinou ao ar livre em New Jersey mesmo com a presença de fumaça. Mikel Merino admitiu que era possível sentir e ver o problema no ambiente, mas tentou minimizar o impacto para a final da Copa. Segundo ele, em um jogo tão grande quanto uma decisão de Mundial, é preciso ignorar ao máximo os fatores externos.
Trump tomará a decisão
O problema é que a fumaça não é um fator externo comum. Não é um gramado ruim, trânsito, calor ou barulho de torcida. É saúde. Jogadores correm em alta intensidade durante 90 minutos, talvez 120, em uma partida que pode ter prorrogação e pênaltis. Torcedores ficarão horas do lado de fora, em arquibancadas abertas, muitos deles idosos, crianças ou pessoas com problemas respiratórios.
A Fifa ainda não indicou plano de adiamento. A tendência, segundo previsões meteorológicas citadas por agências internacionais, é de melhora até domingo, embora a situação continue sendo monitorada. O alerta existe porque a fumaça de incêndios florestais pode mudar rapidamente de direção e de intensidade. A final já seria a mais americana da história das Copas. Terá show musical, ingressos caríssimos, presença de Trump, cerimônia ampliada, anel de campeão inspirado em NBA e NFL e um estádio transformado em palco global de entretenimento. Agora, ganhou também uma camada inesperada: a discussão sobre o ar respirável.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Para a Fifa, seria o pior cenário possível. Depois de uma Copa marcada por críticas à logística, calor extremo, viagens longas e decisões políticas, ver a final ameaçada pela fumaça de incêndios canadenses seria mais um problema em uma edição que prometeu ser a maior da história. Argentina e Espanha querem jogar. Messi se prepara para sua última partida em Copas. A Espanha tenta confirmar a geração de Lamine Yamal. O mundo quer ver futebol e conhecer um campeão. Mas, antes de a bola rolar, a pergunta passou a ser outra: haverá ar seguro para jogar?
Se a fumaça baixar, a final seguirá como planejado. Se piorar, a Fifa terá de decidir entre o espetáculo e a saúde. E talvez nem seja a Fifa a tomar essa decisão. Pelo aviso de Hoekstra, Donald Trump não pretende ficar calado se entender que o MetLife virou um risco para jogadores e torcedores.





