O Corinthians precisou de apenas um tempo para transformar o retorno do Campeonato Brasileiro em uma noite de tranquilidade. Com dois gols de Yuri Alberto e outro de Kaio César antes do intervalo, o time de Fernando Diniz venceu o Remo por 3 a 0, nesta quinta-feira, na Neo Química Arena, e começou a construir uma perspectiva bem diferente para a segunda metade da competição. Mais do que os três pontos, a vitória deixou uma sensação que se tornou rara em algumas fases recentes da história corintiana: a de que o time pode atravessar o campeonato sem passar os últimos meses fazendo contas contra o rebaixamento.
O principal responsável por essa paz momentânea foi Yuri Alberto. Aos 26 minutos, André encontrou o centroavante atacando o espaço entre os defensores. O camisa 9 invadiu a área e bateu rasteiro para abrir o placar. Um gol típico de quem conhece o caminho: movimentação rápida, aceleração no instante certo e conclusão sem enfeite. Aos 39, o Corinthians mostrou que também começa a encontrar novas possibilidades ofensivas. Kaio César iniciou a jogada, Yuri Alberto inverteu o lado do ataque, Labyad lançou Breno Bidon e o volante cruzou para o próprio Kaio César completar de cabeça, em mergulho. Uma construção coletiva, com circulação de um lado ao outro, que levou para o jogo parte dos conceitos trabalhados por Diniz durante a pausa.

Corinthians ligado
Ainda havia tempo para Yuri Alberto aparecer novamente. Aos 46 minutos, Matheuzinho cruzou, Matheus Bidu desviou pelo alto e, depois da tentativa de domínio de Labyad, o centroavante bateu de primeira para fazer o terceiro. Em menos de 20 minutos, o Corinthians desmontou um adversário que até conseguia ocupar o campo ofensivo, mas não encontrava força para ameaçar Hugo Souza. Os números ajudam a explicar a diferença. O Corinthians terminou com dez finalizações, sete delas na direção do gol. O Remo chutou apenas três vezes e não acertou a meta. Os donos da casa ainda tiveram 55% de posse e 90% de precisão nos passes, indicadores de um controle que foi muito mais evidente antes do intervalo.
Com a partida praticamente decidida, a intensidade caiu na segunda etapa. Fernando Diniz não tratou a vantagem como autorização para relaxar. Gesticulou, cobrou movimentação, pediu pressão e demonstrou incômodo quando a equipe passou a administrar o placar em vez de procurar o quarto gol. A exigência tem uma explicação. O treinador sabe que vencer o Remo em casa era uma obrigação para quem deseja abandonar a parte incômoda da classificação. O desafio real será reproduzir essa organização contra adversários capazes de pressionar mais, defender melhor e aproveitar os espaços concedidos.
Ainda assim, a atuação indicou que o período de 54 dias sem partidas oficiais não foi desperdiçado. Durante a intertemporada, a comissão técnica priorizou treinamentos intensos, pressão sobre a saída adversária, compactação defensiva e maior controle ofensivo pela posse. Kaio César foi apontado internamente como um dos jogadores que mais evoluíram na assimilação dessas ideias. O gol foi a tradução prática desse crescimento.
Briga no topo da tabela
A vitória também muda o endereço do Corinthians na tabela. O time fechou o primeiro turno na sétima posição, com 27 pontos, sete vitórias, seis empates e seis derrotas. Está longe dos líderes Palmeiras e Flamengo, mas entrou no bloco que disputa vagas nas competições continentais e abriu uma distância mais confortável em relação à zona de rebaixamento. Para a Fiel, que tantas vezes precisou trocar ambição por calculadora, a possibilidade de acompanhar um segundo turno olhando para cima já representa alívio. Com Yuri Alberto novamente decisivo, Kaio César crescendo e Diniz conseguindo oferecer uma identidade mais clara, o Corinthians começa a enxergar um campeonato sem os sustos habituais.

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Do outro lado, a fotografia é preocupante. O Remo não ocupa a lanterna — a Chapecoense é a última colocada —, mas permanece em 19º, com 18 pontos, nove derrotas e 32 gols sofridos. A distância para o primeiro clube fora do Z-4 ainda permite reação, porém o desempenho em Itaquera mostrou uma equipe vulnerável, pouco agressiva e incapaz de competir depois de sofrer o primeiro gol. O caminho de volta à Série B ainda não está definido. Mas, enquanto o Corinthians encontra razões para olhar o segundo turno com esperança, o Remo acumula sinais de que permanecer na elite exigirá uma transformação muito maior do que a apresentada na Neo Química Arena.





