Após a vitória do Santos nesta quarta-feira pela Copa Sul-Americana, o meia-atacante Neymar anunciou que não vai mais jogar pela seleção brasileira. O anúncio já era esperado, mesmo aos 34 anos. Neymar perdeu o interesse em defender o Brasil. Seu corpo e futebol também já não cabem mais em partidas de um Mundial, como se viu nos Estados Unidos, México e Canadá.
O que ele disse
“Meu momento na seleção já foi. Fiz história, fui muito feliz, dei meu sangue, minha vida, sempre briguei e lutei pela Amarelinha, mas acho que não quero mais”, declarou o camisa 10 na zona mista da Vila Belmiro. Com 130 partidas pela seleção brasileira, Neymar é o maior artilheiro da equipe em todos os tempos, com 80 gols. Ele conquistou dois títulos pelo Brasil: a Copa das Confederações de 2013 e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Neymar disputou quatro Copas do Mundo e fracassou em todas elas. Na última, desde ano, ele foi reserva e jogou menos de 45 minutos. Mas marcou um gol de pênalti na eliminação da equipe diante da Noruega.
A decisão consolida o que o próprio jogador havia dito após a eliminação da seleção nas oitavas de final da Copa no MetLife Stadium, em New Jersey. Na ocasião, o atleta desabafou ainda no gramado. “Tentei, tentei… Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui”, fazendo referência ao mesmo estádio onde estreou pela seleção brasileira em um amistoso em 2010. Aos 34 anos, com a trajetória internacional encerrada, Neymar direciona seu foco para o futebol de clubes, defendendo o Santos nesta temporada até dezembro, quando termina o seu contrato. O clube disputa o Brasileirão, a Copa Sul-Americana e a Copa do Brasil.

No mês de abril, o jogador abriu negociações com o Cincinnati FC, dos Estados Unidos. O presidente do clube norte-americano, Jeff Berding, chegou a vir ao Brasil para se reunir com Neymar e o seu pai, mas uma oferta financeira formal nunca foi apresentada. O time recuou por causa do condicionamento físico do atleta após novos problemas físicos.
Ouro olímpico inédito
Em 2010, Neymar foi convocado pela seleção brasileira pela primeira vez pelo técnico Mano Menezes. O ídolo estreou em um amistoso contra os Estados Unidos no mesmo MetLife Stadium, onde ele se despediu da Copa de 2026. A partida terminou 2 a 0 para o Brasil e o garoto marcou um dos gols. Dois anos depois, Neymar liderou a equipe que disputou os Jogos Olímpicos em Londres. Isso foi em 2012. O Brasil bateu na trave, de novo, e conquistou a medalha de prata após perder a decisão para o México. O jogo foi em Wembley.

Já em 2013, o meia-atacante foi um dos protagonistas da conquista da Copa das Confederações, que aconteceu no Brasil um ano antes da Copa do Mundo. Neymar brilhou no torneio e marcou um dos gols na decisão no Maracanã contra a Espanha (3 a 0). A equipe dirigida por Luiz Felipe Scolari utilizou o torneio como um grande teste antes da Copa do Mundo de 2014. Neymar marcou quatro gols na competição e foi o vice-artilheiro do Brasil. Ele já era um dos principais jogadores do mundo e rivalizava com Messi e Cristiano Ronaldo, com gols, conquistas pelo Barcelona e jogadas geniais.
Neymar foi gigante
É inegável que Neymar foi um dos melhores jogadores que o Brasil já teve depois de Pelé. É difícil até ranqueá-lo, mas ele esteve acima de muitos outros que ganharam, por exemplo, uma Copa do Mundo, como Ronaldo e Rivaldo. Talvez tenha sido do mesmo tamanho esportivamente de Ronaldinho Gaúcho, ou até maior. Mas o seu reinado durou pouco e se perdeu em suas escolhas de clubes e de vida.
O momento mais glorioso do camisa 10 na seleção brasileira foi nos Jogos Olímpicos disputados no Rio de Janeiro em 2016, que completou dez anos. Capitão e líder do time do treinador Rogério Micale, Neymar foi fundamental para a inédita conquista do ouro olímpico, que veio numa decisão nos pênaltis contra a Alemanha no Maracanã. A medalha era a única que faltava ao Brasil.
Problemas físicos nas Copas
Neymar disputou quatro Copas do Mundo com a seleção. E fracassou em todas elas. Em 2014, no Brasil, o jogador teve um ótimo desempenho na primeira fase, mas sofreu uma grave fratura na vértebra lombar nas quartas de final contra a Colômbia e não jogou mais. A lesão o tirou da semifinal, quando a seleção brasileira perdeu por 7 a 1 para a Alemanha.

Com problemas no pé, teve uma participação modesta em 2018, na Rússia, quando o Brasil caiu para a Bélgica nas quartas de final. Neymar reclamou muito com a arbitragem naquele Mundial. Ele foi caçado em campo e virou meme mundial ao rolar e espernear no gramado. Ele fez cinco jogos e marcou dois gols apenas. Ainda deu uma assistência. Neymar sempre foi o camisa 10 do time, mas nunca se destacou como se esperava dele. Foi a sua pior Copa.
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Na Copa do Mundo do Catar, Neymar teve uma entorse no tornozelo direito logo na partida de estreia contra a Sérvia. Ele desfalcou a equipe nos outros jogos da primeira fase, mas voltou nas oitavas de final diante da Coreia do Sul, quando atuou bem. O Brasil avançou. Contra a Croácia, o meia-atacante fez o gol do empate, mas a seleção brasileira foi eliminada na decisão de pênaltis. Neymar faria a última cobrança. Nem precisou. O Brasil caiu antes, e o atacante voltou mais uma vez para casa frustrado. Ele sempre carregou a seleção nos ombros e nunca reclamou disso.
Neste ano, ninguém entendeu a sua convocação por Carlo Ancelotti. Ele fez apenas duas partidas no Mundial disputado na América do Norte, mesmo assim saindo do banco de reservas. Não ajudou muito. Ele chegou à competição machucado. Foi uma “despedida” que a CBF fez ao jogador. E Ancelotti aceitou. Neymar encerra o seu ciclo na seleção de forma negativa, devendo futebol, arrumando confusão em campo e sendo desrespeitado pelo torcedor, que entendeu que ele não deveria passar por isso. Sua condição física aos 34 anos e suas escolhas o prejudicaram nesta última Copa. O seu adeus não causou frisson nem para o bem nem para o mal. Foi, simplesmente, indiferente.





