O Santos entrou em campo com Neymar, Gabigol, o apoio da Vila Belmiro e a obrigação de construir alguma vantagem antes de viajar para Belém. Saiu sem nada disso. O empate por 0 a 0 com o Remo, neste sábado, deixou a classificação às quartas de final da Copa do Brasil completamente aberta e transformou o jogo de volta, nesta terça-feira, às 21h30 (horário de Brasília), em uma decisão perigosa para uma equipe que ainda oferece poucas certezas.

Tudo sobre o Santos

O Santos fez o que se esperava de um time com mais qualidade técnica. Dessa maneira, não se pode dizer que faltaram posse de bola, presença ofensiva ou oportunidades ao time comandado por Cuca. Faltaram velocidade, precisão e, principalmente, capacidade para transformar o domínio territorial em pressão contínua. O Santos passou boa parte da partida instalado no campo adversário, mas quase sempre encontrou um Remo organizado, compacto e disposto a proteger a área.

Neymar aposta corrida com Zé Welison, do Remo
Centro das atenções, Neymar aposta corrida com Zé Welison; camisa 10 é dúvida para o jogo em Belém / Reprodução

Neymar dita ritmo

A presença de Neymar naturalmente concentrou as ações ofensivas. O camisa 10 recuou para participar da construção, buscou tabelas pelos lados e assumiu as bolas paradas. Ainda assim, teve dificuldades para encontrar espaços entre as duas linhas montadas pelo adversário. Quando conseguiu acelerar a jogada, nem sempre encontrou companheiros atacando a área ou oferecendo alternativas de passe. O Remo aceitou ter menos a bola, fechou o corredor central e tentou retirar do jogo a combinação entre Neymar e Gabigol. A estratégia obrigou o Santos a circular de um lado para o outro, muitas vezes sem profundidade. Houve volume, mas não a sensação de que o gol era inevitável.

A melhor oportunidade santista no primeiro tempo nasceu justamente de uma cobrança de Neymar. Lucas Veríssimo apareceu na área, desviou com o pé direito e acertou o travessão. Foi o lance que melhor resumiu a noite: a bola chegou perto, a torcida se levantou, mas o placar permaneceu intacto. Em busca do seu centésimo gol com a camisa do Peixe, Gabigol também teve a oportunidade de mudar a história. O atacante desperdiçou uma finalização clara e voltou a mostrar dificuldades para converter em gols o espaço que consegue encontrar dentro da área. Em uma eliminatória tão curta, deixar passar esse tipo de chance pode produzir uma conta muito mais pesada na partida seguinte.

Gol anulado

O Santos voltou para o segundo tempo disposto a aumentar o ritmo, mas continuou repetindo movimentos previsíveis. Neymar tentava romper a marcação com passes verticais; Barreal buscava jogadas individuais; Gabigol permanecia entre os zagueiros. Faltava alguém para atacar o espaço vazio, aproximar o meio-campo dos atacantes e obrigar a defesa paraense a abandonar sua zona de conforto.

Quando o Santos finalmente conseguiu colocar a bola na rede, a comemoração durou pouco. Neymar cobrou escanteio na segunda trave, Gabigol desviou, a bola tocou na trave e entrou. O lance, porém, foi anulado por impedimento. Era a jogada que poderia aliviar a tensão, premiar a insistência santista e mudar a postura do Remo nos minutos finais. Não valeu. A partir daí, a ansiedade ficou mais evidente. O Santos atacou com pressa, passou a levantar bolas na área e perdeu a organização que ainda conservava. O Remo administrou o resultado, diminuiu o ritmo sempre que possível e saiu da Vila Belmiro com exatamente o que buscava: a oportunidade de decidir diante de sua torcida.

Logo que árbitro Bruno Arleu de Araújo encerrou a partida, as vaias foram o sinal da revolta de parte da torcida. Afinal, o resultado é especialmente frustrante porque o Santos havia entrado na eliminatória em um ambiente de alguma recuperação. Depois do empate por 2 a 2 com a Chapecoense pelo Campeonato Brasileiro, a equipe avançou na Copa Sul-Americana ao superar a Universidad Central. A expectativa era aproveitar o retorno de jogadores importantes e iniciar uma sequência mais consistente.

É tudo ou nada

Em vez disso, o time voltou a esbarrar em um problema recorrente: a dificuldade para impor seu favoritismo na Vila Belmiro. Na fase anterior da própria Copa do Brasil, o Santos também empatou por 0 a 0 em casa, contra o Coritiba, antes de buscar a classificação com uma vitória por 2 a 0 no Couto Pereira. O precedente oferece esperança, mas não deveria servir como justificativa para repetir o risco.

Na da decisão no Mangueirão. Quem vencer avança. Outra igualdade levará a disputa para os pênaltis. O Santos terá de encarar não apenas o Remo, mas um estádio cheio, uma viagem longa e a pressão criada pela oportunidade desperdiçada em casa.

Neymar Fluminense x Vasco
O Fluminense de Lucho Acosta (à esq.) e o Vasco de Paulo Henrique empatam em jogo morno no Maracanã / Fluminense

Ataques inoperantes

O empate santista completou um sábado sem gols na abertura das oitavas. No primeiro jogo, Vasco e Fluminense ficaram no 0 a 0, no Maracanã. Depois, Atlético-MG e Juventude repetiram o placar na Arena MRV, em Belo Horizonte. Por fim, Santos e Remo encerraram a programação da mesma maneira. Foram três partidas, seis equipes e nenhuma vantagem construída. As oitavas começaram oferecendo pouco espetáculo, mas deixaram três confrontos inteiramente vivos.

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Para o Santos, porém, a igualdade pesa mais. Jogando em casa, com Neymar desde o início e diante de um adversário que aceitou se defender, o clube teve a chance de tornar a viagem ao Pará menos ameaçadora. Agora, terá de buscar longe da Vila aquilo que não conseguiu encontrar nela: o gol.

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