Carlos Miguel chegou ao Palmeiras com os seus impressionantes 2,04 metros de altura, um contrato longo, até junho de 2030 e pinta como sucessor ideal de Weverton. O clube pagou 5,5 milhões por 80% do seu contrato. Ele não foi barato. Na época, a presidente Leila Pereira disse se tratar de “uma oportunidade de negócio”. Agora, no entanto, o grandalhão vive a fase mais delicada desde que vestiu a camisa palmeirense, de muitas histórias no gol. O problema já não é apenas técnico. É de confiança. Ou falta dela. Carlos Miguel, antes de qualquer defesa difícil, precisa convencer a arquibancada de que a bola simples não vai virar drama, como tem acontecido com alguma frequência.
O Palmeiras pagou caro por essa aposta: R$ 34,7 milhões na cotação da época, além de outros 500 mil euros em bônus. A operação fez dele o goleiro mais caro da história do Palmeiras, acima até do investimento feito por Weverton em 2017. Esse peso não deixa de acompanhar o jogador nas partidas, mas não é isso que o torna um atleta sob desconfiança. Carlos Miguel tem falhado.
Ele jogou pouco na Inglaterra
E time grande não pode ter um goleiro que falha. Sua aventura no Nottingham Forest, depois de passagem pelo Corinthians, não foi boa. Ele jogou pouco na Premier League mesmo com a sua altura. O contrato longo mostra que o Palmeiras o que por muitos anos, mas ele não pode deixar em cima do documento.

A fase atual do goleiro acendeu um alerta no Palmeiras e entre os torcedores. A falha contra o Atlético-MG, na derrota por 2 a 1 pelo Brasileirão, foi o lance que escancarou a desconfiança. Carlos Miguel defendeu chute de Cassierra, soltou a bola, perdeu o rebote de vista e Victor Hugo aproveitou para abrir o placar no Nubank Parque. Foi um erro técnico. Não foi uma falha qualquer. O Palmeiras tinha o jogo sob controle até aquele momento. A equipe não fazia uma atuação brilhante, mas administrava e tentava construir a vitória. Depois do erro, o time desandou.
Duas falhas em curto espaço
É assim com goleiros. Um lance muda o humor do estádio, muda o comportamento dos companheiros e muda a leitura do jogo. O erro de Carlos Miguel não foi apenas um gol sofrido. Foi um ponto de ruptura. Abel tentou proteger o jogador. Disse que Carlos Miguel já ajudou muito o Palmeiras e que tem condições de ser um dos melhores goleiros do Brasil. Mas o próprio treinador admitiu que aquele tipo de gol não pode ser sofrido. O treinador fez a defesa, mas também a cobrança. Em time que briga por títulos, goleiro não pode transformar bola defensável em incêndio. Na partida contra o Fortaleza, pela Copa do Brasil, em Cuiabá, ele aceitou um chute do meio da rua e defensável na opinião de muitos palmeirenses.
Marcos, ídolo eterno do Palmeiras, também saiu em defesa de Carlos Miguel e pediu “cabeça erguida ao goleiro” depois da falha. É o gesto natural de quem conhece a posição e sabe como um erro pode pesar. Goleiro não tem o direito ao anonimato. Quando salva, vira herói. Quando erra, aparece sozinho no replay. Marcos ganhou a Copa do Mundo de 2002 com um medo danado de falhar. É da posição pensar dessa forma. Mas isso não pode atrapalhar o seu trabalho.

A questão é que a torcida não mede apenas solidariedade ou defesas fáceis, às vezes alguns milagres, como Carlos Miguel já fez desde que chegou ao Palmeiras. Mas ela mede segurança. Carlos Miguel pode ter potencial, presença física e reflexo. Pode até fazer grandes defesas em determinados jogos. Mas a sensação que fica neste momento é a de instabilidade. E instabilidade no gol, em um Palmeiras que quer ganhar tudo, vira assunto de botequim. A derrota para o Fortaleza, ainda que tenha terminado com classificação do Palmeiras na Copa do Brasil, aumentou o incômodo.
Carlos Miguel contra a parede
O time havia vencido a ida por 3 a 0 e entrou na volta com enorme vantagem. Mesmo assim, sofreu três gols e expôs novamente problemas defensivos. Nas redes de torcedores, a cobrança sobre Carlos Miguel voltou a crescer, com a sensação de que o goleiro poderia ter feito mais em lances importantes. É preciso ser justo também. Carlos Miguel não é o único culpado pela instabilidade defensiva do Palmeiras. O time também tem cometido erros de marcação, sofre em bolas levantadas, perde duelos e, às vezes, permite finalizações que não deveria permitir. Goleiro nenhum resolve sozinho uma equipe mal protegida. Mas goleiro caro, contratado para decidir, precisa diminuir problemas. E não aumentá-los.
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No Palmeiras de Abel, a margem para dúvida é pequena. O clube lidera, disputa mata-matas e trata 2026 como ano de ambição máxima. Há Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores no radar. Em uma temporada assim, cada bola espirrada pode custar uma classificação, uma liderança ou um título. O goleiro precisa ser solução, não pauta permanente de debate. A fase ruim de Carlos Miguel não significa sentença. Mas ela precisa ser resolvida. Provocações em público não vão ajudá-lo nesse momento, como fez após a eliminação do Corinthians na Copa do Brasil.





