O Fluminense empatou por 1 a 1 com o Independiente Rivadavia, nesta terça-feira, no Estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza, venceu por 5 a 4 nos pênaltis e é o primeiro time brasileiro classificado às quartas de final da Copa Libertadores. Uma vaga conquistada quando quase todos os elementos da noite pareciam conspirar para aumentar o drama: expulsão de Canobbio no início do segundo tempo, gol de Serna com um jogador a menos, um pênalti controverso nos acréscimos, empate de Álex Arce e uma oportunidade inacreditável desperdiçada pelo próprio Serna antes do apito final.
Talvez não existisse maneira simples de o Fluminense chegar às quartas de final da Libertadores. Não depois das últimas semanas, da eliminação na Copa do Brasil, da demissão de Luis Zubeldía, da chegada — mais uma vez — do ‘eterno interino’ Marcão e de um adversário que atravessou quatro encontros diante do Tricolor das Laranjeiras sem perder no tempo normal. Então foi preciso sofrer. E como sofreu.

Fábio, muralha do Flu
Quando já não havia mais espaço para qualquer outro roteiro, apareceu o goleiro Fábio. Aos 45 anos, o veterano voltou a mostrar por que atravessa gerações como um dos goleiros mais longevos do futebol sul-americano. Em sua 117ª partida na Libertadores, marca que o colocou como recordista de jogos na competição, ele defendeu duas cobranças e carregou o Fluminense para a próxima fase.
Mas a dimensão da classificação começa muito antes dos pênaltis. Depois do 0 a 0 no Maracanã, resultado que acabou sendo o último de Zubeldía no comando, o Fluminense chegou à Argentina ainda tentando compreender o que havia mudado em poucos dias. O treinador argentino foi demitido na quinta-feira passada, e Marcão assumiu interinamente. Em sua primeira partida, o time interrompeu uma sequência de oito jogos sem vencer com uma virada emocionante por 3 a 2 sobre o líder Palmeiras, também decidida nos acréscimos.
Em Mendoza, o desafio era outro. E muito maior. O Independiente Rivadavia não era exatamente um desconhecido. Os clubes já haviam se enfrentado duas vezes na fase de grupos. Os argentinos venceram por 2 a 1 no Maracanã e houve empate por 1 a 1 em Mendoza. Nas oitavas, outro 0 a 0 no Rio. O time de Marcão soube competir. Não fez uma apresentação exuberante, mas conseguiu equilibrar a partida, controlar períodos importantes e impedir que o dono da casa, um dos ataques mais eficientes desta Libertadores, transformasse o mando de campo em avalanche.
Time de guerreiros
Até que Canobbio complicou tudo. O uruguaio, que já tinha cartão amarelo, fez falta dura em Fernández aos 12 minutos do segundo tempo, recebeu o segundo e foi expulso. Restava ao Fluminense disputar mais de meia hora de uma partida eliminatória na Argentina com dez jogadores. Foi justamente nesse cenário que nasceu o improvável. Marcão colocou Kevin Serna no lugar de Hulk. Aos 29 minutos, Hércules encontrou um lançamento perfeito nas costas da defesa. O colombiano invadiu a área e tocou na saída de Bolcato.
Com dez homens, fora de casa, em uma decisão de Libertadores. Parecia o gol da classificação. Entretanto, nos acréscimos, depois de uma finalização de Studer tocar no braço de Ignácio, o árbitro colombiano Andrés Rojas foi chamado pelo VAR, comandado por Leonard Mosquera. Após revisar o lance, marcou um pênalti que provocou forte reclamação tricolor. Álex Arce cobrou, deslocou Fábio e empatou. Ainda haveria tempo para uma última tortura. Serna roubou a bola da defesa argentina e apareceu frente a frente com o goleiro. Era a chance de encerrar tudo. Finalizou por cima.

Sofrimento até última bola
O Fluminense teve encarar a batalha dos pênaltis, e o sofrimento aumentou quando Lucho Acosta, na segunda cobrança, mandou para fora. A vantagem emocional passava para o Independiente Rivadavia. Só que havia Fábio. O goleiro defendeu a cobrança de José Florentín e recolocou o Fluminense na disputa. Thiago Silva, Renê, Hércules, Martinelli e Guga converteram suas penalidades. Até que, na sexta cobrança argentina, Rodrigo Atencio foi para a bola. Do outro lado estava um goleiro acostumado a noites como esta e decretou a classificação, sendo eleito, com sobras, o melhor jogador da partida.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Fim de drama. Começo da festa. O Fluminense está nas quartas de final da Libertadores e aguardará o vencedor de Platense, da Argentina, e Coquimbo Unido, do Chile. A classificação também aumenta o tamanho de Marcão neste momento da temporada. O auxiliar permanente, o treinador provisório de tantas emergências, recebeu novamente um time machucado e, em poucos dias, devolveu duas coisas que pareciam desaparecidas: competitividade e confiança. Primeiro, derrubou o líder Palmeiras com uma virada no Maracanã. Agora, sobreviveu a uma expulsão, a um empate nos acréscimos e a uma disputa de pênaltis na Argentina.





