Fernando Diniz deixou a Neo Química Arena com uma sensação dividida depois da derrota do Corinthians por 1 a 0 para o Santos e das críticas da torcida. O treinador enxergou uma equipe competitiva, organizada na defesa e capaz de controlar boa parte das ações do clássico, mas também reconheceu o principal problema do time: a dificuldade para transformar posse e presença no ataque em chances claras de gol. No primeiro tempo, o Corinthians teve zero de acerto no alvo.
Na avaliação de Diniz, o Corinthians fez uma partida para obter um resultado melhor: empate no mínimo. O treinador destacou que o Santos ofereceu poucas oportunidades e que a equipe conseguiu limitar o rival durante boa parte do jogo, com posse de bola de quase 60%. O problema apareceu no momento de transformar esse domínio em perigo. “Faltou a gente criar chances mais efetivas de gol”, resumiu o técnico, desanimado. Diniz começa a entender que não há jogador no elenco para melhorar isso. “O Santos também tinha uma proposta mais clara de esperar na marcação. A gente teve mais dificuldades em encerrar as jogadas.”

O cenário ficou ainda mais complicado pelos desfalques, como se sabia. Yuri Alberto continua fora por causa de lesão, enquanto Breno Bidon e André Carrillo também não participaram do clássico. Memphis Depay acabou sendo a principal referência ofensiva, mas não conseguiu encontrar espaços suficientes para decidir a partida. Foi lento e “perdido” no seu posicionamento. Não sabia como correr. “Eu acho que a gente teve uma terminação ruim nos cruzamentos e um mal preenchimento de área. O Santos foi muito feliz na falta que cobrou. A gente poderia ter ido mais rápido para o rebote. Mas foi uma falta muito bem batida pelo Neymar e que acabou determinando o resultado do jogo”, disse Diniz
32 pontos após três derrotas
Kaio César e Dieguinho foram apostas, sem que o Corinthians conseguisse reproduzir a força ofensiva que poderia ter com o seu elenco completo. O fiasco que o torcedor viu, Diniz também viu, mas preferiu guardar para ele. O time tem 32 pontos e ainda não está livre da Série B.
A dificuldade ficou evidente na maneira como o Corinthians tentou atacar o Santos. Diniz citou tabelas por dentro, jogadas de parede, cruzamentos e finalizações de fora da área como algumas das alternativas utilizadas nos 90 minutos. Mas nada deu certo. Ou, tudo deu errado. O problema, segundo o treinador, esteve na conclusão dessas jogadas. O Corinthians chegou a posições de gol, mas não conseguiu acertar o pé. As conclusões não chegaram nem a ser perigosas.
Memphis foi mal
O treinador chamou atenção para um problema específico da equipe: o preenchimento da área. Nos cruzamentos, o Corinthians não conseguiu colocar jogadores suficientes em condições de disputar a bola ou aproveitar eventuais rebotes, como, aliás, fez o Santos, com o gol de Oliva após rebote de falta cobrada na trave por Neymar. É um detalhe que parece pequeno, mas ajuda a explicar por que uma equipe que teve momentos de controle do jogo terminou sem marcar e saiu derrotada de sua casa.
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Diniz reconheceu o mérito da cobrança de falta de Neymar, mas também apontou que o Corinthians poderia ter reagido mais rapidamente para disputar o rebote aproveitado por Oliva. Garro teve uma falta parecida e mandou a bola na barreira. Neymar acertou a trave. Foi uma sequência curta que acabou determinando o resultado de um clássico em que os dois times tiveram dificuldades para produzir. O Santos foi mais eficiente.
O que fazer?
Ocorre que o tropeço aumenta a preocupação do Corinthians no Brasileirão. O time chegou à terceira derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro e perdeu pela segunda vez seguida dentro da Neo Química Arena, permanecendo no meio da tabela. Precisa de pontos ainda. Agora, Diniz terá uma semana inteira para trabalhar antes de enfrentar a Chapecoense, no dia 6. Mais do que corrigir um ou outro detalhe, precisa encontrar uma solução. O Corinthians até consegue competir, mas precisa voltar a criar e finalizar melhor.





