A vitória sobre o Corinthians não apagou o que aconteceu quatro dias antes, mas deu ao Santos a resposta que Cuca buscava depois da derrota, por 3 a 0, diante do Palmeiras, no Nubank Parque, na partida de ida das quartas de final da Copa do Brasil. Mais do que os três pontos no Campeonato Brasileiro e um passo para se distanciar da zona do rebaixamento, o treinador valorizou a capacidade do elenco de absorver a derrota, suportar a pressão e reagir em um clássico fora de casa.
“Todo mundo sentiu o resultado e o jogo de quarta-feira. Todo mundo sentiu. Foi muito ruim para todos nós. Ninguém descansou bem. Mas eles são homens. Eu falei naquele dia: Eles mesmos são quem podem reverter essa situação”, afirmou Cuca, que disse que a vitória dava o direito de uma comemoração interna moderada.

Cuca mexe com o astral do elenco
A resposta veio diante do Corinthians. E, para o treinador, passa pela maneira como o grupo se comportou depois da pancada sofrida no meio da semana. “A gente tem feito isso, ajudado, se escorado um no outro para pegar força. Esse é o caminho. Eles pegaram muita força de quarta-feira para cá. Porque a gente apanhou muito. Apanhamos calados, soubemos sofrer e hoje a gente começa a dar uma revirada”, detalhou o treinador.
Cuca fez questão também de separar as competições. A derrota diante do Palmeiras precisava ficar restrita à Copa do Brasil para não contaminar uma sequência que considera positiva no Campeonato Brasileiro. “Aquela era outra competição. No Brasileiro, a gente veio de três resultados: uma vitória com o Vasco fora, um empate com o Vasco em casa e uma vitória com o Corinthians fora. Quanto tempo faz que o Santos não tem duas vitórias seguidas no Brasileiro fora de casa, eu não sei. E a gente conseguiu. Então, esses pontos são muito importantes para a sequência do campeonato”, ponderou.
Na luta para se distanciar da zona do rebaixamento, além da vitória sobre o Corinthians, na Neo Química Arena, o Peixe havia empatado com o Mirassol (1 a 1) em casa e, antes, derrotou o Vasco da Gama, por 3 a 0, no Rio de Janeiro, em São Januário. Ou seja, duas vitórias seguidas como visitante.
Fim do jejum
Além de vencer o primeiro clássico na temporada, O triunfo deste domingo ganha ainda mais peso pela dificuldade histórica do Santos em vencer o Corinthians como visitante pelo Brasileiro. Cuca fez questão de dimensionar o tamanho do resultado. “Fazia 15 anos que não ganhava uma partida no Campeonato Brasileiro aqui [São Paulo]. Quinze anos, isso é muita coisa. E hoje a gente venceu, então tem que valorizar muito essa vitória, comemorar internamente. Como a gente sempre faz: ninguém se afunda quando perde, nem se vangloria quando ganha.
O calendário, porém, não permite ao Santos permanecer por muito tempo comemorando. O Palmeiras já volta ao horizonte, e Cuca ainda não sabe qual equipe terá condições de colocar em campo. “A gente tem uma sequência dura pela frente. Recuperar para quarta-feira, fazer um bom jogo. Não sei o que vai acontecer, ainda não sei que time eu vou escalar. Domingo tem outra final lá em Porto Alegre, com o Internacional. Então, vamos vivendo dia a dia”, afirmou o treinador.
Ao falar sobre a possibilidade de reação diante do Palmeiras, Cuca evitou qualquer promessa. Reconheceu o tamanho da tarefa depois da derrota por 3 a 0, mas recusou o discurso de eliminação antecipada. “No futebol tudo pode acontecer. Questionaram que o Palmeiras tem uma vantagem enorme de 3 a 0. Nós temos uma vantagem, que é jogar em casa junto do nosso torcedor. Quem sabe a gente consiga fazer um bom jogo e aí vamos esperar para ver o que acontece”, ponderou o comandante.
Santos competitivo
O treinador encontrou também nas últimas atuações fora de casa um argumento para reforçar a confiança. Contra Vasco e Corinthians, o Santos conseguiu justamente aquilo que não teve diante do Palmeiras: equilíbrio e segurança defensiva. “Nós fizemos quatro gols fora de casa, não sofremos nenhum. E foram jogos bem jogados, cada um dentro da sua característica, da sua condição.

A formação para quarta-feira ainda dependerá da recuperação física dos jogadores. Cuca deixou claro que pretende usar a reapresentação para medir desgaste e eventuais problemas antes de escolher os titulares. “Agora a gente tem que descansar, curtir um pouco essa vitória internamente, com a família. Descansar bem para amanhã, na reapresentação, reavaliar o elenco, ver quem está bem, quem está descansado, quem tem algum desconforto, quem tem um cansaço maior ou não para definir uma equipe que vai jogar contra o Palmeiras.
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Cuca não prometeu virada, tampouco tentou diminuir os três gols de vantagem do adversário. Mas saiu do clássico com algo que parecia abalado depois da derrota: confiança. E resumiu o momento do Santos da maneira mais simples possível: Apanhamos calados, soubemos sofrer e hoje a gente começa a dar uma revirada.





