O empate por 1 a 1 com o Mirassol deixou o Palmeiras com uma vantagem menor na liderança do Campeonato Brasileiro, mas a preocupação de Abel Ferreira depois da partida foi além dos dois pontos desperdiçados. Com jogadores lesionados, outros ainda em busca da melhor condição física e três competições para disputar, o treinador transformou Vitor Roque em exemplo do preço cobrado por uma temporada que não oferece tempo para recuperar o elenco.

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Abel rejeitou a ideia de que as dificuldades façam o Palmeiras recorrer ao mercado. Para ele, a prioridade é conseguir colocar os jogadores que já estão no elenco em suas melhores condições. “É preciso que os nossos estejam em boa forma, é isso que eu quero. O Vitor Roque recupera a forma, não está em boa forma, isso é notório. É um jogador que nós esperamos todos muito dele”, afirmou o técnico.

O técnico Abel Ferreira fica furioso com a arbitragem e pede juízes mais experientes nesta reta final da temporada
Técnico Abel Ferreira fica furioso com a arbitragem e pede juízes mais experientes na reta final da temporada / Palmeiras

Abel protege o elenco

A referência ao atacante não apareceu como uma cobrança isolada. Antes, Abel já havia usado Vitor Roque, Flaco López e Giay para explicar que todos recebem o mesmo treinamento, mas nem sempre respondem da mesma maneira diante de um calendário que exige jogos sem intervalo. “Eu não treinei o Roque de maneira diferente. O Roque eu treinei exatamente igual como treinei os outros. Não treinei o López de maneira diferente, eu não treinei o Giay. Estas componentes físicas, como eu já falei muitas vezes… Não há dúvidas que a minha equipe correu, não há dúvidas que a minha equipe lutou, não há dúvidas que a minha equipe transpirou”, analisou.

Segundo Abel, é quando o desgaste cresce que começam a aparecer os erros que vão além da disposição. O treinador considera que a falta de recuperação compromete aquilo que o jogador faz com a bola. “A parte física depois interfere no cruzamento, no passe, no remate, na decisão, na técnica. Basta fazermos uma análise individual de cada um, do nosso goleiro ao nosso nove, que é o Roque, do Carlos Miguel ao Roque, e consegues de uma forma muito simples dizer: este jogador pode e tem que dar mais, este jogador está dentro do nível”, afirmou.

O português também voltou a destacar a diferença de preparação para equipes que enfrentam o Palmeiras depois de uma semana livre. Foi o caso do Mirassol, enquanto o líder segue dividido entre Campeonato Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. “O nosso adversário teve uma semana inteira para preparar o nosso jogo, fisicamente mais fresco. Isso viu-se. Quando as equipas têm uma semana para preparar, faz toda a diferença naquilo que tem a ver com a parte física”, ponderou Abel.

Plano é ganhar tudo

Mesmo enxergando o desgaste e convivendo com novas contusões, Abel não pretende mudar o discurso adotado para a reta final. O Palmeiras já conquistou um troféu na temporada e continua vivo em outras três disputas. Para o treinador, a dificuldade passa a fazer parte do desafio. “Acho que a vida tem que ser feita de estratégia, ou neste caso o futebol, e de ambição. Nós não vamos por isso trocar o meu discurso agora. O primeiro título já ganhamos. Quando eu não ganhei, sei muito bem o que sofri. Temos um título [Paulistão], estamos a lutar por três e vamos lutar por eles até ao fim com todas as nossas forças. E, se for preciso, no sacrifício, na raça, é isso que nós vamos fazer.

Para não fugir ao estilo Abel de costume, ele ainda reclamou da arbitragem, comandada por João Vitor Gobi, e pediu maior rigor na escolha dos responsáveis pelos jogos decisivos nesta altura da temporada. “Estamos a quatro jornadas do fim. Nós queremos para estes jogos os melhores árbitros. O critério é inacreditável. Neste tipo de jogos temos que ter os árbitros mais preparados. Agora, sem ter tempo para respirar, o Palmeiras troca novamente a chave. Na quarta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), enfrenta o Santos, na Vila, pelo jogo de volta das quartas da Copa do Brasil, depois de construir vantagem de 3 a 0 na primeira partida.

Maurício aproveita os jogos

Se Vitor Roque foi utilizado por Abel como exemplo de quem ainda procura a melhor condição dentro de uma sequência sufocante, Maurício representa um caminho diferente no mesmo calendário. “A gente está disputando as três competições lá em cima. E claro, não era o resultado que a gente queria, não era o resultado que a gente esperava. No decorrer do jogo eles tiveram um cruzamento ali, foram felizes. Mas é destacar aqui também esse empate”, disse o camisa 18, que anotou sete gols em dez partidas pelo Palmeiras desde que voltou da Copa do Mundo.

Abel Maurício vive sua fase mais goleadora na carreira com 12 gols gols na temporada
Maurício comemora o seu 12º gol neste ano; jogador atinge seu maior número de gols em uma temporada / Palmeiras

Ao todo, Maurício chegou a 12 gols na temporada, 11 pelo Palmeiras e um com a camisa da seleção paraguaia, anotado na Copa do Mundo. Assim, ele estabeleceu seu melhor ano goleador como profissional. O jogador, porém, disse que a marca individual ficou em segundo plano. ”

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“Estou muito feliz por esse momento que estou vivendo. É a minha temporada com mais gols na carreira, com 12 gols. Isso é fruto de muito trabalho, de muita dedicação. Agradecer aos companheiros também, porque nada se constrói sozinho, e sim tudo no coletivo. Fico muito feliz por mais um gol, mas trocava esse gol pelo resultado positivo”, completou Maurício, que reforça que nesta altura da temporada, só os resultados realmente importam.

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