O técnico Fernando Diniz não procurou um culpado para a eliminação do Corinthians na Copa Libertadores. Depois do pênalti desperdiçado por Memphis Depay no último lance da partida contra o Estudiantes, na Neo Química Arena, o treinador evitou concentrar no holandês o peso de uma noite que encerrou a caminhada corintiana no torneio continental. O camisa 10 é um dos cobradores definidos pela comissão técnica. Portanto, não tomou a bola por impulso nem decidiu assumir uma responsabilidade que não lhe pertencia.
“Ele é o batedor. Os batedores eram ele e o Garro. Se tivesse cobrança de pênaltis, ele e o Garro seriam os dois primeiros. Um bateria o primeiro e o outro bateria o segundo. Ele treina. Não teve nada de ele ter pegado a bola porque quis bater. É um cara acostumado a bater pênalti, assim como o Garro. Qualquer um dos dois poderia bater”, disse Fernando Diniz, sobre os jogadores com melhor aproveitamento em cobranças de penalidades nos treinadores.

Memphis erra no momento fatal
A cobrança para longe do gol se tornou a imagem definitiva da eliminação. Diniz, porém, lembrou que o Corinthians teve toda a partida para construir outro desfecho. Para o treinador, atribuir a queda somente ao erro de Memphis seria ignorar os problemas apresentados pela equipe. “Ele tem muito serviço prestado pelo clube e teve a coragem de bater o pênalti. É sempre difícil pegar uma bola para bater aos 50 minutos, em quartas de final de Libertadores, em um dos jogos mais importantes da história do clube”, analisou o comandante do Timão.
Na sequência, Diniz usou o surrado clichê do mundo da bola para dividir a responsabilidade com o elenco. “Perdeu todo mundo, não perdeu só por causa do gol. Nós tomamos um gol que poderíamos ter evitado, a gente não conseguiu produzir muito e, obviamente, o pênalti no final da partida acaba atraindo todos os holofotes para ele”, lamentou.
Depois do apito final, Memphis permaneceu ajoelhado no gramado. Diniz se aproximou e abraçou o atacante. Não houve discurso ou tentativa de encontrar uma explicação imediata para o que havia acabado de acontecer. “Não teve muita conversa. Eu abracei o Memphis. O cara deve estar se sentindo a pior pessoa do mundo neste momento, porque parece que cai tudo sobre ele. E não é assim”, ponderou.
Missão para poucos
Na sequência, Diniz exaltou a experiência do jogador mais badalado do seu elenco, que, por isso, não se omitiu diante do momento crucial da partida. “No fundo, para bater pênalti, o cara tem que ter muita coragem. E ele tem coragem para bater. Errou. Quantos jogadores estrelados que a gente tem na história do futebol mundial erraram pênaltis importantes? Hoje foi o dia dele errar”, lembrou.
Diniz também discordou da avaliação de que o Estudiantes tenha sido superior nos dois confrontos. Admitiu, no entanto, que o Corinthians encontrou dificuldades para impor seu estilo, controlar a posse e transformar a presença no campo ofensivo em oportunidades claras. “Eu não acho que o time se acovardou. O time não estava encontrando soluções para poder furar a defesa. Foi um jogo equilibrado, de poucas oportunidades, poucas finalizações e poucas chances para os dois times”, explicou.
O treinador ainda citou a ausência de Yuri Alberto como um problema que a equipe não conseguiu solucionar. Para Diniz, o atacante oferece características específicas, principalmente na movimentação e no ataque aos espaços. “O Yuri é um jogador que faz muita falta, muita falta mesmo. É um jogador muito específico para aquela posição. A maneira como ele joga, como ataca o espaço, como incomoda o adversário, acabou fazendo mais falta do que deveria. A gente também não conseguiu encontrar soluções para resolver esse problema”, afirmou.

Permanência na Série A
Eliminado das competições de mata-mata, o Corinthians terá de concentrar suas forças no Campeonato Brasileiro, com a pressão da sequência de cinco derrotas seguidas em jogos válidos pelo torneio e o risco de brigar para não cair. Diniz reconheceu o cenário difícil, mas rejeitou a ideia de que a atual posição da equipe representa uma posição aceitável para o clube. “Não concordo com essa análise. O cenário que a gente tem é esse, de muitas dificuldades. Vocês sabem todas. Mas, se o Memphis tivesse feito o pênalti e a gente ganhado, as perguntas seriam outras. O resultado acaba sendo muito senhor das análises”, pontuou.
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A reação, agora, terá de começar depois de uma das noites mais dolorosas da temporada. “Está todo mundo muito triste. Hoje é um dia de tristeza geral. Mas a gente vai ter que saber se levantar, porque o Campeonato Brasileiro continua. Temos uma sequência muito ruim. É o time se juntar, se fortalecer, para terminar a temporada de maneira digna.”





