As eliminações continentais transformaram a reta final de 2026 em um problema que vai muito além do campo para São Paulo, Corinthians e Santos. Os três clubes paulistas estão mergulhados em situações financeiras delicadas, perderam receitas importantes com premiações e bilheterias e agora terão apenas o Campeonato Brasileiro pela frente. E nenhum deles aparece na disputa pelo título. O cenário é preocupante porque os três precisam de dinheiro para fechar a temporada, pagar contas feitas sem ter dinheiro no caixa, enquanto os principais torneios que poderiam gerar novas receitas já terminaram.

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O caso do Corinthians é o mais pesado financeiramente. O clube foi eliminado pelo Estudiantes nas quartas de final da Libertadores e deixou de receber R$ 11,8 milhões pela vaga na semifinal. O clube terminou sua participação continental com aproximadamente R$ 25,6 milhões em premiações, mas poderia ter alcançado valores muito maiores caso avançasse. A projeção de perdas chega a R$ 166,6 milhões considerando as premiações que estavam disponíveis até a conquista do título, rendas dos jogos e ações comerciais pontuais. O clube deixou de ganhar esse dinheiro no momento em que Memphis chutou o pênalti para fora.

Luciano é o terceiro maior artilheiro do São Paulo neste século: ele disse que sempre recebeu atrasado no clube / São Paulo

A eliminação ocorre quando o Corinthians atravessa uma das situações financeiras mais delicadas de sua história recente. O balanço do primeiro semestre mostrou déficit de R$ 246 milhões, enquanto a dívida total está na casa de R$ 2,8 bilhões. O clube também acumulou dificuldades para pagar salários, direitos de imagem e compromissos com jogadores. Além disso, não conseguiu cumprir a meta de arrecadar cerca de R$ 148 milhões com vendas de atletas na janela do meio do ano. A Libertadores era, portanto, uma fonte de receita para um caixa pressionado e que pede por socorro. O diretor Marcelo Paz tem a obrigação de apontar caminhos até dezembro. Vender jogadores é uma necessidade. Se atrasar o que deve ao Depay, terá o aumento da dívida com o atleta para R$ 77 milhões.

Morumbi em chamas

O São Paulo vive outro tipo de problema, mas igualmente grave. O clube foi eliminado pelo Boca Juniors nas quartas de final da Sul-Americana e perdeu R$ 4,1 milhões pela vaga. O clube acumulou R$ 10,16 milhões em premiações no torneio. É pouco. Não paga nem um mês da folha de pagamento. Além disso, deixou de disputar as fases seguintes, que poderiam elevar a arrecadação no estádio. O time de Dorival entrou em campo no Morumbis diante do Boca com o estádio cheio e registrou sua maior renda do ano: R$ 3,4 milhões, mostrando também o peso da bilheteria nos jogos decisivos que não tem mais.

No São Paulo, a falta de dinheiro aparece de forma ainda mais direta no futebol. O presidente Harry Massis atrasou os salários em carteira em setembro e já acumulava três meses de direitos de imagem sem pagar. Quem quiser, portanto, pode pegar as suas coisas e ir embora do clube. O endividamento de R$ 858 milhões no fim de 2025, segundo o balanço, já era elevado, e o passivo circulante havia chegado a R$ 1 bilhão no levantamento oficial de 2025. A queda diante do Boca agrava a falta de caixa. O clube ainda tem eleições pela frente e nada a oferecer ao seu torcedor. Corre risco de ter de brigar para não cair no Brasileirão.

Santos tem o problema Neymar

O Santos talvez seja o caso mais emblemático da relação entre resultado esportivo e necessidade financeira. Eliminado pelo Atlético-MG nas quartas da Sul-Americana, o clube somou R$ 11,4 milhões em premiações no torneio, mas deixou pelo caminho mais R$ 4,1 milhões pela semifinal e até R$ 51,5 milhões correspondentes ao prêmio do campeão, se chegasse até lá. Considerando semifinal e eventual título, o prejuízo potencial em premiações chega a R$ 55,6 milhões. Daria para pagar metade do que o clube deve para Neymar. Para um Santos cuja dívida já se aproxima de R$ 1,2 bilhão, trata-se de dinheiro que faria diferença no orçamento.

Santos Neymar e Cuca
Neymar e Cuca conversam durante treino do Santos no CT Rei Pelé: atacante tem mais quatro meses na Vila / Santos FC

Há ainda a bilheteria, uma receita que desaparece junto com a eliminação. No caso do Santos, a própria campanha continental mostrou como essa fonte é irregular: o jogo de ida das quartas, na Vila, teve somente 12.132 pagantes e renda de R$ 439,5 mil. O Corinthians, por sua vez, teve renda de R$ 3,8 milhões na vitória sobre o Rosario Central pelas oitavas da Libertadores, em Itaquera. O São Paulo alcançou R$ 3,4 milhões contra o Boca. Ou seja, além do dinheiro da Conmebol, cada fase eliminatória perdida representa pelo menos uma oportunidade de grande bilheteria em casa. Menos no caso do Santos.

Perigo no Brasileirão

No Campeonato Brasileiro, a situação esportiva também não oferece uma compensação digna. Na tabela, São Paulo, Corinthians e Santos estão respectivamente na parte intermediária, sem disputar a liderança: o Tricolor aparece em 12º, o Corinthians em 14º e o Santos em 10º. Isso significa que, além de terem perdido os mata-matas continentais, os três precisam transformar as últimas rodadas do Brasileiro em uma tentativa de melhorar a classificação e buscar receitas e objetivos para 2027. No caso do Santos, o presidente Marcelo Teixeira tem ainda a renovação de contrato do Neymar, que termina em dezembro. E dos reforços que chegaram na janela até o fim do ano, como Coutinho e Arthur.

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O problema é que dinheiro perdido no futebol não volta mais. E os problemas não se encerram como a participação nas Copas. Eles ainda estão nos clubes. Para São Paulo, Corinthians e Santos, cada eliminação significa menos premiação, menos jogos de alto interesse, menos possibilidade de grandes bilheterias e menos margem para enfrentar dívidas e compromissos acumulados. Os três chegaram à reta final de 2026 sem a possibilidade de disputar um título continental e sem estar na briga pelo Brasileirão. Agora, terão de administrar um fim de ano em que a principal disputa acontece não apenas na tabela, mas contra o próprio calendário financeiro. Nenhum deles tem dinheiro para entrar em 2027 saudável.

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