De todos os 48 países que vão disputar a Copa do Mundo, o Irã é o único que se encontra em conflito armado com um dos anfitriões, os Estados Unidos. Essa situação inédita e complexa, mistura futebol e geopolítica internacional. Apesar da guerra declarada, a exclusão do país asiático foi formalmente descartada pela Fifa e pelo governo americano, que tomam também o torneio como um ativo diplomático. Entretanto, para a seleção iraniana ter participação de maneira segura na competição, uma logística bastante diferente foi planejada entre a Fifa e os envolvidos.

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Os Leões Persas vão ficar hospedados em Tijuana, no México. A seleção cruzará a fronteira para os EUA somente nos dias de jogos e retornarão imediatamente para a sua base do outro lado do muro. Os jogadores iranianos receberam somente na última quinta-feira os vistos de permissão para entrar na América do Norte. A delegação embarca neste sábado para a competição. No último amistoso antes do Mundial, os iranianos venceram a seleção de Mali por 2 a 0, com gols de Saeid Ezatohali e Ramin Rezaeian. A partida foi disputada com portões fechados no Mardam Stadyumu, em Antalya, na Turquia.

Seleção do Irã tenta fazer história mesmo estando em conflito contra os Estados Unidos, um dos anfitriões do torneio / Fifa

O Irã está indo para sua sétima participação na Copa. Entretanto, a equipe do Oriente Médio nunca conseguiu sair da primeira fase da competição. Desta vez, os iranianos estão no Grupo G ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. A estreia será no dia 15 de junho contra os neozelandeses no SoFi Stadium, em Los Angeles. O time da Oceania é bastante frágil e o time persa tem chance de conquistar três pontos logo no seu primeiro jogo.

Exclusão do “Messi iraniano”

Com o experiente técnico Amir Ghalenoei, a seleção iraniana conseguiu um excelente desempenho nas Eliminatórias: 11 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota em 16 jogos. O grande destaque da classificação foi Mehdi Taremi, artilheiro do time na competição com 10 gols. Sua liderança e faro de gol foram essenciais nos jogos decisivos da terceira fase da qualificação. Aos 33 anos, o atacante vai para seu terceiro Mundial e atualmente defende o Olympiakos, da Grécia.

Atacante Sardar Azmoun não foi convocado por ter tirado uma foto com oponente do regime iraniano / Fifa

Contudo, o grupo de jogadores não possui uma grande experiência internacional. Dos dezesseis jogadores convocados, somente quatro atuam no futebol europeu. Um dos assuntos mais controversos da convocação foi a exclusão do atacante Sardar Azmoun, conhecido como o “Messi iraniano”. O jogador já vinha demonstrando desgaste com o regime político do país devido às postagens em redes sociais apoiando o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”.

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O jogador de 31 anos foi um dos principais nomes da campanha nas Eliminatórias e foi o vice-artilheiro do país na competição, com oito gols. Contudo, o motivo principal para o banimento foi a publicação de uma foto de Azmoun ao lado de Mohammed bin Rashid Al Maktoum, o governante de Dubai e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos. Como os Emirados são aliados dos Estados Unidos, o gesto foi considerado pelos líderes iranianos como um ato de deslealdade.

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