Depois de sete anos defendendo o gigante inglês Arsenal, o atacante brasileiro Gabriel Martinelli dá adeus ao clube que acreditou em seu talento desde o início. Ele deixa os Gunners pela porta da frente, cercado pelo respeito da torcida e do próprio clube, encerrando uma passagem marcada por grandes momentos e pela consolidação de seu nome no futebol europeu. Martinelli disputou a Copa do Mundo de 2026, foi um dos jogadores de Carlo Ancelotti e decidiu jogar no Al-Hilal, time que já teve Neymar em suas fileiras. A negociação registrou números assustadores.
Revelado pelo Ituano, Martinelli ganhou os holofotes do futebol brasileiro após a ótima campanha da equipe de Itu no Campeonato Paulista de 2019. Nem faz tanto tempo assim. Aos 17 anos, participou de nove gols em 14 jogos e recebeu o prêmio de revelação da competição naquele ano. O desempenho atravessou o Atlântico e chamou a atenção do Arsenal, que contratou o atacante naquela mesma temporada por 7 milhões de euros — o equivalente a R$ 30 milhões na época. O valor transformou a negociação na maior venda da história do Ituano, marca que permanece até hoje.

O início na Inglaterra não poderia ter sido melhor. Martinelli balançou as redes já em seu segundo jogo e rapidamente mostrou personalidade para aparecer em jogos importantes. Ele balançou as redes contra Liverpool e Chelsea, outros dois gigantes da Premier League. Sua primeira temporada terminou com atuações de destaque e números expressivos para um jogador tão jovem, que demonstrou não precisar de tempo para se adaptar ao futebol europeu. A evolução, porém, foi interrompida por uma lesão na reta final do ano, que o deixou quatro meses afastado dos gramados.
Brasileiro fez história no Arsenal
O problema físico acabou afetando também a sua temporada seguinte, que ficou bem abaixo do nível apresentado anteriormente. Ainda assim, Martinelli conseguiu ser convocado para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021 — realizados naquele ano em razão do adiamento provocado pela pandemia — e integrou a seleção brasileira que conquistou a medalha de ouro pela segunda vez consecutiva (a primeira foi no Rio, em 2016).

Em sua terceira temporada pelos Gunners, no entanto, o brasileiro alternou boas e más atuações, mas seguiu evoluindo dentro do projeto comandado por Mikel Arteta. O Arsenal terminou a Premier League na quinta colocação, e Martinelli recebeu, naquele período, sua primeira convocação para a seleção brasileira principal. O Ituano ficou para trás em sua história, mas nunca em seu coração. O clube está na Série C do Brasileiro e na A2 do Paulista.
Campeão da Champions League
Nas temporadas seguintes na Inglaterra, o ponta ganhou espaço e se consolidou como uma peça importante do time de Arteta. Vieram gols, grandes atuações e momentos decisivos, além de convocações cada vez mais frequentes para a seleção brasileira. A sequência o levou às duas últimas edições da Copa do Mundo e também o colocou no elenco que conquistou a Premier League na temporada passada, encerrando um jejum de 22 anos do Arsenal. Na última temporada, ainda participou da campanha que levou o time ao vice-campeonato da Champions League. Martinelli é nome forte na Europa, mas decidiu por outros caminhos.
Aos 25 anos, ele encerrou o seu ciclo de sete temporadas vestindo a camisa do Arsenal, com 278 jogos, 62 gols, 34 assistências e ainda três títulos conquistados. Números que ajudam a dimensionar a importância que o brasileiro alcançou em um dos maiores e mais tradicionais clubes da Inglaterra. Martinelli vai para a Arábia Saudita. Portanto, o próximo capítulo será bem distante de Londres. Martinelli seguirá para o futebol árabe para defender o Al-Hilal, que desembolsou 65 milhões de euros (R$ 400 milhões) por sua contratação. Quase dez vezes mais do que o Arsenal pagou por ele.
Segundo mais bem pago
Além da transferência milionária, o atacante receberá um salário muito superior ao que ganhava na Inglaterra e passará a ocupar o segundo lugar entre os brasileiros mais bem pagos do futebol mundial, atrás apenas de Vinicius Júnior, do Real Madrid. Com 25 anos, pode não ter sido a decisão certa da carreira, mas ele pode passar um período no futebol saudita e voltar para a Europa.
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A história que começou em Itu, quando um garoto de 17 anos estourou no Campeonato Paulista, agora ganha um novo capítulo no futebol saudita. Entre os dois extremos, Martinelli construiu uma trajetória que poucos poderiam imaginar: saiu do interior de São Paulo, atravessou o Atlântico e se tornou campeão inglês vestindo uma das camisas mais tradicionais do futebol mundial e disputou duas Copas do Mundo.





