Nova York – E no fim das contas, o campo fez justiça. A Bélgica goleou os Estados Unidos por 4 a 1, em Seattle, mesmo com a participação de Folarin Balogun, que deveria estar cumprindo a suspensão automática de uma partida pelo cartão vermelho no jogo anterior. Como se sabe, o atacante que joga pela seleção norte-americana só foi liberado para atuar após a intervenção esdrúxula de Donald Trump junto ao presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Apesar de a Fifa continuar a insistir que o telefonema do presidente dos Estados Unidos não teve qualquer influência na suspensão da pena de Balogun (sob a alegação de que seus “órgãos judiciais são independentes e operam de forma autônoma”), ela também não deu um pio sequer sobre uma eventual falha do árbitro brasileiro Raphael Claus – ou dos assistentes de vídeo –, sobre o cartão vermelho. Foi como se o pisão de Balogun no tornozelo do bósnio Tarik Muharemovic, que originou a intervenção de Claus, nunca tivesse existido.

Só que não: houve a falta, teve a expulsão, mas a suspensão automática de Balogun acabou sendo cancelada por intervenções da Casa Blanca, completamente fora do protocolo recomendável no esporte. A Fifa terá de responder por isso até a próxima Copa do Mundo.
Ironia geral
Como uma espécie de vingança contra essa interferência do presidente Donald Trump no cartão vermelho do jogador dos EUA e a conivência da Fifa, no dia seguinte à goleada de 4 a 1 sofrida pelos norte-americanos diante da Bélgica, as páginas dos jornais europeus estavam recheadas da mais pura ironia.
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“Tudo isso para este resultado?”, divertiu-se o jornal francês L’Équipe na sua mensagem. “Donald Trump agora sabe que o futebol é mais complexo do que simplesmente escalar um jogador suspenso, desafiando todas as regras do esporte”, escreveu o italiano Gazzetta dello Sport. O diário alemão Nieuwsblad foi ainda mais mordaz: “Quem você vai chamar agora, Donald?”, ironizou.
Para a CNN, “a burocracia da Fifa pode ter trazido Balogun de volta, mas telefonema algum no mundo poderia consertar a lamentável defesa da seleção dos Estados Unidos”. Como cereja do bolo, Romelu Lukaku, autor do quarto gol dos belgas, ainda tirou onda de Trump, fazendo uma dancinha ao estilo do presidente dos Estados Unidos. Após toda essa confusão, que não deu em nada pelo resultado de campo, agora o que se espera é que o andamento das partidas deste Mundial seja decidido onde se deve: apenas dentro das quatro linhas.





