A 24ª rodada do Campeonato Brasileiro chegou ao fim na noite desta segunda-feira, com a vitória do Athletico-PR, por 3 a 2, sobre o Botafogo, em Curitiba, e, na análise do que aconteceu ao longo de dez partidas, fica uma constatação incômoda para o São Paulo: entre os clubes envolvidos na parte de baixo da tabela, o Tricolor conseguiu ser o grande perdedor. Não pela posição — continua em 13º lugar —, mas pelo tamanho da oportunidade desperdiçada. Quase todos os concorrentes diretos tropeçaram, mas o time de Dorival Júnior fez pior: perdeu por 1 a 0 para a lanterna Chapecoense, que não vencia havia 22 partidas, quando derrotou o Santos, por 4 a 2, no dia 28 de janeiro, na abertura do Brasileirão.

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São-paulinos em reunião que não dá em nada antes de a bola rolar em Chapecó; Tricolor perde do lanterna / São Paulo FC

Foi a combinação perfeita para aumentar uma crise que já não permite eufemismos. Dos oito times mais ameaçados pelo rebaixamento antes da rodada, somente a Chapecoense venceu. Santos e Mirassol empataram entre si, Internacional também ficou no empate, enquanto Grêmio, Vasco e Remo perderam. O São Paulo, portanto, poderia ter aberto uma pequena margem para respirar. Em vez disso, estacionou nos 27 pontos e viu o Mirassol, primeiro integrante do Z4, chegar aos 24 pontos.

Dorival balança no cargo?

O problema maior, porém, está na tendência. O São Paulo não vence no Brasileiro desde 25 de abril, quando bateu o Mirassol por 1 a 0. De lá para cá, acumulou dez partidas sem triunfo, com quatro empates e seis derrotas. É o segundo maior jejum do clube na era dos pontos corridos, atrás somente das 12 rodadas sem vitória de 2013. Em dez jogos, foram apenas quatro pontos conquistados de 30 possíveis — aproveitamento de 13,3%. A campanha ainda não é pior porque o São Paulo viveu um início quase perfeito. Foram 16 pontos conquistados nas seis primeiras rodadas. Depois disso, somou somente 11 em 17 jogos. A gordura construída no começo do campeonato praticamente desapareceu.

A primeira possibilidade concreta de mudança aparece agora no calendário. Diferente de vários concorrentes envolvidos nas quartas de final da Copa do Brasil, o São Paulo não terá compromisso no meio da semana. Volta a campo apenas no sábado, dia 29, às 20h (horário de Brasília), contra o RB Bragantino, no Morumbis. É uma folga que precisa servir menos para descanso e mais para trabalho. Depois da derrota em Chapecó, Dorival elevou o tom. Classificou a situação como “inadmissível” e “vergonhosa” e reconheceu que aquilo que vem sendo feito já não é suficiente.

Nos corredores do clube social, apesar da pressão de conselheiros, porém, a diretoria não trabalha com a demissão do treinador. A discussão passa por uma mudança na maneira de jogar, inclusive com a possibilidade de adoção de três zagueiros, além do entendimento de parte do clube de que o elenco ainda necessita de reforços para o meio-campo e o ataque. A manutenção de Dorival, portanto, deixa de ser uma demonstração de confiança. Vira uma aposta com prazo cada vez menor para apresentar retorno.

Semana de ‘lavar roupa suja’

A semana livre talvez seja o melhor argumento a favor do treinador neste momento. Dorival terá dias para trabalhar organização defensiva, criação ofensiva, alternativas de formação e tentar devolver confiança a um time que parece abatido. Contra a Chapecoense, o próprio ambiente depois da partida chamou a atenção pelo silêncio e pela falta de reação das principais lideranças. E o Bragantino chega ao Morumbis depois de derrotar o Grêmio na rodada. O time do interior paulista soma 35 pontos e é o sétimo colocado.

São Paulo Artur tenta se livrar da marcação de Camilo
Artur tenta se livrar da marcação de Camilo; jogador foi muito criticado por perder gol feito no início do jogo  / São Paulo FC

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O São Paulo ainda possui campeonato, elenco e jogos em casa suficientes para evitar que a ameaça se transforme em tragédia. Mas a 24ª rodada deixou um aviso impossível de ignorar: enquanto quase todos os rivais diretos perderam a oportunidade de respirar, o Tricolor desperdiçou a chance de se afastar do perigo. Agora ganha aquilo que tanto se pede em momentos de crise: tempo para trabalhar.

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