A Itália entra em campo nesta terça-feira, dia 31, às 15h45 (de Brasília), não apenas para disputar uma partida de futebol, mas para travar um duelo com o próprio destino. Diante da Bósnia e Herzegovina, no Estádio Bilino Polje, em Zenica, a Azzurra encara o último degrau para acabar com um calvário que já dura 12 longos anos. Para uma seleção que ostenta quatro estrelas de Mundial no peito, o confronto é o divisor de águas entre a retomada do orgulho e o fundo do poço de uma crise de identidade que se tornou uma ferida aberta desde 2014.

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O cenário em solo bósnio promete ser o retrato da resistência e da superação. Longe do conforto de seus domínios, onde os desastres contra Suécia e Macedônia do Norte nas últimas duas repescagens foram escritas em mármore frio, a Itália, de Gennaro Gattuso, precisa provar que aprendeu a ter força mental para suportar o caos e a pressão de um jogo de vida ou morte. Tem 90 minutos e mais 30 de prorrogação antes dos pênaltis, se necessário.

Torcida italiana tem demonstrado muito apoio aos comandados de Gennaro Gattuso nas redes sociais / Federação Italiana

O que se verá em Zenica não é apenas um jogo eliminatório. Para os italianos, é também a luta de um grupo que tenta se desvencilhar do rótulo de “geração do fracasso” e evitar que o país assista a mais um Mundial pelo sofá. Caso finalmente avance e chegue à Copa do Mundo, a Itália ocupará uma cadeira no Grupo B do Mundial, ao lado de Canadá, Catar e Suíça. Passaria a ser favorita.

O ‘Everest’ de Gattuso

A Itália chega para essa final calejada. O técnico Gennaro Gattuso, que viveu as glórias de 2006 dentro de campo, quando o time foi campeão, tenta agora transmitir aos seus comandados a resiliência que parece ter faltado nas últimas tentativas. Com nomes como Sandro Tonali e Alessandro Bastoni como pilares, a equipe tenta se apegar à vitória sobre a Irlanda do Norte na semifinal para construir a confiança necessária. Gattuso definiu o confronto sendo o “Everest” italiano, ciente de que a escalada emocional e técnica necessária para superar a pressão e o peso do confronto será bem grande.

Será como escalar o Everest, um feito extraordinário. Sabemos que é difícil, mas a tensão que sentimos também é a deles.
GENNARO GATTUSO

A Bósnia e Herzegovina joga movida por um combustível perigoso: a força de quem não tem nada a perder e a chance de fazer história em casa. A seleção bósnia, que eliminou o País de Gales nos pênaltis, vê nesta repescagem a oportunidade para retornar ao cenário global. O grande símbolo do futebol do país é Edin Džeko, de 40 anos. O veterano atacante comentou o vídeo em que alguns jogadores italianos foram flagrados comemorando a classificação do seu time.

Veterano Edin Džeko cutucou a seleção italiana na véspera do confronto com a Bósnia: vale Copa / Federação Bósnia

A Itália não queria jogar no País de Gales, não sei o porquê. Tem alguma coisa errada. O fato é que eles têm muito em jogo depois de perderem duas Copas.
Edin Džeko

Se a pressão psicológica já não fosse suficiente, o fator climático adicionou um tempero dramático ao confronto. O Estádio Bilino Polje enfrentou fortes nevascas nos últimos dias, o que obrigou as equipes de manutenção a uma força-tarefa para limpar o gramado. Embora a previsão para o horário do jogo indique apenas frio intenso, o campo deve apresentar trechos pesados e grama baixa, o que geralmente favorece um jogo de mais contato e menos velocidade.

Estádio Bilino Polje recebeu muita neve nos últimos dias: o registro da imagem é de sábado, dia 28 / reprezentacija.ba

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O estádio é casa histórica da seleção da Bósnia e Herzegovina e do clube local NK Čelik Zenica. Distante cerca de 75 km da capital Sarajevo, tem capacidade para 15.600 espectadores, mas vai operar com uma redução de 20% (cerca de 2.100 assentos) por conta de punições disciplinares recentes causadas por incidentes com a torcida. Os italianos vão tomar o estádio para empurrar a sua seleção.

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