Algum palmeirense em sã consciência acredita mesmo que Abel não vai brigar até a última gota de sangue pelo título do Brasileirão? Claro que vai. O treinador português não desiste. Nem o seu time. O Palmeiras ganhou partidas memoráveis nos últimos minutos de jogo, jamais se entregou dentro de campo diante de resultados adversos e adquiriu essa condição nos últimos anos com naturalidade. Nada pareceu até hoje impossível ao Palmeiras sob o comando do treinador português.
Há jogadores no elenco que pensam da mesma forma, como o capitão Gustavo Gómez. É como pedir para Vitor Roque deixar de lutar pelas bolas no ataque porque o Flamengo já está com as mãos na taça do Brasileirão. Para mim, tudo não passa de uma estratégia encontrada pelo técnico para mexer com o brio dos seus atletas, que, de fato, perderam o caminho das vitórias. Já são quatro partidas sem ganhar, com duas derrotas e dois empates.

Abel sabe que o time não está bem, mas ele tem uma Libertadores para disputar. Precisa de todos os recursos do seu livro e experiência para mudar a pegada da equipe e resgatar a confiança. Tem uma semana para isso. Vale para a competição sul-americana, mas também para o restinho do Nacional. Faltam três jogos para o fim do torneio e o Fla tem quatro pontos de vantagem. Ou seja, pode perder um dos jogos que lhe restam na disputa. A faca e o queijo estão nas mãos do time rubro-negro, não há dúvidas.
Fla e Palmeiras na gangorra
O desafio é ter esperança nos momentos difíceis. Ter confiança quando tudo vai bem é fácil. Tanto Palmeiras quanto Flamengo passaram o ano numa gangorra. Mas ainda restam mais três jogos. E é nisso que o torcedor, de qualquer time, se apega: na esperança de ganhar, de não ser rebaixado e de sobreviver… É assim na vida. É assim no futebol.
Abel é muito, muito esperto. Ele joga o tempo todo. Leva o seu trabalho como leva a vida. Ele entende os seus jogadores como entende as suas filhas. Por isso não aceita as críticas e as ofensas que vêm da torcida. Com todos os problemas, ele disse após o empate com o Fluminense que não vai permitir que falem mal do seu time na temporada. Prometeu também colocar a boca no trombone sobre o ano, o calendário e as decisões da CBF. Até mesmo as críticas a Flaco me parecem uma estratégia.
CBF e Samir Xaud
A gestão do Palmeiras, da presidente Leila Pereira, aceitou todos os mandos e desmandos da entidade de Samir Xaud, como jogar as três últimas partidas do Brasileirão fora de casa. Nenhum clube competitivo aceitaria isso sem reclamar. O Palmeiras aceitou. A CBF abusou do Palmeiras e o Palmeiras se deixou ser abusado neste ano.






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