“Siuuuuuuuuuu!” Na Copa do Mundo dos protagonistas, faltava um personagem entrar em cena. Não falta mais! A estrela chamada Cristiano Ronaldo, enfim, pode bater no peito e dizer a plenos pulmões: “Eu estou aqui!” Enquanto Messi já colecionava recordes, Mbappé alimentava sua fome de gols, Haaland fazia valer sua força bruta e Vinícius Júnior simbolizava a esperança do hexa brasileiro, Cristiano Ronaldo permanecia como um figurante incômodo da própria história.

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A estreia sem gols diante da República Democrática do Congo deixou Portugal sob desconfiança. O empate por 0 a 0 alimentou críticas ao desempenho da seleção, abriu espaço para rumores sobre um ambiente turbulento no elenco e, pela primeira vez em muito tempo, colocou justamente o maior ídolo da história do futebol português no centro da berlinda.

Cristiano Ronaldo marcou dois gols na primeira vitória de Portugal na Copa: 5 a 0 contra o Uzbequistão / Portugal

Mas há jogadores que transformam pressão em combustível. E poucos fizeram isso tantas vezes quanto Cristiano Ronaldo. A resposta veio na tarde desta terça-feira, em Houston. Com dois gols, uma atuação dominante e a liderança de sempre, o camisa 7 comandou a goleada de Portugal por 5 a 0 sobre o Uzbequistão, pela segunda rodada do Grupo K da Copa do Mundo. Muito mais do que garantir a classificação antecipada para a fase de mata-mata, os portugueses reencontraram a confiança e recolocaram seu principal astro no centro dos holofotes do Mundial.

E que ‘estureia’ teve CR7

Foi, enfim, a estreia de Cristiano Ronaldo nesta Copa. E que estreia. Os números ajudam a dimensionar a dimensão histórica da tarde texana. Os dois gols fizeram o craque chegar a 145 em 230 partidas pela seleção portuguesa, ampliando ainda mais um recorde que já lhe pertencia. Em Copas do Mundo, alcançou a marca de dez gols, ultrapassando os nove de Eusébio, herói da campanha portuguesa em 1966, tornando-se o maior artilheiro da história do país em Mundiais.

Também entrou definitivamente para a história como o primeiro jogador a marcar gols em seis edições consecutivas da Copa do Mundo, uma façanha que parece destinada a permanecer intocável por muitos anos. Aos 41 anos, tornou-se ainda o segundo jogador mais velho a marcar em uma Copa, atrás apenas do camaronês Roger Milla.

Como se tudo isso não bastasse, Cristiano Ronaldo encerrou a tarde com 975 gols na carreira. Faltam agora 25 para atingir a simbólica marca de mil gols oficiais, um objetivo que o colocaria em uma galeria reservada aos gigantes eternos do futebol, onde a memória de Pelé permanece como referência máxima.

Portugal foi soberano

Em campo, Portugal não deu qualquer margem para surpresa. Desde o apito inicial, a equipe de Roberto Martínez tomou conta da partida, controlando a posse de bola, sufocando a saída adversária e transformando o duelo numa sucessão de ataques. Em muitos momentos, a impressão era a de um treino entre titulares e reservas, tamanha a diferença técnica entre as equipes.

O Uzbequistão não conseguia respirar. Quando, enfim, encontrou um raro momento de inspiração, Ganiev acertou um belíssimo chute no ângulo após aproveitar um erro de João Cancelo na saída de bola. O estádio chegou a comemorar um dos gols mais bonitos da Copa, mas o VAR identificou falta na origem e anulou o lance.

Cristiano Ronaldo abriu o caminho

O restante do jogo pertenceu inteiramente aos portugueses. Logo aos seis minutos, Cristiano Ronaldo abriu o placar ao antecipar-se aos zagueiros para completar de primeira o cruzamento preciso de Vitinha. Era o primeiro gol de um jogador em seis Copas consecutivas. O tradicional “Siiiiiuuu” ecoou pelas arquibancadas de Houston. Aos 16 minutos, Nuno Mendes ampliou em cobrança de falta perfeitamente executada. Cristiano posicionou-se sobre a bola apenas para despistar o goleiro Nematov, deixando o companheiro finalizar com precisão.

O terceiro nasceu daquilo que Portugal buscava desde o início: pressionar a saída adversária. Aos 38 minutos, o Uzbequistão errou na troca de passes, Bruno Fernandes acelerou o contra-ataque e entregou um passe na medida para Cristiano Ronaldo tocar na saída do goleiro e marcar mais um. O primeiro tempo terminou exatamente como refletia o jogo: 65% de posse de bola para Portugal, oito finalizações, domínio absoluto e um confortável 3 a 0 no placar.

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Depois do intervalo, Roberto Martínez fez mudanças, administrou o ritmo da equipe e viu o time continuar soberano. O público sonhava com o hat-trick de Cristiano, que ainda teve algumas oportunidades, mas ele não veio. O que não impediu que Portugal fechasse uma goleada implacável, com mais dois gols. O quarto gol acabou saindo em um lance infeliz da defesa uzbeque. Aos 13 minutos, Bruno Fernandes cobrou escanteio rasteiro, Cristiano tentou completar de letra, a bola desviou duas vezes em Khusanov antes de morrer no fundo da rede. O baile foi encerrado aos 41 minutos, quando Rafael Leão recebeu pela esquerda, invadiu a área e fechou a goleada por 5 a 0.

A atuação também representou uma resposta de Martínez também. Depois das críticas pela estreia decepcionante, o treinador promoveu duas mudanças importantes na equipe. Rúben Dias retornou à defesa no lugar de Tomás Araújo, enquanto João Félix ganhou a vaga de Bernardo Silva. As alterações deram mais equilíbrio, intensidade e criatividade a uma seleção que parecia irreconhecível apenas quatro dias antes.

Foi uma semana difícil, especialmente para mim. Mas demos uma resposta.
Cristiano Ronaldo

Feliz e aliviado, CR7 mantém vivo o sonho de levar Portugal à uma final de Copa do Mundo. Não há um português que não acredite. Afinal, enquanto Cristiano Ronaldo estiver em campo, sempre haverá espaço para mais um sonho. E mais um capítulo da história.

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