Por Leonardo de Sá

A prioridade absoluta da nova gestão do São Paulo é colocar o salário dos jogadores em dia. Em uma tentativa de encerrar o ciclo de faltas recorrentes que marcou o clube nos últimos anos, o presidente Harry Massis firmou um acordo com os atletas para parcelar os vencimentos pendentes em até dez vezes. A medida busca equilibrar o caixa e garantir que os salários em carteira não sofram novos descompassos, utilizando a transparência como moeda de troca para manter a paz no vestiário. O gerente Rafinha tem conversado com os atletas. Parcelar o pagamento durante o ano não é o melhor caminho, mas ao menos é um caminho. Antes, nem isso tinha.

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O plano de saneamento financeiro no clube não se resume ao futebol. Massis iniciou uma “faxina” administrativa que deve gerar uma economia de R$ 4 milhões até o fim de 2026. Mensalmente, isso equivale a R$ 400 mil em dez meses. As demissões de profissionais da alta cúpula, como o superintendente Márcio Carlomagno e o diretor de comunicação José Eduardo Martins, além de cortes no quadro social, servem como um gesto de austeridade. Embora simbólico diante de uma dívida total de R$ 912 milhões — dado confirmado pelo último balanço da Galápagos Capital —, o movimento é o que sustenta o discurso de pé no chão da nova diretoria.

Rafinha em visita aos jogadores do São Paulo no ano passado: jogador virou gerente de futebol no clube / São Paulo FC

Se o salário registrado em carteira está controlado, o problema real reside nos direitos de imagem. A apuração indica que o atraso varia de dois a quatro meses, com uma dificuldade acentuada no caso dos atletas estrangeiros, que enfrentam entraves burocráticos para a emissão de notas fiscais. Os valores dos direitos de imagens também são maiores. O clube ainda deve 10 prestações de R$ 400 mil para o lateral Daniel Alves.

Cenário ainda complexo

Para contornar a insatisfação, o presidente contou com Rafinha como fiador moral. Ele foi o elo entre presidência e o elenco, abrindo as contas do clube em reuniões para convencer os jogadores a aceitarem o prazo estendido para o acerto. Existe a promessa de encurtar as prestações se o mais dinheiro entrar.

O entendimento interno é que essa abertura foi fundamental para manter o foco no futebol. Mesmo com o cenário complexo, o compromisso de manter a folha rigorosamente em dia foi assegurado por Harry Massis. A estabilidade foi o que permitiu o avanço em reforços pontuais. Agora, o futebol fica centralizado nas mãos de Rui Costa, que lida diretamente com Massis para evitar que a política interfira nas decisões de campo. Em dezembro, o clube vive novas eleições.

Continuidade no Marketing e Morumbi

Enquanto tenta pagar o que deve, o São Paulo também corre para manter suas receitas. O presidente admitiu dificuldades com patrocínios, mas acreditou no trabalho de Eduardo Toni à frente do marketing. A missão é urgente: o contrato de naming rights do estádio com a Mondelez, o MorumBis, chega ao fim neste ano.

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O desfecho dessa reengenharia financeira ainda depende de um fluxo de caixa rigoroso. O plano inicial previa quitar tudo até maio — atraso com os direitos de imagem dos atletas —, mas a realidade das contas forçou o esticamento do prazo. No Morumbi, a ordem é clara: cortar gastos na sede para garantir que a bola continue rolando sem o peso das dívidas nas costas dos atletas. Por enquanto tem dado certo.

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