Há algo estranho e familiar acontecendo com o Palmeiras. Muda o ano, mudam alguns personagens, o elenco recebe novas peças, mas agosto volta a colocar o trabalho do técnico Abel Ferreira diante de um daqueles momentos em que resultados, desempenho e pressão parecem caminhar com muito perigo na mesma direção. Foi assim em 2025. Está sendo novamente em 2026. Mas existe uma diferença importante entre os dois momentos. Há um ano, o Palmeiras conseguiu interromper rapidamente a turbulência. Agora, os sinais de desgaste começam a aparecer também no placar. E isso torna o atual cenário mais preocupante.
Em agosto do ano passado, a crise explodiu depois da eliminação para o Corinthians nas oitavas de final da Copa do Brasil. O Palmeiras perdeu os dois clássicos — 1 a 0 na Neo Química Arena e 2 a 0 em casa — e deixou a competição, no dia 6 de agosto, com um agregado de 3 a 0. O segundo resultado levou para fora das quatro linhas uma insatisfação que vinha sendo represada. Houve protestos nos arredores da Academia de Futebol e até pedidos pela saída de Abel.

Lições do passado recente
Parecia o início de uma degringolada, mas não foi. A resposta esportiva veio quase imediatamente. O Palmeiras venceu o Ceará pelo Brasileiro e, poucos dias depois, desembarcou em Lima para enfrentar o Universitario pela Libertadores. Voltou do Peru com um categórico 4 a 0 e a classificação praticamente resolvida. Aquele time estava pressionado, mas ainda sabia reagir.
Tanto que a queda de rendimento de 2025 somente aconteceria meses depois, justamente quando os grandes títulos estavam ao alcance das mãos. O Palmeiras chegou ao fim de novembro sem vencer por seis partidas, registrou apenas 33% de aproveitamento no mês e perdeu força na disputa do Brasileiro antes de ser derrotado pelo Flamengo por 1 a 0 na final da Libertadores. Por isso, seria incorreto dizer que agosto iniciou a derrocada de 2025. O mês, no entanto, deixou um aviso.
E é justamente aí que começa a comparação com 2026. O Palmeiras atual também entrou no trecho mais delicado da temporada perdendo rendimento. Desde a vitória por 3 a 0 sobre o Fortaleza, na ida das oitavas da Copa do Brasil, não ganhou mais. Perdeu a volta por 3 a 2 — ainda assim avançando por 5 a 3 no agregado —, empatou sem gols com o Internacional pelo Brasileiro, ficou no 1 a 1 com o Cerro Porteño pela Libertadores e agora foi derrotado por 3 a 2 pelo Fluminense, no Maracanã.
Jejum de vitória
São quatro partidas consecutivas sem somar um triunfo: duas derrotas e dois empates. E a maneira como ocorreu o tropeço diante do Fluminense, por 3 a 2, aumentou a sensação de que alguma coisa está fora do lugar. O Palmeiras ficou duas vezes à frente do placar e ainda assim perdeu para um adversário que não vencia havia oito jogos. Dessa maneira, transformou uma vitória que parecia encaminhada em mais uma pancada para um time que atravessa seu momento mais instável na temporada.
Apesar da irritação com as perguntas incisivas sobre o motivo de o Palmeiras estar jogando mal, o próprio técnico Abel Ferreira reconheceu depois da partida que a equipe vive uma fase ruim “individual e coletiva”. Ao mesmo tempo, fez questão de lembrar que o Palmeiras continua líder do Brasileiro e ainda está vivo nas demais competições.

E ele tem razão. O problema é exatamente esse. O Palmeiras não está em crise porque perdeu seus objetivos. Está em crise porque corre o risco de comprometê-los todos justamente quando o calendário deixa de permitir erros. Continua na liderança do Brasileiro, com 48 pontos, mas vê o Flamengo, com 42 pontos e dois jogos a menos, ameaçar uma vantagem que até pouco tempo parecia confortável. Está nas quartas de final da Copa do Brasil, onde enfrentará o Santos. E segue vivo na Libertadores.
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Só que a sobrevivência continental passa agora por Assunção. Depois do empate em casa com o Cerro Porteño, o Palmeiras precisará vencer no Paraguai para avançar sem depender dos pênaltis. É nesse ponto que o filme de 2025 encontra o roteiro de 2026. Há um ano, quando agosto ameaçou incendiar o ambiente, o Palmeiras respondeu goleando no Peru e recuperou confiança para continuar brigando pelos principais títulos. Agora, novamente em agosto, aparece outra oportunidade de reação fora do Brasil. Assunção dirá muita coisa. Inclusive se estamos realmente assistindo ao mesmo filme — ou se, desta vez, o final pode ser bem pior.





