O Morumbis voltou a receber o São Paulo depois de quase três meses, mas a festa que a torcida imaginava ficou pelo caminho. Mais uma vez, o saldo da noite foi um sentimento renovado de frustração com o resultado e de preocupação com o futuro da equipe no Brasileirão. O roteiro foi o de sempre desde que o técnico Dorival Júnior retornou ao clube: o time começa bem, domina o adversário, abre o placar e, quando parece ter o jogo sob controle, deixa o resultado escapar. O empate por 1 a 1 com o Coritiba, na noite deste sábado, foi mais um capítulo de uma história que já cansou de se repetir.
A paciência acabou. As vaias no final não foram apenas uma reação ao empate. Foram o desabafo de uma torcida que já não encontra explicação razoável para uma sequência de nove jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro. É a frustração de quem viu o São Paulo frequentar a parte de cima da tabela no início da competição e agora precisa fazer contas para preservar uma distância mínima segura da zona de rebaixamento.

São Paulo flerta com a degola
O número é incômodo: são 27 pontos, apenas cinco acima da linha de corte. E, sob o comando de Dorival Júnior, este foi o quinto empate por 1 a 1. Um placar que começa a adquirir a aparência de sentença para um time que não consegue transformar seus bons momentos em vitórias. Contra o Coritiba, durante boa parte do primeiro tempo, parecia que finalmente poderia ser diferente. O São Paulo chegou a controlar 70% da posse de bola em alguns momentos, ocupou o campo de ataque e não permitiu ao adversário criar qualquer situação capaz de ameaçar Rafael. Pela direita, Lucas Ramon encontrou espaço para avançar repetidamente e cruzar. Pela esquerda, Victor Sá teve mais dificuldades. Pelo meio, entretanto, o time continuava sem encontrar caminhos.
A bola circulava, mas faltava contundência. Mesmo assim, um gol aos 42 minutos trouxe um alívio. Pablo Maia recebeu de frente para a área, livrou-se da marcação com um corte seco e bateu no canto, de canhota, com efeito. Um gol que premiava a superioridade tricolor e dava à torcida a sensação de que, enfim, a noite poderia terminar com a maldição do fracasso. Os minutos restantes do primeiro tempo foram de controle. Troca de passes, posse de bola e nenhuma indicação de que o Coritiba pudesse reagir.
Só que esse São Paulo não tem conseguido sustentar aquilo que constrói. A ideia para o segundo tempo, naturalmente, era administrar a vantagem sem abandonar o jogo. O problema é que não houve tempo sequer para colocar o plano em prática. Aos 11 minutos, o Coritiba chegou ao empate. Bola levantada na área, Tiago Coser subiu mais do que a defesa e cabeceou no segundo pau para o gol.
Filme repetido
Foi o suficiente para desmontar o São Paulo. O time sentiu o golpe, demorou para reagir e voltou a depender quase exclusivamente dos cruzamentos para tentar chegar ao segundo gol. É pouco repertório ofensivo para quem precisa vencer. Ainda assim, duas oportunidades apareceram. Luciano cabeceou e a bola passou raspando o ângulo direito. Depois, Calleri recebeu em condição de finalizar à queima-roupa dentro da área. Quando a torcida já ensaiava o grito de gol, Pedro Morisco apareceu com uma defesa milagrosa.
Quanto mais o tempo passava, maior ficava a sensação de que o São Paulo estava condenado a repetir a própria história. No fim, sobraram as reclamações contra a arbitragem da catarinense Charly Straub, a busca por um possível pênalti e a esperança de que o VAR pudesse oferecer aquilo que o time não conseguiu conquistar dentro de campo. Nos dois lances reclamados — falta em Calleri e bola na mão do zagueiro Coser —, a juíza ignorou as penalidades com convicção e dispensou o auxílio do VAR.
Torcida não aguenta mais
Mais um empate e mais vaias. Já são 14 jogos de Dorival Júnior sem vencer um adversário brasileiro no ano (incluindo algumas partidas em seu final de ciclo no Corinthians). E nove partidas consecutivas do Tricolor sem vitória no Brasileiro. É uma sequência que não pode ser tratada como simples acidente de percurso. O São Paulo se agarra ao empate conquistado diante do Bolívar, em La Paz, como um resultado capaz de oferecer algum alento, e também à força histórica do Morumbis. Mas nem o ambiente de sua casa foi suficiente para mudar o destino de mais uma noite frustrante.

Pouco mais de cinco meses atrás, o time experimentava a boa sensação de ocupar a liderança do campeonato. Hoje, precisa olhar para trás. São apenas cinco pontos de margem para a zona de rebaixamento. E talvez seja justamente aí que esteja a maior ironia dessa história. Quando Hernán Crespo falou que o objetivo principal era chegar aos 45 pontos e escapar do rebaixamento, foi tratado como alguém que pensava pequeno demais para o tamanho do São Paulo. A diretoria entendeu que aquela não poderia ser a ambição de um clube que começara tão bem o campeonato e decidiu interromper seu trabalho.
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O futebol, às vezes, tem dessas crueldades. Talvez Crespo simplesmente estivesse enxergando aquilo que muita gente preferiu não ver. Hoje, o São Paulo perambula longe da liderança e já começa a fazer contas para não se aproximar demais do abismo. E a torcida, que durante tanto tempo sustentou o time mesmo nos momentos difíceis, finalmente perdeu a paciência. As vaias do Morumbis foram o retrato mais fiel da noite.





