O Palmeiras chegou ao Maracanã cercado por uma cobrança que não combinava com a liderança do Campeonato Brasileiro. Após três empates seguidos por 1 a 1 pelo Brasileirão, Santos, Remo e Cruzeiro, e a derrota para o Cerro Porteño, por 1 a 0, na Copa Libertadores, questionamentos sobre o rendimento e a necessidade de provar, contra o Flamengo, que o primeiro lugar não era apenas consequência de regularidade anterior. A resposta veio com força. O time do técnico Abel Ferreira venceu por 3 a 0, quebrou um incômodo tabu diante do rival carioca e saiu do Rio de Janeiro com uma daquelas vitórias que reorganizam ambiente, tabela e confiança.
Mais do que isso, no confronto direto dos líderes, o Palmeiras abre sete pontos (38 a 31), e o Flamengo tem uma partida a menos. Na terceira colocação, o Fluminense, que perdeu para o Mirassol (1 a 0), fora de casa, estacionou nos 30 pontos. O São Paulo ficou no empate (1 a 1) com o Botafogo, no Morumbis, e segue provisoriamente em quarto, com 25 pontos. Os dois últimos disputaram 17 partidas.

Os palmeirenses celebram o fim do jejum de quase 11 anos sem vitória sobre o Rubro-Negro, no Maracanã. E, por fim, a última vez que venceu por três gols de diferença no local foi a goleada por 4 a 1, no dia 9 de dezembro de 1979.
Sempre uma Cria da Academia
Os palmeirenses celebram o fim do jejum de quase 11 anos sem vitória sobre o Rubro-Negro, no Maracanã. E, por fim, a última vez que venceu por três gols de diferença no local foi a goleada, por 4 a 1, em 1979.
O Palmeiras precisava de uma resposta grande. Encontrou uma resposta de gente grande nos pés — e no ombro — de uma Cria da Academia, mas antes contou com a expulsão de Carrascal, com o chute na cabeça de Murilo, ainda no primeiro tempo. Isso mudou o roteiro da partida, mas coube ao Palmeiras transformar a vantagem numérica em autoridade competitiva. Contra o adversário que havia se transformado em pedra no caminho alviverde nos últimos anos, Allan assumiu protagonismo, participou com assistência para o gol de Flaco López e marcou o segundo.
O gol de Allan deu à vitória um significado especial. Nesta era Abel Ferreira, depois de Endrick e Estêvão, o Palmeiras viu mais uma joia formada em casa atuar com personalidade em um jogo grande. Não foi apenas um garoto fazendo parte do elenco. Foi um jogador jovem assumindo responsabilidade, interferindo diretamente no placar e ajudando o time a vencer um adversário que chegou ao confronto como favorito. A base alviverde, mais uma vez, entregou futebol de gente grande.
Pressão do mandante
O início da partida, porém, não apontava para uma noite tão confortável do Palmeiras. O Flamengo começou mais presente no campo ofensivo, tentou acelerar pelos lados e buscou empurrar o adversário para perto de sua área. Carlos Miguel precisou aparecer em momentos importantes, enquanto o time paulista tentava se ajustar ao ritmo imposto pelos donos da casa. O jogo mudou de direção ainda no primeiro tempo, quando Carrascal foi expulso após uma entrada dura em Murilo. A partir dali, o Flamengo perdeu força, equilíbrio e clareza.
Com um jogador a mais, o Palmeiras não se precipitou. Foi tomando conta da partida aos poucos, com paciência para circular a bola e inteligência para explorar os espaços que começaram a surgir. O primeiro gol nasceu dessa leitura. Allan, uma das crias da Academia, participou da construção pela esquerda e encontrou Flaco López em boa condição. O argentino limpou a jogada e finalizou com firmeza para abrir o placar. Mais do que vantagem numérica transformada em gol, foi o lance que mudou o estado emocional da partida.
Baque no campo e na torcida
O Flamengo sentiu. O Maracanã, que até então empurrava o time da casa, passou a assistir a um Palmeiras mais seguro, mais maduro e mais confortável no jogo. No segundo tempo, o time de Abel Ferreira não se limitou a defender o resultado. Controlou o ritmo, reduziu os espaços do rival e escolheu melhor os momentos de acelerar. Foi nesse cenário que Allan voltou a aparecer como personagem central da noite. Ele carregou pelo meio, participou da jogada, insistiu no lance e apareceu para completar de ombro, fazendo o segundo gol palmeirense.
Nos minutos finais, Paulinho fechou a conta e transformou o triunfo. O terceiro gol ampliou o peso do resultado e deixou ainda mais evidente a diferença entre uma equipe que soube administrar o jogo e outra que se perdeu depois da expulsão. Para Paulinho, também foi um momento importante: marcar em uma vitória desse tamanho, no Maracanã, contra o Flamengo, tem valor técnico e simbólico. O 3 a 0 não foi apenas um placar elástico. Foi uma mensagem.

Fim do jejum
A confusão no fim da partida mostrou como Flamengo e Palmeiras passaram a carregar uma rivalidade de alta voltagem. Já não se trata apenas de dois clubes grandes se enfrentando. É um confronto marcado por decisões recentes, disputas nacionais, provocações, frustrações e memória competitiva. O clima quente após o terceiro gol revelou a irritação rubro-negra e a intensidade de um jogo que, para o Palmeiras, valia muito mais do que três pontos.
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A vitória também teve peso histórico. O Palmeiras não vencia o Flamengo no Maracanã desde o 2 a 1, em 6 de dezembro de 2015, na última rodada do Brasileirão. Pelo Campeonato Brasileiro, o último resultado positivo foi em 12 de novembro de 2017, quando levou, por 2 a 0, na 34ª rodada, no Allianz Parque. Por isso, o resultado precisa ser lido em camadas: quebrou tabu, afastou a pressão, consolidou a liderança e reafirmou a força de um projeto que segue revelando jogadores decisivos. No Maracanã, o Palmeiras não apenas ganhou do Flamengo. Ganhou autoridade, ganhou distância na tabela e ganhou mais um capítulo de orgulho para as Crias da Academia.





