O interesse do Manchester City por Allan coloca o Palmeiras diante de um problema que a diretoria vinha tentando evitar nesta temporada: a pressão do mercado sobre um dos jogadores titulares do elenco de Abel. O clube mantém o discurso de que não pretende negociar seus principais jogadores, mas o cenário pode mudar caso apareça uma proposta capaz de fazer a diretoria repensar a decisão. E há outro ingrediente nessa história: Allan acena que gostaria de deixar o Palmeiras. Isso muda o cenário. Há multa (100 milhões de euros) e contrato vigente, mas a presidente Leila Pereira já disse que não segura jogador que não queira ficar. Allan tem 22 anos.
O Manchester City monitora o jogador como possível alternativa para a saída de Savinho, que está em negociação avançada com o Tottenham. Ainda não existe proposta oficial pelo palmeirense, mas o interesse inglês aumenta a possibilidade de uma nova investida pelo atacante. O City não é o primeiro clube europeu a olhar para Allan. O Napoli tentou avançar pela contratação no início da temporada, enquanto o Aston Villa chegou a sinalizar uma operação na casa dos 30 milhões de euros, entre valores fixos e bônus.
Não há oferta ainda
O Palmeiras recusou abrir negociação. Não há oferta na mesa de Leila. Portanto, o interesse é apenas de boca. Com isso, o Palmeiras ganha tempo.

A posição do clube, até agora, é clara: Allan não está à venda. A estratégia da gestão de Leila é preservar os jogadores considerados fundamentais para a disputa da temporada e evitar que o elenco seja desmontado no meio do caminho. Mas dinheiro faz as pessoas mudarem de opinião. Por menos de 40 milhões de euros nenhuma conversa será aberta. Depois de anos em que o Palmeiras transformou grandes promessas em grandes negócios, a prioridade agora é outra: manter força esportiva e buscar títulos. Leila está em seu penúltimo ano de mandato. Para isso, a diretoria entende que não faz sentido perder um titular por um valor que não considere extraordinário.
Oferta ainda não chegou
Mas o jogador começa a enxergar o mercado de outra maneira. Allan sabe que uma transferência para a Inglaterra pode representar um salto importante na sua carreira. Por isso, se uma oferta concreta for feita, o atleta e o seu estafe entende que pode ser hora de sair. Nunca antes deixar o Palmeiras foi uma possibilidade. Mas isso mudou. Não se trata, neste momento, de uma ruptura ou de um pedido formal de transferência, mas de uma mudança na equação: o clube quer ficar com o jogador, enquanto Allan não fecha a porta para uma transferência.
Não há outro como Allan no elenco
O Palmeiras tem motivos esportivos para resistir. Allan se tornou titular e Abel não se cansa de elogiá-lo. Com o time com três zagueiros, ele passa a ser mais importante. A função exige velocidade, capacidade de drible e poder de desequilíbrio no um contra um — características que fazem de Allan uma peça difícil de substituir dentro do elenco. Khellven e Felipe Anderson já foram utilizados e fracassaram. Nenhum dos dois oferece o mesmo repertório.

Os números ajudam a explicar por que o mercado europeu voltou a olhar para Allan. Ele é o líder de dribles certos do Campeonato Brasileiro em 2026, com 33 em 20 partidas, média de 1,65 por jogo. Na Libertadores, soma dez dribles certos e aparece entre os principais jogadores do Palmeiras também na criação de oportunidades. Na temporada, são seis gols e cinco assistências, números que reforçam a importância que ganhou de Abel.
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A situação lembra, em parte, o que aconteceu com Vitor Reis no início de 2025. O Palmeiras não queria negociar o zagueiro, mas o Manchester City apareceu com uma proposta de 35 milhões de euros, considerada irrecusável. A transferência se transformou na maior venda de um zagueiro da história do futebol brasileiro e em uma das maiores negociações da história palmeirense. Agora, novamente, é o City que aparece no caminho de um jogador que o Palmeiras gostaria de manter.
Prazo de venda vai dia 31
A diferença é que, desta vez, o Palmeiras tem uma janela curta para decidir e o jogador também tem voz nessa história. A janela da Premier League fica aberta até 31 de agosto, enquanto os clubes brasileiros podem contratar até 11 de setembro. Se o City transformar o interesse em proposta e Allan demonstrar que deseja sair, a diretoria terá de decidir o que fazer.





