Allan está por um exame médico e pela sua assinatura no contrato para se tornar jogador do Manchester City. Por pouco, o garoto crescido na Academia do Palmeiras não tem a oportunidade de ser treinador por Pep Guardiola, que não está mais no clube inglês. O jogador viaja nesta semana para a Inglaterra. Ele já não joga mais pelo Palmeiras. Conforme informou The Football há duas semanas, o Palmeiras sempre quis 40 milhões de euros (R$ 240 Milhões) pelo atleta. Poderia ganhar mais, mas nunca menos do que isso. O bom dessa história é que o clube brasileiro não foi refém das ofertas europeias, como costuma see no país. O Palmeiras encaminhou a venda e espera receber o quanto antes a bolada ou parte dela.
A operação prevê 37,5 milhões de euros fixos e outros 2,5 milhões milhões em bônus facilmente alcançados. O clube inglês chegou ao valor considerado mínimo pelo Palmeiras para abrir mão de um jogador que se tornou titular de Abel Ferreira em 2026. A negociação também mostra a velocidade da valorização de uma das principais revelações recentes da Academia. Esportivamente, Abel perde um titular, mas não um jogador capaz que decidir jogos.

A história financeira de Allan impressiona. O Palmeiras havia investido R$ 1,6 milhão para adquirir 20% dos direitos do jogador em negociação com o Figueirense. Cerca de um ano depois, essa participação passou a representar R$ 48 milhões dentro da operação com o Manchester City. É uma valorização de cerca de 2.900% sobre o valor originalmente investido pelo clube. O Palmeiras possui 90% dos direitos econômicos do atleta, enquanto o Figueirense fica com a mínima parte na transferência.
Da base para a Premier League
O negócio coloca Allan entre as grandes vendas da história do Palmeiras de todos os tempos e confirma uma característica que o clube vem explorando cada vez mais: transformar jogadores da base em ativos de enorme valor no mercado internacional. Mais do que isso, o Palmeiras coloca suas crias em grandes clubes espalhados pela Europa e quase sempre nas manchester esportivas. Vitor Reis, Endrick, Estêvão e agora Allan são exemplos diferentes do mesmo modelo.
O Palmeiras consegue desenvolver o jogador, colocá-lo em evidência no time principal e esperar o momento em que o mercado europeu transforma desempenho em milhões de euros. A venda salva o balanço do Palmeiras, que fechou o primeiro semestre no vermelho em R$ 124 milhões. Havia a possibilidade de o clube recorrer para a Crefisa, de Leila Pereira, para pagar as contas em dia.

Allan chega ao Manchester City porque chamou atenção por aquilo que mais falta em muitos jogadores jovens: capacidade de desequilibrar no drible, no um contra um. Os europeus adoram isso. Canhoto, versátil e capaz de atuar pelos dois lados do campo e também como meia, ele ganhou espaço com Abel e se tornou uma das principais armas ofensivas do Palmeiras. O próprio clube destaca a habilidade nos dribles e o refinamento técnico como algumas de suas principais características. Ele é bom jogador, mas precisa de lapidação. Precisa jogar. Os jogadores que deixaram o Palmeiras recentemente são reservas em seus respectivos clubes.
42 jogos em 48 do ano
Neste ano, Allan participou de 42 dos 48 jogos do Palmeiras, sendo titular na maior parte deles, e acumulou seis gols e seis assistências, segundo os levantamentos divulgados durante a negociação pelo clube. É pouco. Mas ele se destacou nos dribles e na criação de jogadas. O crescimento foi rápido: saiu de uma promessa da base para titular de um dos principais clubes do futebol brasileiro e, em poucos meses, despertou o interesse de um dos gigantes da Premier League.
No Manchester City, porém, a função tende a ser diferente da que Allan desempenha no Palmeiras. O clube inglês o observa como substituto de Savinho, que está sendo negociado com o Tottenham. A ideia é aproveitar sua capacidade de jogar aberto, receber no pé, atacar o marcador e criar superioridade pelos lados. Allan não chega para ser apenas mais um atacante no elenco: chega porque o City identificou características específicas que podem preencher o espaço deixado pelo brasileiro. Ele também não será mais um ala e terá poucas funções defensivas, embora saiba fazer o serviço.
Allan vai ser ponta no City
O grande desafio será a adaptação. No Palmeiras, Allan encontrou em Abel um treinador que lhe deu liberdade e, ao mesmo tempo, exigiu intensidade, recomposição e disciplina tática. No City, ele terá de disputar espaço em um ambiente mais competitivo, com jogadores de alto nível e uma exigência técnica ainda maior. A velocidade do futebol inglês e a necessidade de tomar decisões em espaços cada vez menores serão os primeiros testes para saber se o talento que apareceu no Brasil consegue se transformar em jogador de elite na Europa.
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A venda de Allan é, portanto, mais do que uma negociação de R$ 240 milhões. É o retrato de como o Palmeiras passou a funcionar no mercado: compra participação, desenvolve talento, transforma promessa em jogador importante e vende quando o mercado chega ao preço desejado. O Palmeiras faz o seu preço. Aos 22 anos, Allan deixa o Palmeiras valorizado em milhares de pontos percentuais e chega ao Manchester City com uma missão clara: provar que o jogador que encantou Abel e virou negócio milionário também pode sobreviver à exigência de um dos maiores clubes da Inglaterra.





