Carlo Ancelotti não quer saber de amistosos de fachada. Para o técnico da seleção brasileira, até mesmo um jogo sem valer nada precisa ser encarado com seriedade. É com essa mentalidade que o Brasil se prepara para enfrentar a Austrália e depois a Índia, nos primeiros confrontos depois do fracasso da seleção na Copa do Mundo diante da Noruega nas oitavas de final. O italiano vê a partida amistosa como parte importante do novo ciclo que começa com vistas na Copa América de 2028 e Mundial de 2030. Será o primeiro jogo do Brasil contra a Índia.

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“Mas para nós, nunca existem jogos amistosos”, disse Ancelotti ao comentar sobre os desafios desta data-Fifa. A declaração resume a postura que o treinador pretende levar para a seleção nos próximos compromissos. O Brasil fará dois jogos diante da Austrália, nos dias 25 e 29, antes de viajar para a Índia. O confronto em Calcutá será o terceiro compromisso do Brasil fora de casa. Para Ancelotti, esses jogos valem muito. Para o torcedor, a impressão é que ainda há uma ressaca após a Copa. Os dois primeiros jogos serão às 7h (de Brasília), com transmissão do grupo Globo (Globo, SporTV e GETV).

Ancelotti recomeça o seu trabalho com a seleção brasileira na Austrália, com dois amistosos, e diante da Índia / CBF

Ancelotti enxerga a viagem como uma oportunidade para conhecer uma realidade diferente daquela que a seleção costuma encontrar. A Índia ocupa atualmente a 138ª posição no ranking da Fifa e jamais disputou uma Copa do Mundo, mas possui uma relação histórica com o futebol em algumas regiões do país, especialmente em Calcutá. O treinador italiano destacou a possibilidade de entrar em contato com outra cultura futebolística. Fora isso, o jogo não significa muito mais para o Brasil em termos de resultados. Nem se ganhar nem se perder.

O que ele disse

“Temos de conhecer outras nações, outras culturas”, disse Ancelotti do seu ponto de vista, que não é o mesmo do torcedor. A escolha do adversário faz parte de um período em que a CBF pretende ampliar as experiências da seleção e, ao mesmo tempo, começar a construir a equipe que seguirá rumo à Copa do Mundo de 2030. O treinador e sua comissão já vinham acompanhando partidas dos times no Brasil e na Europa antes da primeira convocação deste novo ciclo.

Esse é o objetivo maior. Formar um time para a Copa de 2030. Encontrar um padrão de jogo e jogadores capazes de mudar a partida quando preciso. Dar confiança aos atletas e mudar a impressão deixada após mais uma Copa. Pegou mal todos os jogadores, exceto Danilo, não voltar para o Brasil depois da derrota para a Noruega, assim como aconteceu com Ancelotti.

Brasil em Calcutá

O jogo terá ainda um componente histórico para os indianos. Será a primeira vez que a seleção brasileira principal enfrentará a Índia. A partida está marcada para 3 de outubro, às 11h de Brasília, no Estádio Salt Lake, em Calcutá, que tem capacidade para 63 mil torcedores. A presença do Brasil também representa um marco para um país apaixonado por futebol, ainda que o críquete seja o esporte mais popular. Ancelotti ressaltou que o Brasil possui torcedores espalhados pelo mundo e que jogar na Índia permitirá uma aproximação inédita com esse público. A viagem, portanto, tem um componente de expansão da imagem da seleção, o que vale apenas para a CBF.

A relação entre Brasil e Índia, curiosamente, já teve um personagem histórico antes mesmo de existir um confronto entre as seleções principais. Pelé esteve no país em 1977 e voltou décadas depois, em 2015. Agora, quase meio século após a primeira passagem do Rei, será a vez de a seleção levar a sua camisa para um dos maiores centros urbanos da Índia. Dentro de campo, Ancelotti pretende usar a excursão para observar jogadores e consolidar ideias. A atual convocação reúne 26 atletas e nove deles são estreantes, sinal de que o treinador já iniciou um processo de renovação sem abandonar os jogadores experientes. A mistura entre nomes consolidados e novidades será uma das marcas desta primeira etapa do trabalho.

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Ancelotti quer conhecer jogadores, testar ideias e ampliar o repertório da equipe. E, para um treinador que não enxerga “jogos amistosos”, cada minuto em campo passa a fazer parte da construção do Brasil que pretende chegar à Copa de 2030 mais forte e bem preparado.

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