Andreas Pereira deve ser punido? ‘Cavadinha’ no dérbi reacende debate sobre trapaça no futebol

Jogador do Palmeiras detona o gramado na marca da cal antes de Memphis Depay cobrar um pênalti em Itaquera: corintiano errou

881

É preciso entender a cavadinha de Andreas Pereira de uma forma simples, mas que sai do campo de jogo e entra na seara da vida. Você faz qualquer coisa para se dar bem no seu trabalho ou no seu relacionamento sem sentir remorso? Se a sua resposta for “não”, você certamente condena o que fez o jogador do Palmeiras no jogo contra o Corinthians em Itaquera, antes de Memphis bater o pênalti. Mas se a sua resposta for “sim”, você entende que o atleta agiu bem e não deve ser punido. Vida que segue.

Siga The Football

O futebol tem 17 leis e alguns artigos dessas regras preveem punição para condutas antidesportivas. Se o juiz ou o tribunal esportivo entender que Andreas é passível de punição, que se puna sem remorso. Se entender que o “vale tudo” é permitido numa partida de futebol, o caso deve ser arquivado. A lei existe. Desse modo já escancaro o meu entendimento. O problema é que as pessoas olham para suas comunidades. E até os jornalistas estão assim. Então, os palmeirenses acham que o jogador foi bem demais. E dane-se o resto. É um pensamento e conduta de grupo, de aceitação pelo grupo. E se fosse o contrário, seria a mesma coisa. O “buraqueiro” seria herói em Itaquera.

Andreas Pereira pisou na bola ao cavar o local do pênalti no jogo contra o Corinthians , pelo Paulistão / Palmeiras

O futebol não pode ser uma terra sem leis, em que os seus personagens fazem qualquer coisa para ganhar um jogo e, assim, ficar de bem com a sua torcida. O que se resolveu chamar de “malandragem no futebol” nada mais é do que trapaça. Portanto, conduta fora da lei e do jogo. É desonesto ganhar roubando ou trapaceando. Ou não?

Há trapaças no truco e no pôquer

Não sou um jogador de cartas, mas imagino que apenas no truco e no pôquer é possível blefar para ganhar e tudo bem. A “trapaça” faz parte desses jogos. Mas mesmo no truco e no pôquer há regras para serem seguidas, há respeito com os parceiros da mesa e todos entendem o que pode e não pode fazer. Por exemplo, não há nenhum jogador com mais cartas nas mãos que a rodada permite. Carta na manga é trapaça. E não é uma condição do mais esperto.

Palmeiras ganhou o jogo contra o Corinthians, em que Andreas cavou o seu buraco, com gols de Flaco López / Palmeiras

De modo que cavar o gramado para atrapalhar o colega de profissão é baixo, rasteiro, desonesto, inconsequente… e por aí vai. É como esconder a luva do goleiro no intervalo ou oferecer uma água batizada para o adversário, como, aliás, já aconteceu.

Andreas deve ser punido

Andreas não é um criminoso. Nada disso. Mas cometeu um anti jogo que não cabe no futebol moderno. Nem na várzea se faz o que ele fez. Os rivais não deixariam. Há também uma falta de profissionalismo da arbitragem, não do VAR, mas dos três árbitros de campo que não sabem mais o que estão fazendo ali e se esquivam de tomar decisões.

Há muita firula, câmeras, imagens, sorteios de cara ou coroa em canais nacionais e falatórios que fazem dos árbitros estrelas de Hollywood. E eles gostam disso. Mas deixaram de observar o jogo e os seus personagens e de aplicar as regras. Ninguém chamou a atenção de Andreas.

SIGA THE FOOTBALL
Instagram
Facebook
Linkedin
TikTok
Facebook

Para mim, falta sempre gestão. Da base ao profissionalismo, passando pelas federações até chegar à CBF. Os jogadores precisam ser melhores do que eles são como gente. Não faço para o meu vizinho o que eu não quero que façam para mim. Simples assim. Andreas errou e tem de pagar pelo seu erro para que não volte a acontecer. Gostaria muito de ver Abel Ferreira, o capitão Gustavo Gómez e a presidente Leila Pereira condenando a atitude de seu jogador. Garantindo que isso não vai acontecer novamente. Mas, ao que parece, por ora, ninguém vai falar e todos estão comprometidos com suas cores e bandeiras.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui