Três jogadores, três nacionalidades e a mesma explicação para uma noite em que o Palmeiras não precisou ser brilhante para conseguir aquilo que mais importava. O colombiano John Arias falou em competitividade. O paraguaio Gustavo Gómez resumiu a atuação pela raça. O argentino Flaco López destacou a capacidade de lutar por cada bola como se fosse a última. Eles falaram ao Paramount+. Depois de eliminar o Cerro Porteño por 1 a 0, em Assunção, e avançar às quartas de final da Libertadores, o discurso do elenco encontrou um ponto comum: nem sempre será possível vencer jogando bem, mas nunca pode faltar entrega.
É essa característica que o Palmeiras precisava recuperar em um momento de questionamentos. A equipe chegou ao confronto pressionada pelas atuações recentes e pela sensação de que poderia produzir mais diante da força do elenco. Em Assunção, também esteve longe de apresentar um futebol exuberante. Encontrou uma partida física, disputada, com poucos espaços e que exigiu muito mais concentração e disposição para o duelo do que inspiração.

Alívio imediato
Gustavo Gómez conhece como poucos esse tipo de cenário. Capitão, referência técnica e emocional do time, o zagueiro marcou o gol que encaminhou a classificação e depois resumiu o espírito necessário para sobreviver a uma eliminatória continental. “O Palmeiras tem um elenco muito forte, com muita fome de vitória e de glórias. O caminho é isso, jogar cada jogo como hoje. Se não conseguir jogar na técnica, tem de ir na raça mesmo, porque o jogo da Libertadores é muito difícil, tem de jogar assim”, afirmou o zagueiro-artilheiro.
Flaco López ouviu a declaração do companheiro e repetiu a ideia. “Quando não dá na técnica em algum jogo, dá na raça. Lutamos até o fim, brigamos cada bola como se fosse a última e logramos nossa vitória aqui, que é o mais importante”, disse o argentino, que teve poucas chances na partida. Mais do que uma coincidência nas entrevistas, as declarações ajudam a explicar uma característica que sustentou o Palmeiras nos últimos anos. Mesmo quando não consegue impor superioridade técnica, o time dificilmente abandona um jogo. Sabe sofrer, suportar momentos de pressão e mantém viva a capacidade de encontrar uma solução.
Muito trabalho pela frente
Isso, porém, não significa que os problemas estejam resolvidos. Arias tratou desse ponto ao ser questionado sobre as críticas ao rendimento da equipe. O meia evitou confronto, classificou a crítica como uma opinião e reconheceu que a exigência sobre o Palmeiras é proporcional ao tamanho da instituição e ao elenco colocado à disposição. “Somos conscientes que se espera muito do Palmeiras, pela instituição que é, pelos jogadores que tem. Pelo que as pessoas se acostumaram a ver ano após ano. E não é fácil, então as pessoas acham que é fácil”, analisou o colombiano.
Arias diz que o time está tranquilo
Há um componente interessante nessa cobrança. O Palmeiras passou tantos anos disputando títulos e frequentando as fases decisivas das principais competições que ajudou a elevar a própria régua. Hoje, avançar já não é suficiente para afastar dúvidas sobre o desempenho. Arias reconhece isso. “Sabemos que precisamos melhorar algumas coisas, mas estamos tranquilos. Sempre tentamos fazer o melhor.”
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É aí que a classificação ganha importância além da vaga. O Palmeiras não deixou Assunção oferecendo respostas definitivas sobre seu futebol. Ainda precisa produzir mais, criar melhor e encontrar regularidade. Mas respondeu a uma dúvida importante: o grupo continua acreditando naquilo que faz? Flaco não hesitou. “Não perdemos nada, só jogos, só momentos que às vezes parece que tudo custa um pouquinho mais. Faz parte. A gente está acostumado a lutar em todos os momentos da temporada, em todos os momentos do jogo. Sabemos competir. Somos competitivos e acho que isso é o que nos faz diferentes”, ponderou o argentino.

Talvez esteja aí o maior ganho da noite. A classificação não apaga críticas nem autoriza considerar superadas as dificuldades recentes. Mas devolve ao Palmeiras algo indispensável para quem pretende continuar disputando tudo: a certeza de que, mesmo quando o futebol não aparece como gostaria, ainda existe um time disposto a permanecer de pé até o último minuto.





